Rio Open começa sem top 10 e aposta em João Fonseca como principal estrela
O Rio Open inicia a chave principal nesta segunda-feira, 15, com um cenário inédito em sua história: pela primeira vez, o torneio não contará com nenhum jogador do top 10 do ranking da ATP, associação que organiza o circuito mundial masculino. Consolidado desde 2014 como principal evento da América do Sul, o campeonato terá como principal nome o carioca João Fonseca, terceiro cabeça de chave e atual 33º do mundo.
Aos 19 anos, Fonseca assume o posto de protagonista em um momento de transição do evento. Todos os ingressos para os jogos do brasileiro na quadra Guga Kuerten estão esgotados, reforçando a estratégia da organização de apostar no carisma e na ascensão do jovem tenista para manter o interesse do público.
A ausência mais sentida é a do italiano Lorenzo Musetti, número 5 do ranking, que desistiu após lesão muscular sofrida no Australian Open, um dos quatro torneios do Grand Slam. O francês Gael Monfils, em temporada de despedida, também deixou a lista. Sem eles, o argentino Francisco Cerúndolo (19º) lidera a chave, seguido pelo italiano Luciano Darderi (23º).
A diferença de nível entre as chaves do Rio e de Doha, no Catar, expõe uma mudança no tabuleiro do calendário. O torneio do Oriente Médio foi elevado a categoria ATP 500 em 2025 — selo que garante mais pontos no ranking e maior atratividade esportiva — e ocorre na mesma semana do evento carioca. Em Doha, quatro jogadores do top 10 confirmaram presença: Carlos Alcaraz, Jannik Sinner, Félix Auger-Aliassime e Alexander Bublik.
O campeão em Doha receberá cerca de US$ 530 mil (R$ 2,6 milhões), ante US$ 461 mil (R$ 2,4 milhões) pagos no Rio. Embora a diferença de premiação não seja substancial, o poder financeiro do Catar amplia a margem para negociação de cachês, prática comum no circuito para assegurar a presença de estrelas.
Calendário e piso pesam na decisão dos atletas
Além da questão financeira, o calendário é determinante. Doha é disputado em quadra dura, mesmo piso de Dubai e Acapulco, torneios que antecedem o Masters 1000 de Indian Wells, na Califórnia — um dos nove eventos mais importantes da temporada após os Grand Slams. Para jogadores que priorizam desempenho em quadra rápida, manter a sequência no mesmo piso reduz desgaste e facilita a adaptação.
O Rio Open integra a gira sul-americana de saibro, entre torneios ATP 250 na Argentina e no Chile. A escolha pela terra batida exige planejamento específico, sobretudo em um momento do calendário em que a maioria dos principais nomes já direciona a preparação para a temporada norte-americana.
Desde a estreia, o Rio contou com ao menos um top 10 por edição — Rafael Nadal em três oportunidades, Dominic Thiem em quatro, além de Carlos Alcaraz, Alexander Zverev e Matteo Berrettini em momentos distintos. A quebra dessa sequência ocorre em meio a uma reorganização global do circuito, que deve ganhar um novo Masters 1000 na Arábia Saudita a partir de 2028, movimento que pode pressionar ainda mais a gira sul-americana.
Dentro de quadra, a organização aposta no protagonismo nacional. Além de João Fonseca, o Brasil terá João Lucas Reis, Gustavo Heide — que herdou vaga de Thiago Wild, lesionado — e Guto Miguel, de 16 anos, beneficiado por wild card, convite da organização. Nas duplas, destaque para a parceria entre Marcelo Melo e o próprio Fonseca.
Sem estrelas do topo do ranking, o Rio Open testa sua capacidade de mobilização com base em nomes locais e na experiência do evento. O torneio mantém a estrutura ampliada de hospitalidade, ativações comerciais e recursos tecnológicos, mas enfrenta um ambiente competitivo cada vez mais influenciado por calendário e investimentos internacionais.
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