Raízen: quais são os negócios da empresa em recuperação extrajudicial
A Raízen (RAIZ4) protocolou nesta quarta-feira, 11, o maior pedido de recuperação extrajudicial da história do Brasil, com o objetivo de renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas financeiras. Apesar da reestruturação do passivo, a empresa afirmou que suas operações seguem normalmente.
Controlada por uma joint-venture ente Cosan e Shell, a Raízen é uma das maiores empresas de energia do país e atua em diferentes frentes do setor.
A companhia reúne desde a produção de açúcar, etanol e bioenergia até a distribuição de combustíveis sob a marca Shell, além de negócios em varejo de conveniência e energia elétrica.
Fundada em 2011, a empresa administra um amplo ecossistema de operações que inclui usinas de bioenergia, uma rede de cerca de 8 mil postos de combustíveis, abastecimento em aeroportos e soluções de mobilidade e energia renovável. Ao todo, a companhia conta com mais de 45 mil colaboradores e cerca de 15 mil parceiros de negócios.
A seguir, veja como estão organizados os principais negócios da Raízen.
Produção de bioenergia
A base do negócio da Raízen está no segmento agroindustrial. A companhia administra um dos maiores parques de bioenergia do país, com 35 unidades produtoras. Essas operações são abastecidas por cerca de 1,3 milhão de hectares de áreas agrícolas administradas pela empresa para o cultivo de cana-de-açúcar. A matéria-prima é utilizada principalmente na produção de açúcar e etanol.
Além do etanol de primeira geração, produzido a partir do caldo da cana, a companhia também investe no etanol de segunda geração (E2G), tecnologia que utiliza resíduos da cana, como o bagaço, para ampliar a produção sem necessidade de expansão da área plantada.
A empresa também produz biogás e biometano a partir de resíduos industriais gerados no processamento da cana.
Distribuição de combustíveis e mobilidade
Outra frente central de atuação está na distribuição de combustíveis. A Raízen é licenciada da marca Shell no Brasil, na Argentina e no Paraguai, sendo responsável pela operação logística e comercial da rede.
No segmento de mobilidade, a empresa conta com uma estrutura composta por mais de 70 terminais de distribuição de combustíveis e 68 bases de abastecimento em aeroportos. A rede inclui cerca de 8 mil postos Shell operados por revendedores parceiros.
Além da venda de combustíveis automotivos, a companhia atua no fornecimento de querosene de aviação (QAV) e gasolina de aviação em aeroportos e no abastecimento de clientes corporativos, como empresas de transporte, mineradoras, indústrias e produtores rurais.
O portfólio inclui ainda a comercialização de lubrificantes da marca Shell e serviços associados à mobilidade, como infraestrutura de recarga para veículos elétricos por meio da plataforma Shell Recharge.
A empresa também opera soluções digitais e de conveniência integradas à rede de postos, como o aplicativo Shell Box, programas de fidelidade e as lojas de conveniência Shell Select e Shell Café.
Varejo e conveniência
No varejo, a companhia atua principalmente por meio das lojas de conveniência ligadas à rede de postos Shell.
Essa operação era conduzida em parceria com a empresa mexicana FEMSA por meio da joint venture Grupo Nós, criada em 2019 para desenvolver tanto as lojas Shell Select quanto os mercados de proximidade OXXO no Brasil.
Em 2025, as empresas decidiram encerrar a parceria societária. Pelo acordo, a Raízen ficará com 1.256 lojas de conveniência Shell Select e Shell Café, que seguirão sendo desenvolvidas principalmente por meio do modelo de franquias integrado à rede de postos Shell.
A FEMSA, por sua vez, ficará com 611 mercados de proximidade OXXO e com o centro de distribuição localizado em Cajamar, em São Paulo, além de assumir caixa e dívidas da estrutura do Grupo Nós.
Como parte do acordo, o Grupo Nós continuará prestando serviços de suprimentos e logística para as lojas Shell Select e Shell Café dentro da área de cobertura do centro de distribuição.
Segundo a Raízen, a reorganização faz parte de uma estratégia de simplificação do portfólio e de maior foco na execução de sua oferta integrada Shell.
Energia elétrica e renováveis
A companhia também atua no mercado de energia elétrica por meio da marca Raízen Power, que reúne iniciativas ligadas à geração e comercialização de energia renovável.
No início de 2026, a empresa vendeu a unidade de trading no mercado livre de energia da Raízen Power para a Tria Energia, empresa controlada por sociedades ligadas ao Patria Investimentos. O negócio abrangeu apenas a área de comercialização de energia e não incluiu ativos de geração distribuída nem usinas de geração centralizada, que continuam no portfólio da companhia.
De acordo com informações apresentadas ao Cade, a venda está alinhada ao plano de desinvestimentos da Raízen, que busca concentrar esforços nas atividades consideradas centrais da empresa: etanol, açúcar, bioenergia e mobilidade.
O que acontece com a Raízen
Nos últimos anos, a companhia ampliou seu nível de endividamento em meio a investimentos em expansão e mudanças no cenário macroeconômico.
A compra da Biosev, concluída em 2021 por cerca de R$ 6,5 bilhões, exigiu aportes adicionais para modernização das unidades industriais. Ao mesmo tempo, condições climáticas adversas afetaram a produção de cana-de-açúcar em determinados períodos.
A alta da taxa Selic também elevou o custo do endividamento da empresa. Paralelamente, projetos ligados à transição energética, como o etanol de segunda geração e o combustível sustentável de aviação, ainda não geraram retorno financeiro relevante.
Diante desse cenário, a companhia iniciou a venda de ativos considerados não estratégicos e passou a avaliar a alienação de operações na Argentina.
Mesmo com a reestruturação financeira em curso, a empresa afirma que todas as suas operações seguem sendo conduzidas normalmente, incluindo o atendimento a clientes, a relação com fornecedores e a execução de seus planos de negócios.
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