Receita da Apple sobe 17% com sucesso do 'iPhone mais popular' da empresa
A Apple (AAPL) divulgou nesta quinta-feira, 30, os resultados de seu segundo trimestre fiscal. A empresa registrou receita de US$ US$ 112 bilhões e lucro por ação (EPS) de US$ 2,01 — acima da estimativa de consenso de analistas, que projetava US$ 109,7 bilhões em receita e US$ 1,95 de EPS, segundo dados compilados pela LSEG a partir de 31 analistas.
O resultado é o primeiro a ser divulgado após o anúncio da saída do CEO Tim Cook, que deixará a companhia em setembro. John Ternus será o sucessor de Cook, que se tornará chairman da empresa, após cerca de 15 anos no cargo, na primeira mudança no comando da Apple desde a morte de Steve Jobs, em 2011.
Segundo Cook, a "demanda extraordinária" pela família iPhone 17 impulsionou os melhores resultados financeiros da empresa para este período do ano.
A receita total no período teve alta de 17% em relação aos US$ 95,4 bilhões registrados no mesmo período de 2025, acima da projeção de crescimento de 15% antecipada pelos analistas.
O iPhone seguiu como principal motor da receita, com as vendas em alta de 20% em comparação ao ano passado, chegando a US$ 57 bilhões. Segundo a empresa, o desempenho nos Estados Unidos e a recuperação gradual na China foram os principais fatores acompanhados pelo mercado para avaliar a sustentabilidade da demanda fora do ciclo de lançamentos.
Na China, a receita total alcançou US$ 20,5 bilhões, 28% acima do ano passado.
O trimestre marcou mais um recorde para a divisão de Serviços da Apple. A área, que engloba App Store, iCloud e outros negócios recorrentes, faturou US$ 31 bilhões no período, acima do que projetava o consenso de analistas compilado pela Visible Alpha.
O lucro líquido da companhia chegou a US$ 29,6 bilhões, crescimento de aproximadamente 19% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, também superando as expectativas.
O bom desempenho financeiro, porém, convive com uma dose de ceticismo por parte dos investidores. O mercado ainda espera evidências concretas de que a Apple conseguiu recuperar o atraso em inteligência artificial — área em que a empresa tropeçou no lançamento de seus primeiros recursos, há cerca de dois anos — antes de revisar para cima as perspectivas para a ação.
No mercado, os papéis da Apple não apresentaram variação relevante no after-hours.
Mudanças no topo
Esse é o penúltimo balanço divulgado ainda sob a liderança de Cook, já que os resultados do terceiro trimestre serão divulgados em julho. Ternus, nomeado novo CEO, estará no comando de um balanço a partir do quarto trimestre, em outubro, quando já estará no cargo há cerca de dois meses.
Seu primeiro trimestre completo à frente da empresa, porém, será apenas no primeiro trimestre de 2027, que vai de setembro a dezembro de 2026.
Ternus chega ao cargo com o vento a seu favor — em parte por obra própria. Foi sob sua gestão de hardware que a Apple lançou o iPhone 17 Pro, em setembro passado, além de novos iPads, Macs e outros dispositivos em março, produtos que estão na base do crescimento esperado para este trimestre.
A própria Apple havia sinalizado, em janeiro, expansão de receita entre 13% e 16% para o período de março, e Wall Street projeta US$ 109,7 bilhões.
Outro desdobramento relevante da transição é a promoção de Johny Srouji, que chefiava a divisão de chips da Apple, ao cargo de chief hardware officer.
Srouji passa a responder também pela área de engenharia de hardware que Ternus comandava desde 2021.
A mudança é vista com bons olhos pelo mercado: Srouji havia ameaçado deixar a empresa no ano passado, e sua permanência é considerada estratégica — os chips desenvolvidos internamente pela Apple são hoje um dos principais diferenciais competitivos da companhia frente aos rivais.
Quem é John Ternus?
Ternus ingressou na equipe de design de produtos da Apple em 2001 e se tornou vice-presidente de Engenharia de Hardware em 2013. Em 2021, passou a integrar o time executivo como vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware.
Ao longo de sua trajetória na empresa, foi peça-chave no lançamento de linhas de produtos como iPad e AirPods, além de diversas gerações de iPhone, Mac e Apple Watch.
Antes da Apple, trabalhou como engenheiro mecânico na Virtual Research Systems e é formado em Engenharia Mecânica pela Universidade da Pensilvânia.
Em nota, Ternus disse ser "profundamente grato por esta oportunidade de levar a missão da Apple adiante" e que promete "liderar com os valores e a visão que definem este lugar especial há meio século."
O legado de Cook
Sob o comando de Cook, a capitalização de mercado da Apple saltou de aproximadamente US$ 350 bilhões para US$ 4 trilhões — um avanço de mais de 1.000% —, e a receita anual quase quadruplicou, de US$ 108 bilhões no ano fiscal de 2011 para mais de US$ 416 bilhões no ano fiscal de 2025.
Durante sua gestão, a base de dispositivos ativos da Apple cresceu para mais de 2,5 bilhões, e a divisão de Serviços se tornou um negócio de mais de US$ 100 bilhões — equivalente a uma empresa da lista Fortune 40.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: