Reforma tributária muda lógica financeira das empresas e amplia papel da IA na gestão

Por Da Redação 10 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Reforma tributária muda lógica financeira das empresas e amplia papel da IA na gestão

A reforma tributária deixou de ser uma preocupação restrita às áreas fiscal e contábil. Com o avanço da transição, o tema passa a afetar decisões de caixa, crédito, formação de preços e margem dentro das empresas.

Na prática, a adaptação ao novo modelo tributário também dependerá da qualidade dos dados, da integração entre áreas e da capacidade de simular cenários antes que os impactos cheguem à operação.

Um dos pontos mais sensíveis da reforma é o split payment, mecanismo que prevê a separação do valor do imposto no momento do pagamento. Com ele, a parcela referente aos tributos deixa de ficar temporariamente no caixa do fornecedor e passa a ser direcionada diretamente ao governo.

Empresas que hoje contam com esse intervalo entre o recebimento e o recolhimento do imposto terão de rever a necessidade de capital de giro e entender melhor o comportamento do caixa.

Esse recorte, do Senior Live ERP, integra a programação do Senior Experience 2026, evento promovido pela Senior Sistemas no dia 21 de maio, no Transamerica Expo Center, em São Paulo.

A segunda edição do encontro reunirá especialistas e executivos para discutir como tecnologia, dados e inteligência artificial já influenciam decisões de gestão e negócio, em meio a mudanças regulatórias e novos desafios de competitividade.

Leitores da EXAME têm acesso a 50% de desconto na compra de ingressos para o Senior Experience, com o uso do cupom EXAME50OFF

Quando a reforma deixa de ser só tributária

Para Julio Nogueira, advogado tributarista e especialista em inteligência artificial aplicada ao risco fiscal, o mercado ainda tende a tratar a reforma tributária como uma discussão concentrada nas áreas fiscal, contábil, jurídica e de tecnologia. No entanto, segundo ele, o maior impacto estará na área financeira.

“A reforma é chamada de tributária, mas, na prática, também precisa ser vista como uma reforma financeira. O maior impacto estará no caixa das empresas. É claro que jurídico, contabilidade e tecnologia têm deveres importantes nesse processo, mas quem mais vai sentir os efeitos dessa mudança será a área financeira”, avalia Nogueira.

A análise ganha força ao considerar a convivência entre o modelo atual e o novo sistema tributário nos próximos anos. Nesse período, as empresas terão de lidar, ao mesmo tempo, com regras, bases de cálculo, créditos, documentos fiscais, conciliações e apurações diferentes.

O problema não está apenas em cumprir obrigações, mas em entender como a transição pode afetar a formação de preços, a margem e a competitividade.

Empresas que conseguirem antecipar os efeitos no caixa, revisar a formação de preços e organizar melhor seus créditos tendem a atravessar a transição com mais capacidade de competir.

Já operações menos preparadas podem enfrentar perda de eficiência, redução de margem e maior necessidade de crédito para sustentar a operação. Ao calcular mal seus créditos ou demorar a rever preços, a empresa pode chegar ao mercado mais cara que concorrentes mais preparados — sem perceber onde perdeu margem.

Como o split payment muda o caixa

O efeito mais imediato do split payment está no fluxo financeiro. Hoje, em muitos casos, o imposto permanece por um período no caixa da empresa antes do recolhimento. Com a nova lógica, esse valor tende a ser separado no momento do pagamento, o que reduz o espaço para usar esse intervalo como capital de giro.

Essa lógica também se conecta à apuração assistida. O governo passará a oferecer uma visão estruturada sobre débitos e créditos a partir dos documentos fiscais das operações. Para as empresas, isso cria uma exigência: conferir se a leitura do Fisco corresponde ao que está registrado internamente.

A conciliação entre a visão do governo e a do ERP passa a ser uma etapa crítica para evitar divergências, inconsistências e decisões baseadas em informações incompletas.

Esse movimento ocorre em um momento de ampliação do uso de dados e de inteligência artificial pela Receita Federal para cruzar informações, analisar o comportamento fiscal e identificar riscos. Segundo Nogueira, esse avanço muda a relação entre empresas e a fiscalização.

“Quando o Fisco passa a olhar para o contribuinte com apoio de dados e inteligência artificial, a empresa também precisa elevar sua capacidade de análise. O ideal é que os sistemas ajudem a companhia a enxergar como o Fisco enxerga, antecipando riscos e apoiando decisões com base em dados”, explica o tributarista.

ERP ganha peso estratégico na gestão

Nesse cenário, o ERP deixa de ser apenas um sistema de registro das operações e passa a ter uma função mais relevante na interpretação do negócio. Para Valmir Hammes, head de ERP Compliance da Senior Sistemas e especialista em legislação e tecnologia, a reforma tributária exige que as empresas consigam antecipar impactos antes que eles apareçam no caixa.

“A empresa precisa entender como a operação de hoje vai se comportar nos próximos anos da transição. Isso exige simular cenários, acompanhar créditos, débitos e conciliações, além de identificar inconsistências antes que elas virem risco. A tecnologia ajuda a dar mais clareza para o empresário decidir”, destaca Hammes.

O desafio não se limita à adequação dos sistemas às novas regras. A mudança exige uma visão integrada entre o fiscal, o financeiro, a contabilidade, as compras, as vendas e a gestão. Distorções na base de cálculo, classificações incorretas ou leituras incompletas dos créditos podem afetar o custo da operação, a formação de preços e a competitividade frente a concorrentes mais preparados.

Sem dados confiáveis, IA também vira risco

A inteligência artificial também tende a ganhar espaço nas áreas de backoffice. Processos repetitivos, grandes volumes de dados e rotinas de conferência tornam áreas como o financeiro, o contábil e o compliance mais propícias ao uso de automação, análise preditiva e identificação de exceções.

Em alguns casos, atividades que antes consumiam dias podem ser reduzidas a horas, com ganhos de produtividade e maior agilidade nas rotinas.

Para Alexandre Barreto, executivo e especialista em dados e IA, a adoção dessas tecnologias precisa vir acompanhada de governança. Na avaliação dele, empresas que buscam resultados rápidos com a inteligência artificial, mas não cuidam da qualidade dos dados que alimentam essas ferramentas, podem ampliar riscos em vez de reduzi-los.

“A inteligência artificial sem governança de dados pode se transformar em uma máquina de geração de erro com aparência de confiança. A ferramenta pode entregar uma resposta bem estruturada, mas baseada em informações desatualizadas, incompletas ou inconsistentes. Por isso, o dado é o alicerce de qualquer estratégia de IA”, alerta Barreto.

Segundo o especialista, o backoffice passa por uma transformação silenciosa. Ao automatizar tarefas repetitivas e estruturar grandes volumes de dados, a IA permite que as equipes deixem a operação de planilhas e passem a se concentrar em exceções, análises e decisões que exigem mais leitura crítica do negócio.

O risco de adiar a adaptação

Esse ponto se torna ainda mais crítico no contexto da reforma tributária. Com novas regras, fiscalização cada vez mais baseada em dados e a necessidade de conciliar informações fiscais e financeiras, as empresas terão de combinar conhecimento técnico, tecnologia e capacidade de interpretar melhor os dados para preservar eficiência e competitividade.

Para Hammes, a preparação precisa começar antes da obrigatoriedade plena das novas rotinas. “A reforma tributária não pode ser tratada como um ajuste de última hora. As empresas precisam olhar para seus dados, seus processos e sua capacidade de simular impactos agora. Quanto maior a complexidade da operação, maior será a necessidade de previsibilidade”, afirma.

O Senior Experience chega à segunda edição com expectativa de mais de 2 mil participantes, cerca de 80 palestrantes, cinco trilhas simultâneas e mais de 40 marcas conectadas ao ecossistema da Senior Sistemas. A programação reúne debates sobre tecnologia, gestão, liderança e negócios.

No evento, entre os temas de destaque sobre a Reforma Tributária e IA, estão as palestras “Reforma Tributária + IA: simplificando o complexo”, de Julio N. Nogueira, e “Os impactos da reforma tributária na cadeia logística”, com Ozoni Argenton, na Arena Oracle.

Valmir Hammes, conduz a temática “Reforma Tributária e tecnologia: por que seu ERP precisa evoluir”, na Arena Senior. Já Alexandre Barreto fala sobre IA e Dados na Plenária do Senior Experience. Confira a programação completa neste link.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: