Resultado da Nvidia reduz medo de desaceleração, diz especialista
Em um mercado que discute se a inteligência artificial pode inflar um “Produto Interno Bruto (PIB) fantasma”, há uma empresa que funciona como placar oficial do jogo.
Avaliada em cerca de US$ 4,7 trilhões na manhã desta quinta-feira, 26, a Nvidia divulgou seus resultados e colocou números concretos no centro de um debate dominado por cenários teóricos.
O quarto trimestre fiscal trouxe receita de US$ 68 bilhões, crescimento de 73% em relação ao ano anterior e margem bruta próxima de 75%. Para Celso Brandão, CEO e fundador da AVEX AI LAB, manter essa velocidade nesse porte já é um sinal relevante.
“Para uma empresa desse tamanho, sustentar esse ritmo é um feito. O ponto principal foi o guidance”, afirma.
O guidance e o teste de confiança
A Nvidia projetou cerca de US$ 78 bilhões em receita para o próximo trimestre, acima do consenso próximo de US$ 72 bilhões.
“O guidance tira o principal medo do mercado, que era uma desaceleração”, diz Brandão. “Ela entregou resultado e sinalizou continuidade da demanda.”
Ainda assim, a reação foi contida. As ações chegaram a cair até 1,5% durante a teleconferência com analistas e encerraram a noite praticamente estáveis. O desempenho indica que investidores querem mais do que superação de estimativas — buscam confirmação de que o ciclo é sustentável.
Demanda estrutural ou antecipação?
Uma das principais dúvidas é se o crescimento reflete expansão real ou antecipação excessiva de pedidos por parte das grandes empresas de tecnologia.
Segundo Brandão, os dados apontam para demanda estrutural.
“A Nvidia já depende majoritariamente de data center, mais de 90% da receita. Isso mostra que ela está no centro da infraestrutura de IA”, afirma.
Os hyperscalers ampliam capacidade para rodar modelos maiores e agentes mais autônomos, que consomem mais computação. Ajustes táticos podem ocorrer, mas o movimento atual ainda é de expansão.
Novo patamar, não normalização
Para o CEO da AVEX AI LAB, não há sinais de retorno a um ritmo anterior.
“Se esse nível de US$ 78 bilhões por trimestre se sustentar, estamos falando de uma base anual acima de US$ 300 bilhões. Isso não é normalização. É um novo patamar.”
A tese de que a IA agente ampliará o consumo de processamento reforça essa perspectiva.
O risco do excesso
O ciclo de investimentos, no entanto, é de magnitude inédita. As projeções indicam entre US$ 630 bilhões e US$ 700 bilhões em capex em 2026, com quase US$ 2 trilhões já aplicados até 2025.
“Risco sempre existe quando o capex cresce nessa magnitude”, afirma Brandão. “Se houver pressão de margem ou redução de investimento por falta de monetização, a Nvidia sente rápido.”
A exposição ao ciclo de data centers é elevada. Excesso de capacidade é um risco típico de infraestrutura.
Valuation sob escrutínio
Com valor de mercado de US$ 4,7 trilhões, a Nvidia passou de empresa de crescimento para infraestrutura central da economia digital.
“Nesse nível de valuation, o mercado exige execução consistente. Qualquer desaceleração mais forte ou avanço relevante de concorrentes pode gerar reprecificação.”
O preço atual pressupõe continuidade do ciclo de IA e manutenção da liderança tecnológica.
Ciclo saudável ou bolha?
Brandão acompanha cinco sinais para diferenciar expansão estrutural de bolha: crescimento real de receita nas empresas usuárias de IA, taxa de utilização dos data centers, evolução de margem dos hyperscalers, adoção concreta de agentes autônomos e diversificação da demanda além das grandes Big Techs.
“Bolha surge quando o investimento cresce, mas a geração de valor não acompanha. Ciclo saudável aparece quando a produtividade melhora de forma mensurável.”
Segundo ele, o mercado ainda está no meio da transição. A infraestrutura segue sendo construída em escala. A discussão agora não é se a IA cresce, mas se o retorno acompanhará a velocidade do investimento.
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