Racha entre Brandão e grupo de Dino divide PT e preocupa aliados de Lula no Maranhão
A disputa entre o governador Carlos Brandão e o grupo político ligado ao ministro do STF Flávio Dino tem dividido o PT no Maranhão e gerado preocupação entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O temor é que o racha na base governista abra espaço para o avanço do ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD), líder das pesquisas para o governo estadual.
De um lado, Brandão articula a candidatura do sobrinho, Orleans Brandão (MDB), para sua sucessão. Do outro, parlamentares alinhados a Dino trabalham para consolidar o nome do vice-governador Felipe Camarão (PT) como candidato ao Palácio dos Leões.
A avaliação de integrantes do PT maranhense é que a divisão pode fragmentar o eleitorado governista e favorecer Braide, que tenta manter distância das disputas nacionais e se apresentar como alternativa aos grupos que dominam a política estadual.
Nos bastidores, parte da direção petista chegou a defender que Lula apoiasse simultaneamente Camarão e Orleans Brandão, ampliando sua presença eleitoral no estado. A proposta, porém, é rejeitada pela direção nacional do partido e pelo próprio vice-governador.
Felipe Camarão afirma que a escolha do PT por sua candidatura está respaldada por pesquisas e sustenta que Lula fará campanha apenas ao seu lado, embora não deva rejeitar apoios de outros grupos políticos.
Já aliados de Brandão avaliam que seria difícil para o presidente abrir mão do apoio de um governador aliado e acreditam que Lula manterá algum grau de proximidade com a candidatura de Orleans, ainda que de forma informal.
Braide lidera pesquisas
A preocupação dos petistas é reforçada pelos números da pesquisa Quaest divulgada em março. No cenário testado com os três principais nomes, Eduardo Braide aparece com 35% das intenções de voto, seguido por Orleans Brandão, com 24%. Felipe Camarão registra 7%.
Braide tem defendido que sua candidatura surge de uma demanda popular e pretende centrar a campanha em realizações de sua gestão na prefeitura de São Luís, especialmente nas áreas de infraestrutura, saúde e educação.
A ruptura entre os dois grupos foi consolidada no ano passado, mas as divergências se arrastam há mais tempo. Um dos principais pontos de conflito envolveu as disputas em torno de indicações para o Tribunal de Contas do Estado (TCE), que acabaram sendo questionadas em ações relatadas por Dino no STF.
O desgaste aumentou após a divulgação de gravações envolvendo aliados do ministro e interlocutores do governo estadual. O episódio levou Brandão a acusar integrantes do grupo rival de usar processos judiciais como instrumento de pressão política, enquanto aliados de Dino afirmaram ter sido alvo de monitoramento.
Lula chegou a intervir publicamente na disputa e pediu que os dois grupos evitassem conflitos internos. O presidente também defendeu que Brandão concorresse ao Senado em 2026, movimento que abriria caminho para Camarão assumir o governo e disputar a reeleição. O governador, no entanto, decidiu permanecer no cargo até o fim do mandato, aprofundando a crise entre os antigos aliados.
*Com O Globo
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