Riachuelo reverte perdas e lucra R$ 5 mi no 1º tri após 6 anos de prejuízo
A Riachuelo (RIAA3) iniciou 2026 sinalizando uma virada relevante em sua trajetória recente. Após adotar oficialmente a marca, substituindo o nome Guararapes, e trocar seu ticker na bolsa em fevereiro, a companhia abriu o ano revertendo um padrão que vinha se repetindo: o de prejuízos nos primeiros trimestres.
Depois de encerrar 2025 com o melhor resultado de sua série histórica, a varejista registrou lucro líquido de R$ 5 milhões entre janeiro e março deste ano, na contramão do prejuízo de R$ 26,7 milhões apurado no mesmo período de 2025, ainda que um pouco abaixo do lucro de R$ 322 milhões reportado no quarto trimestre do ano passado.
Entre os primeiros três meses de 2026, a companhia também registrou crescimento no Ebitda consolidado, que soma o lucro operacional, depreciação e amortização de todas as unidades e subsidiárias de um grupo empresarial, excluindo juros, impostos e efeitos não recorrente. O indicador financeiro encerrou com R$268 milhões, crescimento de 14,1% na comparação anual.
A margem Ebitda consolidada chegou a 11,5%, uma ligeira redução de 0,2 ponto percentual, uma vez que a margem no primeiro trimestre de 2025 havia sido de 11,7%.
Reversão no prejuízo foi impulsionada pelas vendas de vestuário
De acordo com a companhia, a reversão no prejuízo foi impulsionada pela evolução do core business de moda. As vendas de Vestuário em mesmas lojas (SSS), considerado a melhor medida de crescimento orgânico, avançou 10,1%, marcando o 11º trimestre consecutivo de alta.
Ao longo dos primeiros três meses do ano, a margem bruta de Vestuário atingiu 54,9%, com expansão de 1,2 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior. Com o resultado, esse foi o 10º trimestre consecutivo de avanço.
"Se você olhar a conta, estamos falando de um crescimento de receita combinado com ganho de margem. A margem do vestuário avançou 1,2 ponto percentual no trimestre e, em três anos, já acumula alta de 5,2 pontos. Quando você junta expansão de top line com melhora de margem, o resultado natural é o crescimento do lucro", afirmou à EXAME o CEO da Riachuelo, André Farber.
"Esse resultado está dentro do que planejamos, mas ainda vemos bastante espaço para avançar. Os estímulos e as estratégias que colocamos em prática têm mostrado boa resposta do negócio. Sair de prejuízo no primeiro trimestre para lucro faz parte desse processo de evolução, e a ideia é continuar melhorando daqui para frente", acrescentou.
A receita líquida da varejista totalizou R$2,3 bilhões, o que representa um aumento de 6,7% comparado ao primeiro trimestre de 2025. A Operação de Mercadorias também manteve trajetória positiva, com Ebitda de R$ 135 milhões, crescimento de 23,7% na comparação anual, com margem de 8,1%, alta de 1,1 ponto percentual, o melhor patamar para um 1° trimestre em nove anos, segundo a empresa.
A Midway, vertical de serviços financeiros da varejista, também avançou no período, com Ebitda de R$133 milhões, crescimento de 5,8% na comparação anual. De acordo com a companhia, a alta na rentabilidade é apoiada no crescimento da carteira e na gestão disciplinada de crédito em meio ao cenário de juros altos, com a Selic em 14,50% ao ano, apesar dos dois últimos cortes.
"Quando olhamos o cenário macroeconômico, vemos aumento do endividamento das famílias e da inadimplência. Nos nossos números, porém, o movimento é diferente. Temos conseguido operar bem nesse ambiente desafiador, tanto no desempenho da moda quanto na frente financeira", afirmou o CEO.
Farber também destaca que o desempenho da Riachuelo é impulsionado pelo fortalecimento da proposta de produto e pela maior conexão com o consumidor. No trimestre, a companhia avançou em coleções e colaborações, como a parceria com a Triya, no beachwear, e na evolução da experiência em loja, com destaque para a unidade do ParkShopping Barigüi, em Curitiba, recém-inaugurada.
Ao final de março, a dívida líquida da companhia era de R$ 1,1 bilhão, resultado em alavancagem, medida pela relação da dívida sobre o Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, de 0,7 vez. A Riachuelo encerrou o trimestre com um fluxo de caixa livre em R$ 299,5 milhões, uma queima em relação ao mesmo período do ano passado, quando registrou R$ 373,9 milhões.
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