Real tem reação tímida à trégua entre EUA e Irã
O dólar comercial opera em leve queda frente ao real nesta segunda-feira, 15, em um dia marcado pela reação positiva dos mercados ao acordo preliminar firmado entre Estados Unidos e Irã. Neste domingo, 14, os dois países anunciaram um acordo para encerrar a guerra iniciada em fevereiro e reabrir o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
Às 9h36, a moeda americana recuava 0,25%, cotada a R$ 5,050. Mais cedo, chegou a atingir a mínima de R$ 5,032, enquanto a máxima do dia foi de R$ 5,061.
O movimento acompanha o enfraquecimento global do dólar após o anúncio do entendimento diplomático entre Washington e Teerã. O acordo prevê o fim imediato das operações militares e a reabertura do Estreito de Ormuz, fechado durante o conflito e responsável por uma parcela relevante do transporte marítimo de petróleo.
A perspectiva de normalização do fluxo de petróleo na região derrubou os preços da commodity. O Brent caía mais de 5% nesta manhã, refletindo a redução dos riscos de interrupção da oferta global de energia.
No exterior, dólar opera perto da mínima em 10 dias
Com a diminuição das tensões geopolíticas no Oriente Médio, investidores passaram a buscar ativos de maior risco, reduzindo a demanda por ativos considerados porto seguro em momentos de incerteza, como o dólar. No exterior, a moeda americana operava próxima das mínimas em dez dias frente às principais divisas globais.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, permanecia praticamente estável, em 99,52 pontos, mas ainda próximo do menor nível desde o início de junho.
Apesar da reação favorável dos mercados, analistas destacam que ainda há incertezas relevantes sobre a implementação do acordo. O memorando entre Estados Unidos e Irã deverá ser formalmente assinado apenas na sexta-feira, 19, na Suíça. Além disso, permanecem sem solução temas considerados centrais, como o futuro do programa nuclear iraniano e uma eventual flexibilização das sanções econômicas impostas a Teerã.
No radar dos investidores também está a chamada "superquarta" desta semana, quando o Federal Reserve (Fed) e diversos outros bancos centrais divulgarão suas decisões de política monetária. A expectativa predominante é de manutenção dos juros americanos, mas o mercado acompanha atentamente as sinalizações sobre os próximos passos da política monetária nos Estados Unidos.
A combinação entre o alívio geopolítico, a queda do petróleo e a expectativa de estabilidade nos juros americanos contribui para um ambiente mais favorável aos ativos de risco nesta segunda-feira, pressionando o dólar tanto no mercado internacional quanto frente ao real.
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