Relatório revela principal barreira à liderança feminina: o primeiro cargo de gestão
Enquanto o debate sobre a presença feminina nas empresas costuma olhar para o topo da pirâmide, um novo diagnóstico revela que o problema real começa muito antes. Segundo o relatório de 10 anos da pesquisa Women in the Workplace, realizado pela McKinsey & Company e LeanIn.Org, a maior barreira para a ascensão das mulheres não está na porta da diretoria, mas no primeiro passo rumo à gerência.
Este fenômeno chamado de Broken rung (degrau quebrado), é o principal responsável pela escassez de lideranças femininas no futuro. Se a base da escada está quebrada, o topo segue desequilibrado.
O Funil que favorece homens
De acordo com o estudo, para cada 100 homens promovidos de cargos iniciais para o primeiro nível de gerência, apenas 81 mulheres recebem a mesma oportunidade.
Com menos mulheres conseguindo o primeiro cargo de liderança, as opções de talentos femininos qualificados para promoções subsequentes diminui a cada nível hierárquico.
A pesquisa aponta que a estagnação no primeiro degrau não é uma questão de falta de ambição ou competência. Mulheres e homens entram no mercado com níveis semelhantes de desejo por crescimento, mas enfrentam critérios de avaliação distintos:
1. Potencial vs. performance
Homens são frequentemente promovidos com base no seu potencial (no que podem vir a fazer), enquanto mulheres precisam apresentar alta performance para serem consideradas prontas.
2. O Isolamento na base:
Sem o apoio de mentores e líderes que defendem projetos e apresentem seus nomes em reuniões de decisão, muitas mulheres talentosas tornam-se invisíveis nos níveis operacionais.
3. Micro agressões
Mulheres em cargos de entrada têm o dobro de chance de serem confundidas com alguém de cargo inferior ou de terem seu julgamento questionado em sua área de expertise, o que mina a confiança institucional para a promoção.
Uma década de estagnação
Embora os últimos dez anos tenham registrado um avanço visível no topo das corporações, com a presença feminina no C-level saltando de 17% para 29%, esses números escondem uma realidade estagnada na base da pirâmide.
O relatório da McKinsey revela um paradoxo, enquanto as empresas aprenderam a diversificar suas cúpulas, o índice para cargos de gerência inicial permanece estagnado desde 2015. Esse contraste sugere que o progresso no topo pode ser frágil, já que a estrutura que deveria alimentar o fluxo de futuras líderes continua falhando logo no primeiro passo da carreira.
Segundo o relatório, para que esse crescimento no alto escalão não seja apenas um movimento isolado, é necessário que as corporações passem a tratar a primeira promoção com o mesmo rigor estratégico e atenção que dedicam à sucessão de um CEO.
Como superar o “degrau quebrado”
A discussão sobre o “degrau quebrado” mostra que o desafio da equidade de gênero nas empresas não começa no topo — ele se constrói, ou se perde, nas primeiras decisões de carreira.
É justamente nesse ponto que a preparação estratégica faz diferença. Na masterclass gratuita do Na Prática com Claudia Elisa, a proposta é olhar para esse início de trajetória com mais método, clareza e protagonismo, traduzindo os obstáculos estruturais em caminhos concretos de avanço profissional.
Mais do que um diagnóstico, o encontro oferece uma leitura prática sobre como mulheres podem se posicionar melhor para a primeira promoção, ampliar visibilidade e navegar critérios muitas vezes implícitos dentro das organizações.
Antes de pensar no topo, é preciso destravar o primeiro passo — comece aqui.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: