Resultado na Colômbia: Espriella, aliado de Bolsonaro, e Cepeda devem ir ao 2º turno

Por Rafael Balago 31 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Resultado na Colômbia: Espriella, aliado de Bolsonaro, e Cepeda devem ir ao 2º turno

Bogotá - Os candidatos Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda devem disputar o segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia, apontam os dados iniciais da apuração da votação, realizada neste domingo, 31.

Com 48% dos votos apurados, o resultado era o seguinte:

- Abelardo de la Espriella - 44% - Iván Cepeda - 41% - Paloma Valencia - 6%

O segundo turno está marcado para 21 de junho.

Cepeda, de 63 anos, é o candidato do presidente Gustavo Petro, o primeiro líder de esquerda a governar o país. Ele defende prosseguir com as reformas para aumentar direitos sociais, como o salário mínimo e o acesso à saúde.

Em 1994, seu pai, o deputado Manuel Cepeda, foi assassinado. Depois disso, ele se engajou na defesa dos direitos humanos e na busca por negociar a paz com guerrilheiros e grupos criminosos, uma estratégia que tem falhado nos últimos anos. Ele é senador desde 2014.

Espriella, de 47 anos, é advogado e empresário milionário. Ele disputa a primeira eleição e se apresenta como candidato antissistema e patriota.

Ele criou um movimento, chamado Defensores da Pátria, passou a se identificar como tigre e promete uma mão dura para resolver os problemas do país. Espriella tem apoio do senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Nas últimas semanas de campanha, Espriella cresceu nas pesquisas e se descolou de Paloma Valencia, a candidata da direita tradicional, criticada por não ter encontrado o tom da campanha.

"Ela tentou ser direita dura e centro amável ao mesmo tempo. Ser firme sem assustar", diz Rubén Erazo, analista e presidente da Associação Colombiana de Consultores Políticos (Acopol).

Segurança em primeiro plano

A segurança pública é um dos principais temas da eleição. Segundo pesquisa feita pela Invamer/Caracol Noticias, a segurança é a principal preocupação dos colombianos, citada por 40,8%.

A Colômbia vive sua maior onda de violência em uma década. Em 2025, 14 mil pessoas foram mortas no país. Segundo relatório da entidade Médicos Sem Fronteiras (MSF), 221 a cada 100.000 homens morrem assassinados, quase dez vezes a mais do que no Brasil, que tem taxas em torno de 24,5 homens para cada 100.000. A média mundial é de 8,8.

A campanha também foi marcada por um assassinato. No ano passado, o senador Miguel Uribe, pré-candidato à Presidência, foi morto a tiros ao sair de um evento em Bogotá.

Depois disso, os candidatos passaram a reforçar sua segurança. Abelardo de la Espriella, que está em segundo lugar nas pesquisas, tem feito comícios em uma caixa de vidro blindado e usa colete à prova de balas por cima da roupa em algumas ocasiões.

O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, afirmou que 408.000 agentes foram mobilizados em todo o país para garantir a segurança durante a eleição presidencial, além de aeronaves, navios, drones, antidrones e blindados.

"Fazer eleições na Colômbia não é o mesmo que fazê-las na Suíça. Existem riscos à democracia. Isso não deve ser ignorado", disse.

As propostas dos candidatos

Ao ser eleito, o atual presidente, Gustavo Petro, adotou uma estratégia chamada de "paz total", que previa negociações com grupos criminais e guerrilheiros que voltaram à ativa após o acordo de paz com as Farc, em 2016.

Cepeda quer seguir nos esforços de diálogo e defende que o crime seja combatido via desmonte de suas redes financeiras.

Já Espriella, defende medidas firmes, como construir megapresídios onde os presos se alimentem a "pão e água" e fiquem "dez andares debaixo da terra", bombardear acampamentos de narcotraficantes com aviões americanos e eliminar o tribunal surgido do acordo de paz.

"A segurança é a bandeira principal dos candidatos de oposição, em particular porque têm o argumento de que essa degradação da segurança se deve ao fracasso do programa de Paz Total de Petro", diz Yann Basset, professor de ciência política na Universidade de Rosário, em Bogotá, que estuda a política colombiana há 20 anos.

"Isso afeta diretamente Iván Cepeda como candidato, porque ele foi o cérebro e também a pessoa que colocou em marcha este programa de negociação que, efetivamente, não resultou em nenhuma desmobilização de nenhum grupo", prossegue. "É muito difícil para ele porque toda a sua vida política foi construída sobre a ideia de paz."

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