Reduzir dívida, pagar dividendo, M&A's: o checklist da Cogna para 2026
A geração de caixa operacional da Cogna chegou a R$ 1,27 bilhão no acumulado de 2025, valor 22% maior do que o registrado um ano antes. O caixa disponível, após investimentos e despesas financeiros, atingiu R$ 716,2 milhões e superou a cifra de 2024 em nada menos que 81%. A empresa caiu no gosto dos investidores ao simplificar os negócios e adotar um modelo asset light, após um longo período de ceticismo. Não à toa, foi a ação do Ibovespa que mais valorizou no ano que passou e neste, segue entre as maiores altas. O bom uso do caixa é fundamental para manter a credibilidade conquistada.
Em entrevista à EXAME, o CEO Roberto Valério explica que existem três prioridades para os recursos. "O principal agora, no curto prazo, é reduzir dívida. Não porque a nossa alavancagem seja alta, pelo contrário, ela é baixa [caiu para 1,21 vez a dívida líquida/ Ebitda]. Mas como os juros estão muito altos, carregar qualquer dívida custa bastante e queremos economizar com despesa financeira", afirmou.
A última emissão de dívida ocorreu justamente no quarto trimestre, com captação de R$ 1 bilhão via debêntures, com custo de CDI + 0,64% e prazo de três anos. Basicamente, os recursos levantados na operação foram usados para cobrir a parte mais cara do endividamento. Em 2025, a Cogna pagou R$ 90,6 milhões a menos de juros na comparação com 2024.
O segundo uso do caixa é devolver o dinheiro ao acionista, continua o CEO. "A última vez que tínhamos distribuído dividendos tinha sido em 2020. Daí distribuímos no ano passado e vamos distribuir de novo em 2026".No mês passado, a Cogna distribuiu R$ 120 milhões em proventos. 2025 foi também o ano em que as empresas de educação da bolsa brasileira entraram oficialmente na era das "vacas leiteiras".
Por fim, vêm as aquisições. Depois de um "detox" de compras que durou seis anos, a Cogna adquiriu a Faculdade de Medicina de Dourados em agosto do ano passado, por R$ 54,4 milhões. Também recomprou a participação da Vasta que estava em circulação no mercado por R$ 421,7 milhões, trazendo a até então subsidiária de educação básica em escolas particulares para dentro de casa sob a marca Somos e fechando o capital da companhia, que era listada na bolsa de Nova York.
"Não vai ser qualquer M&A. Tem que ser muito estratégico alinhado à nossa visão de construir competências aqui dentro e que alavanquem o nosso resultado, sem que a gente precise alocar muitos milhões de reais em coisas muito difíceis de operar", diz Valério.
O capex e investimentos em expansão da Cogna em 2025 cresceram 26,5%, para R$ 490,45 milhões. "Boa parte desse crescimento de capex tem a ver com tecnologia. Temos investido muito em inteligência artificial para melhorar a experiência do cliente", diz o CEO. A ferramenta está sendo usada, principalmente, na criação de jornadas educacionais personalizadas.
"A gente pode estar fazendo o mesmo curso eu e você, só que o meu itinerário formativo é diferente do seu, porque eu tenho algumas dificuldades que são diferentes das tuas", exemplifica o executivo.
A confiança do investidor
Recentemente, a Cogna perdeu o posto de ação com maior retorno total do Ibovespa no acumulado de 12 meses para a Copasa. Ainda assim, estamos falando de uma variação 124,16% nesse período. Quem comprou a ação na virada de 2026, porém, teve retorno de apenas 0,32%. COGN3 caminhava na direção dos R$ 5, mas perdeu fôlego, ficando de fora do rali da bolsa em alguns momentos, além de também ter sido impactada pela aversão ao risco que tomou conta dos mercados desde que a Guerra com o Irã começou. Ontem fechou a R$ 3,18.
O balanço do quarto trimestre, divulgado após o fechamento da bolsa, saiu junto com um fato relevante. Nele, a Cogna, explicava que os resultados foram impactados por um deslocamento no reconhecimento de receitas do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).
Parte das vendas de livros do Novo Ensino Médio, que tradicionalmente seriam contabilizadas no quarto trimestre, teve o cronograma de faturamento postergado pelo governo federal para o início de 2026. Com isso, cerca de R$ 166,6 milhões em receita deixaram de ser reconhecidos no 4T25, o que também reduziu o Ebitda do período em aproximadamente R$ 52,3 milhões.
Segundo a companhia, o efeito é essencialmente temporal, já que parte dessas receitas começou a ser registrada no início de 2026. Resta saber como será a resposta do investidor a essa sazonalidade inesperada.
"Veremos como será a reação. Mas eu entendo que ganhos bastante a credibilidade do investidor, sim", conclui Valério.
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