Rio de Janeiro mapeia 600 startups e quer virar polo de IA
O Rio de Janeiro quer transformar a economia da cidade através da tecnologia. E, antes de tudo, resolveu mapear o que já existe para, aí, definir para onde vai.
O Panorama das Startups Cariocas, divulgado no Web Summit Rio 2026, mapeou aproximadamente 600 empresas na cidade do Rio de Janeiro.
O levantamento foi realizado pela Prefeitura do Rio e Riotur, em parceria com o Maravalley, utilizando dados da plataforma Zoox Eye.
Juntas, essas startups faturam entre R$ 5,3 e 5,8 bilhões por ano e empregam cerca de 15 mil pessoas, equivalendo a 1,3% do PIB da cidade.
“É um mapa bem completo, um dos mais completos que já tenhamos produzido na cidade”, disse Daniel Barros, CEO do Maravalley, destacando que os dados incluem idade das empresas, número de sócios, capital social médio, quantidade de funcionários e localização geográfica.
Onde estão as startups cariocas
O levantamento mostra que os setores mais representativos são Tecnologia da Informação (93 startups), Educação (49) e Saúde e Bem-Estar (48). Também se destacam Gestão e Consultoria (32) e Impacto Socioambiental (31), com presença adicional em comunicação, finanças, varejo, energia, agronegócio, turismo, mobilidade, logística, indústria e inteligência artificial.
“O Rio tem vocações estratégicas em Fintech, IA, Healthtech e Energia, e esses dados nos permitem planejar o desenvolvimento futuro do ecossistema”, afirmou Marcel Balassiano, Subsecretário Municipal de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro.
O Centro do Rio lidera como polo de concentração, com 127 startups, seguido por Barra da Tijuca (74), Botafogo (68), Santo Cristo (44) e Ipanema (35). Mais de 66% das startups estão a até 10 km do Porto Maravalley, com distância média de 8,8 km.
“O adensamento geográfico facilita o networking, a circulação de talentos e o acesso a investidores”, explicou Daniel Barros, destacando o papel do Maravalley como centro gravitacional do ecossistema.
A meta é criar 1.000 novas startups nos próximos anos, quase triplicando o número atual. O setor atualmente representa 1,3% do PIB, mas a expectativa é aumentar significativamente sua participação.
“Queremos transformar o Rio em uma referência global em inovação, ajudando as startups a escalar e atrair investimentos”, disse Marcel Balassiano.
Projeto Rio AI City
O Rio AI City será um megacomplexo de data centers de alta densidade na região do Parque Olímpico, Barra da Tijuca.
O projeto é liderado pela Elea Data Centers, com memorando de entendimento de 36 meses assinado entre a prefeitura, Elea e a CCPar. A prefeitura atua como parceira institucional e facilitadora, sem aporte financeiro direto.
O fundo I Squared Capital investiu US$ 550 milhões (cerca de R$ 2,86 bilhões) na primeira fase, e o ecossistema do Rio AI City pode atrair até US$ 65 bilhões em investimentos diretos e indiretos na próxima década.
A primeira fase terá 1,5 GW de capacidade, escalável para 3,2 GW até 2032, posicionando o complexo entre os dez maiores polos de data centers do mundo.
A energia será 100% renovável e certificada, com fachadas sustentáveis e refrigeração sem uso de água. A proximidade com cabos submarinos reforça a conectividade do hub.
“O Rio se posicionou para se tornar um polo de IA e estamos criando as condições para atrair grandes players e formar talentos locais”, disse Daniel Barros.
O impacto no turismo de negócios
O ecossistema de startups do Rio também influencia o turismo. O Web Summit Rio contribuiu para alta ocupação em maio, tradicionalmente baixa temporada, aumentando o fluxo de visitantes e fortalecendo a cidade como destino de negócios e inovação.
“Agora maio registra fluxo intenso de visitantes, com mais de 2 milhões de turistas nacionais e internacionais”, afirmou Daniel Barros, destacando a conexão entre inovação e turismo.
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