Recuperação judicial no agro vai desacelerar, mas continuará crescendo, diz BB

Por Clara Assunção 13 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Recuperação judicial no agro vai desacelerar, mas continuará crescendo, diz BB

O Banco do Brasil não projeta uma redução nos pedidos de recuperação judicial do agronegócio, mas espera um "arrefecimento" no ritmo de crescimento desses processos ao longo de 2026. Foi isso que disse o vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos, Felipe Prince, durante videoconferência com analistas nesta quinta-feira, 11, após a divulgação do balanço do quarto trimestre.

"Com os produtos adequados para fazer essa recomposição da capacidade de pagamento dos nossos clientes, continuamos esperando um arrefecimento, não uma redução, mas um arrefecimento no crescimento desses volumes, sejam financeiros ou sejam de clientes entrando com recuperação judicial", afirmou o executivo ao comentar a expectativa da instituição para os próximos meses.

Segundo Prince, 2025 foi um ano recorde em recuperações judiciais no país — não apenas no agro, mas em diversos setores. No caso do Banco do Brasil, porém, o maior impacto veio justamente do segmento rural.

O banco afirmou que adotou uma postura mais firme diante da escalada dos pedidos, intensificando o diálogo com o Judiciário, associações de produtores e outros atores envolvidos, além de acelerar medidas judiciais quando as negociações foram consideradas esgotadas.

De acordo com o executivo, o número de novos entrantes do agro em recuperação judicial continuou elevado, mas já apresentou desaceleração no terceiro trimestre em relação aos períodos anteriores.

No quarto trimestre de 2025, a inadimplência do agronegócio acima de 90 dias atingiu 6% da carteira, ante 4,84% em setembro — o décimo trimestre consecutivo de alta. A carteira do setor soma R$ 406,1 bilhões, o equivalente a um terço da carteira total do banco, de R$ 1,2 trilhão.

O volume de operações com atraso superior a 90 dias chegou a R$ 24,7 bilhões, sendo quase 20% referentes a devedores com pedidos de recuperação judicial.

Impacto da MP 1.314

Prince atribui a expectativa de "arrefecimento" a três fatores: a atuação mais incisiva do banco, maior conscientização sobre o uso do instrumento da recuperação judicial e a oferta de novas soluções de renegociação.

Entre elas está a Medida Provisória (MP) 1.314/2025, em vigência desde outubro do ano passado, que embasa a linha BB Regulariza Agro. A iniciativa permite liquidar, amortizar e alongar dívidas de custeio, investimento e CPRs, inclusive operações já prorrogadas ou renegociadas. O prazo pode chegar a nove anos, com até um ano de carência.

"O banco está sempre à disposição para negociar, agora com produtos adequados para recompor a capacidade de pagamento dos nossos clientes", afirmou.

Hoje, 75% da carteira do BB em recuperação judicial está provisionada. Segundo Prince, a cobertura não é integral porque o banco considera a perda histórica nesses processos, que embute uma recuperação média de cerca de 30%, além de planos já aprovados e em execução.

O executivo também destacou que eventuais novos casos já no radar para 2026 estão contemplados no guidance da instituição.

Agro é prioritário para o BB, diz presidente

A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, afirmou que o banco manteve uma postura criteriosa na renegociação das dívidas do agro, selecionando cliente a cliente apenas aqueles com capacidade, ou perspectiva real de recuperação, de pagamento.

Tarciana destacou ainda que o relacionamento com o agro é estratégico e diferenciado e que, em 2026, o banco ampliará a presença especializada no setor, com atendimento em 230 praças, reforçando o acompanhamento contínuo até o fim da carência e o início do pagamento das parcelas.

"Quero reforçar que o relacionamento do Banco do Brasil com o agronegócio é diferente e estratégico. A partir do que observamos ao longo de 2025, identificamos a necessidade de ampliar nossa presença em outras praças — inclusive retomando atuação em regiões onde já estivemos antes — com equipes cada vez mais especializadas no atendimento ao agro", disse a presidente do Banco do Brasil.

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