Receita Federal apreende 4 mil vapes por dia no Brasil em meio ao avanço de vendas ilegais

Por Mateus Omena 31 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Receita Federal apreende 4 mil vapes por dia no Brasil em meio ao avanço de vendas ilegais

Entre janeiro e fevereiro de 2026, foram apreendidas pela Receita Federal 238.801 unidades de cigarros eletrônicos no Brasil, o equivalente a cerca de 4 mil dispositivos por dia. O balanço foi divulgado pelo Fórum Nacional contra Pirataria e a Ilegalidade nesta terça-feira, 31.

Em 2025, o volume chegou a 3 milhões de unidades. Os números indicam a dimensão de um mercado paralelo em crescimento, apesar das ações de combate.

As apreensões ocorrem em meio às preocupações de autoridades e entidades com o avanço do mercado ilegal de cigarros eletrônicos no Brasil, mesmo com a proibição vigente. A comercialização ocorre em centros urbanos, redes sociais e plataformas digitais, além de pontos informais, evidenciando limitações na fiscalização frente à expansão do mercado clandestino.

“O que estamos vendo é a consolidação de um mercado ilegal que cresce à margem do Estado e alimenta diretamente o crime organizado. A simples proibição do comércio legal desses dispositivos não impediu o acesso ao produto – apenas transferiu esse mercado para as mãos de redes criminosas. E, pior: com a oferta de produtos completamente desconhecidos e sem qualquer controle sanitário ou procedência conhecida”, afirma Edson Vismona, presidente do Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP).

Para a entidade, o cenário demanda uma abordagem ampliada no enfrentamento ao problema. A estrutura de distribuição do mercado ilegal inclui o uso de canais digitais e serviços de entrega, o que amplia o alcance das redes criminosas.

“Estamos diante de um contrabando altamente organizado, que se aproveita de diversos canais para vender, inclusive da internet. E, em muitos casos, da estrutura oficial de entregas para distribuir. Isso amplia o poder de atuação dos criminosos e dificulta o trabalho de combate por parte das autoridades”, afirma Vismona.

Alta dos vapes entre os jovens

O desafio sobre os cigarros eletrônicos mostrou-se mais intenso com dados do IBGE, por meio da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE) 2024. O levantamento apontou que a experimentação de vapes entre adolescentes passou de 16,8%, em 2019, para 29,6%, em 2024, uma alta de 13 pontos percentuais em cinco anos.

Segundo especialistas em segurança pública, a combinação entre proibição, demanda elevada e ausência de controle regulatório contribui para a expansão do mercado ilegal.

“É especialmente alarmante ver que um mercado 100% ilegal agora avança justamente sobre um público que não deveria ter qualquer acesso a esse tipo de produto. O crime organizado não tem compromisso com regras, com idade mínima ou com proteção ao consumidor. Quando não há controle eficaz, quem ocupa esse espaço é o ilegal”, afirma Vismona.

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