'Retirar tarifas de Trump será desafio no futuro', diz VP da Tax Foundation

Por Rafael Balago 15 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
'Retirar tarifas de Trump será desafio no futuro', diz VP da Tax Foundation

As tarifas de importação impostas pelo presidente Donald Trump deverão continuar sendo cobradas mesmo depois que ele deixar a Casa Branca, diz Jesse Solis, vice-presidente da Tax Foundation, entidade de Washington que estuda política fiscal e tem acompanhado os efeitos das novas taxas.

"O governo está preparando o terreno para reimpor tarifas adicionais por meio das Seções 301 e 232. É provável que o governo pretenda manter um nível mais alto de tarifas básicas do que o vigente antes de 2025", diz Solis, em entrevista à EXAME. "Pode ser um desafio para os futuros formuladores de políticas reverter completamente as tarifas mais altas."

Em 2024, antes de Trump, a taxa média de importação cobrada pelos EUA era de 2,5%. Após o tarifaço de abril de 2025, a média atingiu 7,7%. Atualmente, após a Suprema Corte derrubar parte das cobranças, a média passou para 5,6%, segundo a Tax Foundation.

Apesar das polêmicas, as tarifas aumentaram a arrecadação de impostos federais dos EUA. O total recebido com essas taxas, por mês, passou de US$ 6,3 bilhões, em dezembro de 2024, para US$ 26,6 bilhões em fevereiro de 2026, o que traz mais uma razão para que futuros presidentes evitem alterá-las. A gestão de Joe Biden, por exemplo, manteve taxas contra a China adotadas no primeiro governo Trump.

Quem paga a conta?

A Tax Foundation também tem acompanhado quem, de fato, tem pago as tarifas.

"Até o momento, a maioria dos estudos aponta para um alto nível de repasse tarifário, o que significa que as tarifas atravessam a fronteira e chegam aos preços de importação nos EUA. Quando isso ocorre, as tarifas reduzem a renda familiar, independentemente de serem totalmente repassadas aos preços de varejo", diz Sollis.

"Quando os preços de varejo aumentam, temos menos renda disponível após os impostos. Mas quando as empresas não conseguem repassar as tarifas, elas ainda reduzem a renda após os impostos, limitando contratações, crescimento salarial e investimentos. Portanto, independentemente de quanto as tarifas aumentem os preços de varejo, elas reduzem a renda familiar", avalia.

Efeitos de longo prazo

A vice-presidente aponta, ainda, que os EUA poderão ficar para trás no comércio global ao insistirem em cobrar taxas elevadas e pressionarem outros governos a fazerem concessões.

"As tarifas americanas estão no nível mais alto desde a década de 1940, o que, por si só, já representa uma grande mudança na política externa", diz Sollis.

"Se os EUA mantiverem tarifas elevadas enquanto o resto do mundo busca novos acordos de livre-comércio sem a participação americana, isso consolidará ainda mais a tendência de afastamento da abertura comercial. Mesmo que as tarifas sejam reduzidas em governos futuros, elas terão tido um impacto negativo e duradouro nas relações comerciais", afirma.

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