Reforma tributária: nova ferramenta usa dados para prever impacto nas empresas
A empresa de assessoria tributária AG Capital encerrou 2025 com um resultado que surpreendeu até seus próprios sócios. O faturamento chegou a R$ 330 milhões, resultado da expansão física e da estratégia de avançar para além do eixo Rio-São Paulo. Para 2026, a projeção é mais conservadora, crescer 30%. Há, porém, um elemento novo nessa equação que ainda não entrou nas estimativas oficiais.
A empresa lançou uma ferramenta voltada a ajudar companhias a tomar decisões durante a transição tributária que se estende até 2033.
Desenvolvida em parceria com a consultoria ACFS e com os especialistas em direito tributário Talita Félix, Eurico Marcos Diniz de Santi, Fabrício Campos e Ângelo de Angelis, a solução utiliza dados fiscais históricos das empresas e aplica as regras previstas na Lei Complementar 214/25 para simular como cada negócio será afetado ao longo do período de transição.
Vale entender o contexto dessa mudança. As empresas já estão lidando com a necessidade de adaptar seus sistemas para que as notas fiscais passem a exibir, ao mesmo tempo, tributos do modelo atual e os novos tributos da reforma.
Esse é, segundo Douglas Farah, co-CEO e diretor de operações do grupo AG Capital, e Luiz Claudio de Souza, COO na AG Tax, divisão do grupo focada em tributos não previdenciários, o principal desafio operacional no curto prazo. E se não for resolvido, pode impedir o faturamento.
"As empresas estão falando bastante sobre reforma tributária, mas o entendimento do que fazer a respeito ainda é muito baixo", explica Souza. Ele passou 18 anos na Deloitte antes de integrar o Grupo AG Capital, liderando área de tax para setores como mineração e petróleo e gás.
Ainda de acordo com o executivo, a maior parte das companhias ainda está concentrada no esforço operacional. Mas o impacto mais relevante vem depois. "Esse desafio vai passar. Contudo, quando passar, as organizações vão estar num mundo completamente novo, com novas regras, e a maioria ainda não tem noção de como isso vai afetar o negócio delas", diz.
Por que essa ferramenta é diferente
O sistema importa os dados históricos da empresa, compras e vendas dos últimos cinco anos, e projeta, item a item, como será a tributação ao longo do período de transição.
Em vez de trabalhar com dados consolidados, a ferramenta analisa cada insumo individualmente, como incidência de imposto seletivo, reduções de alíquota e regras de credenciamento.
"A maioria das calculadoras disponíveis no mercado usa dados consolidados. A nossa parte de dados unitários. Como a gente faz item a item, a resposta é precisa. Consigo ver como vai ficar a tributação de cada parafuso que essa empresa comprou nos últimos cinco anos", afirma Souza.
O resultado é entregue em cerca de 30 dias, com apoio de tecnologia para processar o grande volume de dados e aplicar as regras previstas na legislação.
Diagnóstico, execução e governança
A partir da ferramenta, começa um processo em três etapas. Na primeira, a empresa recebe um diagnóstico detalhado que identifica riscos e oportunidades ao longo do período de transição, apontando onde é necessário agir para capturar ganhos ou evitar perdas.
Na segunda, esse diagnóstico se transforma em um plano de ação, chamado de playbook, que define as medidas a serem tomadas, os responsáveis por cada frente e os critérios de execução. Muitas empresas têm optado também pela implementação assistida.
Na terceira etapa, a solução passa a operar como uma rotina de governança, onde a empresa acompanha suas operações com base nas novas regras e realiza uma apuração paralela à do governo.
Para quem é e como contratar
Neste momento, a solução está sendo oferecida principalmente a empresas de maior porte. "A AG possui uma base de mais de 12 mil CNPJs atendidos em outros projetos tributários, e é nesse público que a estratégia comercial está concentrada", diz Farah.
A expectativa é que, ao longo do tempo, a demanda se amplie para empresas de médio porte e, posteriormente, para companhias menores, à medida que a pressão por adaptação às novas regras se intensifique ao longo da cadeia.
"Tem muita gente oferecendo soluções pontuais. Uma empresa cuida do cadastro, outra trabalha o crédito, outra trata dos incentivos fiscais. O que estamos propondo é cobrir do início ao fim, terceirizar a dor do cliente para nós", resume Souza.
Soluções do grupo
O principal negócio do grupo é a AG, empresa dedicada à análise de tributos sobre a folha de pagamento.
Na prática, a companhia revisa os últimos cinco anos de recolhimentos ao INSS, cruza dados com a legislação vigente e identifica valores que podem ser recuperados de forma legal.
A organização conta também com a AG Tax, focada em tributos não previdenciários, e com a Agnes, um software por assinatura que ajuda empresas a manter o compliance tributário em dia.
Com receita operacional líquida de R$ 143,5 milhões em 2024, crescimento de 21% em relação aos 12 meses anteriores, a AG Capital entrou no ranking EXAME Negócios em Expansão 2025, que reúne as empresas que mais crescem no Brasil.
O que é o ranking Negócios em Expansão
O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.
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Em 2025, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2024.
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