Rival da Zara: conheça a Mango, marca espanhola que se tornou uma das maiores do mundo

Por Gustavo Frank 20 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Rival da Zara: conheça a Mango, marca espanhola que se tornou uma das maiores do mundo

Na manhã desta terça-feira, 19, a polícia catalã prendeu Jonathan Andic, 45, filho do fundador da Mango, suspeito de ter empurrado o pai numa ravina de 150 metros durante uma caminhada em Montserrat, em dezembro de 2024. Isak Andic morreu no local. O caso havia sido arquivado por falta de provas em janeiro de 2025 e reaberto em outubro do mesmo ano, após inconsistências no depoimento do filho. A marca não se pronunciou sobre a prisão.

Para quem acompanha moda, a Mango é uma presença constante nas vitrines europeias e uma das marcas mais bem posicionadas no segmento que a indústria chama de mid-market: nem fast fashion, nem luxo.

A primeira loja abriu no centro de Barcelona em 1984, com um conceito então raro na Espanha: moda feminina com identidade visual forte e preços acessíveis. Em dez anos, já tinha 100 lojas no país. Em 1992, chegou a Portugal. Hoje tem 2.931 pontos de venda em mais de 120 países.

A Mango tem investido numa identidade mais editorial, com coleções que dialogam com a alfaiataria mediterrânea e silhuetas que remetem à moda europeia dos anos 1990 e 2000 (Divulgação)

O percurso não foi linear. Em 2016, a empresa acumulava 618 milhões de euros em dívida e prejuízo de 61 milhões de euros. A expansão rápida das décadas anteriores havia criado uma estrutura de custos insustentável e uma identidade de produto que havia se perdido no caminho. A retomada veio com a chegada de Toni Ruiz como CFO em 2015 e sua ascensão a CEO em 2020. A estratégia foi voltar ao produto, que era o que havia dado origem à Mango em 1984. Em 2025, a empresa registrou receita de 3,76 bilhões de euros, crescimento de 13% em relação ao ano anterior, e lucro líquido de 242 milhões de euros. A dívida caiu para 78 milhões de euros.

Do ponto de vista de moda, a Mango ocupa um espaço que a Zara também disputa, mas com um posicionamento ligeiramente mais elevado. Enquanto a Inditex aposta na velocidade e na replicação de tendências, a Mango tem investido numa identidade mais editorial, com coleções que dialogam com a alfaiataria mediterrânea, o linho, o cetim e silhuetas que remetem à moda europeia dos anos 1990 e 2000.

A linha premium, disponível em lojas selecionadas na Espanha e no site internacional, usa fibras naturais e acabamentos mais cuidados, com vestidos slip em cetim, blazers oversized e alfaiataria feminina como carros-chefe. A paleta da marca tende ao neutro, ao tom sobre tom e às cores primárias em materiais texturizados, numa proposta que conversa mais com o guarda-roupa europeu do que com o fast fashion de rotatividade semanal.

A alfaiataria feminina é um dos carros-chefe da Mango, que tem investido em peças com acabamento mais cuidado e materiais como linho e cetim para se diferenciar do fast fashion tradicional (Divulgação)

Nos Estados Unidos, a Mango tem 63 lojas, sendo 50 abertas nos últimos 18 meses. A expansão foi apoiada numa parceria com a Nordstrom, que, além de abrir pontos de venda, ajudou a marca a adaptar o sortimento para o consumidor americano. No mercado digital, o canal online responde por 32% das vendas totais. No Brasil, é vendida pela Dafiti.

A morte de Isak Andic, em dezembro de 2024, foi o primeiro grande teste para a empresa sem o fundador. Ruiz apresentou os resultados de 2025 com uma frase que resume o momento: "2025 foi um ano muito exigente, o primeiro sem nosso fundador, mas alcançamos resultados recordes." A meta para 2026 é chegar a 4 bilhões de euros em receita.

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