Relembre o roubo histórico contra Kim Kardashian em Paris que vai virar docuserie
O assalto à mão armada contra Kim Kardashian em Paris, em 2016, vai ganhar uma docuserie inédita. Intitulada Kim, the Diamond and the Grandpa Robbers, a produção terá quatro episódios e é desenvolvida pela Pernel Media para o Canal+.
Segundo a revista Variety, a série revisita um dos crimes mais midiáticos da década com acesso a personagens centrais do caso, incluindo integrantes da quadrilha e advogados de defesa.
Kardashian, apesar de já ter exposto sua vida em realities como Keeping Up with the Kardashians, não participa do projeto.
Crime que chocou o mundo
O assalto ocorreu na madrugada de 3 de outubro de 2016, durante a Paris Fashion Week, no Hôtel de Pourtalès. Por volta das 3h, cinco homens armados, disfarçados de policiais, invadiram o prédio após renderem o concierge e o obrigarem a levá-los até o apartamento da empresária, que estava sozinha.
No quarto, os criminosos apontaram uma arma para Kardashian e exigiram suas joias, em especial o anel de diamante dado por Kanye West. Em seguida, ela foi amarrada com abraçadeiras plásticas, teve a boca amordaçada e foi trancada no banheiro.
Em depoimentos posteriores, Kardashian relatou que temeu ser estuprada e assassinada durante a ação. Ela afirmou que tentou manter a calma acreditando que essa seria sua única chance de sobreviver.
Os assaltantes fugiram levando um conjunto de joias avaliado entre 9 e 11 milhões de dólares — incluindo o anel de cerca de 20 quilates, estimado em até US$ 5 milhões. O crime é considerado o maior roubo contra uma pessoa física na França em mais de duas décadas.
Além do anel, foram levados colares, pulseiras, relógios e outros itens de alto valor, além de celulares da empresária — o que levantou preocupações sobre acesso a dados pessoais.
Apesar da magnitude do roubo, quase nenhum item foi recuperado. Apenas uma cruz de diamantes caiu durante a fuga e foi encontrada por um morador. Investigações indicam que grande parte das joias foi derretida e revendida no mercado ilegal, dificultando sua rastreabilidade.
Investigação e 'A Gangue dos Vovôs'
A investigação avançou a partir de provas de DNA coletadas no local, incluindo vestígios nas fitas usadas para amarrar Kardashian. As evidências levaram à identificação de suspeitos com histórico criminal na França.
Em janeiro de 2017, operações policiais resultaram na prisão de mais de uma dezena de pessoas. O grupo era formado majoritariamente por homens entre 50 e mais de 70 anos, o que levou a imprensa a apelidá-los de "A Gangue dos Vovôs" (Grandpa Robbers).
Entre os principais nomes apontados estava Aomar Aït Khedache, considerado o mentor do crime. Outro integrante, Yunis Abbas, chegou a admitir participação e, anos depois, publicou um livro, "J'ai séquestré Kim Kardashian" (Eu Sequestrei Kim Kardashian, em tradução livre) relatando sua versão do assalto.
Yunice Abbas: Ladrão de Kim Kardashian, posa durante uma sessão de retratos em Paris, França, em 2021 (Eric Fougere/Corbis/etty Images))
Julgamento quase uma década depois
Após quase nove anos de investigação, perícias e disputas judiciais, o caso chegou a julgamento em 2025 no Palais de Justice, com forte atenção da imprensa internacional. Ao todo, 10 réus — nove homens e uma mulher — responderam por acusações como roubo à mão armada e sequestro.
Kim Kardashian optou por depor presencialmente, detalhando por horas como foi rendida e o medo de não sair viva da situação, o que deu peso emocional ao processo. A acusação se apoiou principalmente em provas de DNA coletadas no local, além de confissões parciais de alguns envolvidos, para sustentar que o grupo atuou de forma organizada e premeditada.
O tribunal acabou condenando oito dos dez réus, incluindo o apontado mentor da ação, com penas que chegaram a cerca de uma década de prisão — em muitos casos parcialmente suspensas.
Dois acusados foram absolvidos por falta de provas. A decisão foi interpretada como equilibrada pelas autoridades francesas, ao reconhecer a gravidade do crime e o trauma da vítima, mas também considerar a idade avançada dos condenados e o tempo já cumprido em detenção preventiva.
Nenhum dos réus deixou o tribunal diretamente para a prisão, o que gerou debate sobre a proporcionalidade das penas em um caso de grande repercussão internacional.
As penas variaram, mas foram consideradas moderadas, em parte pela idade avançada dos envolvidos e pelo tempo já cumprido em prisão preventiva.
Ilustração durante o depoimento de Kim Kardashian no julgamento contra criminosos que roubaram a celebridade em 2026. (Benoit PEYRUCQ/AFP/Getty Images))
Impacto na vida e na exposição pública
O episódio teve efeitos duradouros na vida da empresária. Após o assalto, Kardashian ficou meses afastada das redes sociais e passou a adotar protocolos mais rígidos de segurança.
Ela também mudou a forma como compartilha sua rotina, evitando divulgar localização em tempo real ou exibir itens de alto valor — prática comum antes do crime e que, segundo investigadores, ajudou a quadrilha a mapear seus movimentos.
O caso passou a ser citado como um marco nos debates sobre riscos da hiperexposição digital.
Bastidores da docuserie
Dirigida por Agnès Buthion, a docuserie promete explorar o contraste entre a visibilidade global da vítima e a atuação de criminosos experientes em uma operação planejada.
A produção também aborda como o episódio ultrapassou o campo policial e se transformou em um fenômeno midiático global.
A estreia está prevista para 2027, com distribuição internacional.
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