Road Show Negócios em Expansão celebra o empreenderismo gaúcho na véspera do South Summit

Por Leo Branco 26 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Road Show Negócios em Expansão celebra o empreenderismo gaúcho na véspera do South Summit

Porto Alegre concentra nesta semana uma sequência de eventos que colocam a cidade no centro das discussões sobre inovação e crescimento no país.

A partir desta quarta-feira, 25, o South Summit Brazil reúne milhares de empreendedores, investidores e executivos no Cais Mauá. Criado em 2012, em Madri, o evento é um dos principais pontos de encontro de startups e investidores.

Em 2025, mesmo após as enchentes que atingiram o estado no ano anterior, o South Summit foi mantido e reuniu mais de 24 mil pessoas.

Neste ano, a expectativa dos organizadores é de um número recorde de participantes. Nesse contexto, na véspera do South Summit Brazil, a EXAME levou à capital gaúcha a primeira edição local do Road Show Negócios em Expansão (NEEX), caravana de eventos para dar visibilidade ao ranking Negócios em Expansão, maior prêmio para empreendedores do Brasil.

O encontro da EXAME reuniu empresários, executivos e investidores para discutir crédito, expansão e estratégia.

No palco, lideranças de empresas gaúchas como Argenta, Panvel, Melnick, Fruki e Reiter Log contaram suas conquistas e desafios para uma plateia de mais de 200 lideranças empresariais e do ecossistema gaúcho de startups.

“O empreendedor precisa ter fluxo de caixa para conseguir pagar e dormir bem à noite”, foi uma das mensagens do painel sobre crédito, que destacou o papel de programas de garantia e do BNDES no acesso a capital para pequenas e médias empresas.

Com juros elevados e crédito mais seletivo, a expansão exige mais planejamento. E isso apareceu em praticamente todos os debates.

Essa edição conta com o patrocínio do BTG Pactual Empresas e do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Essa edição também tem o apoio do South Summit Brazil, CDL Porto Alegre e Garbo Enologia Criativa.

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Crédito, juros e o custo de crescer

O cenário macro foi um dos pontos centrais do evento. Em um ambiente de taxas na casa de dois dígitos, decisões de investimento passaram a exigir mais disciplina.

Empresas em crescimento lidam com um desafio recorrente: o descompasso entre receita e caixa. Ao vender mais, muitas acabam pressionando o capital de giro. Por isso, o uso de crédito precisa estar alinhado à operação.

Outro ponto destacado foi a importância de entender a fase do negócio para escolher a fonte de capital — de investidores iniciais até financiamento para expansão estrutural.

Além disso, o papel do networking apareceu como ferramenta prática para tomada de decisão. Em um ambiente em que o empreendedor concentra decisões, a troca com outros empresários ajuda a reduzir erros e antecipar riscos.

No painel sobre crédito para PMEs, Gabriel Motomura, sócio do BTG Pactual Empresas, destacou que pequenas e médias empresas brasileiras operam há anos em um ambiente de instabilidade e, por isso, desenvolveram capacidade de adaptação.

Segundo ele, esse contexto cria oportunidades para quem consegue executar bem no dia a dia. “As decisões mais importantes não acontecem em conselhos, mas no chão de fábrica e no balcão”, disse.

Motomura também apontou que o acesso a crédito evoluiu com a criação de fundos de garantia, principalmente via BNDES, o que reduziu uma das principais barreiras do setor: a falta de garantias para empréstimos.

Lucas Amorim (EXAME), Neco Argenta (Argenta), Júlio Mottin Neto (Panvel) e Leandro Melnick (Melnick): lições das gigantes gaúchas (Eduardo Frazão/Exame)

Gigantes gaúchas e a lógica da expansão

Nos painéis com grandes empresas gaúchas, o foco esteve na construção de longo prazo e nas decisões que sustentam crescimento fora do estado.

Na Argenta, uma das principais redes de postos de gasolina do país cujo faturamento deve chegar a R$ 30 bilhões em 2026, a expansão aconteceu em etapas.

“O caminho se faz caminhando”, afirmou o presidente Neco Argenta. A operação hoje combina distribuição nacional de combustíveis com varejo concentrado no Sul.

Na Panvel, o crescimento foi orgânico, baseado em capilaridade e logística. A rede soma centenas de lojas na região Sul e iniciou a entrada em São Paulo. “Para romper fronteiras, você precisa ter uma proposta de valor clara”, disse o CEO Julio Mottin Neto.

Já a Melnick, do setor imobiliário, adotou um modelo que combina incorporação local com investimentos em outras regiões.

O desafio, segundo o CEO Leandro Melnick, é lidar com a imprevisibilidade dos ciclos econômicos. “A gente não está apostando em acertar o ciclo, mas em estar preparado para qualquer cenário”, afirmou.

Rumo ao bilhão: crescer com margem virou prioridade

Entre as empresas em fase de escala, o discurso foi mais direto. Crescimento sem resultado perdeu espaço.

“Faturamento é ego”, disse Luiz Porciuncula, fundador da Rede Marketplace. “O que importa é resultado.”

Em mercados com competição intensa, como varejo digital e logística, margens apertadas exigem eficiência operacional. Na Rede Marketplace, a adoção de tecnologia permitiu crescer cerca de 50% ao ano sem aumento proporcional de custos. “Tecnologia deixou de ser diferencial. Virou obrigação”, afirmou.

Na Reiter Log, a aposta foi em sustentabilidade como nova frente de receita. Hoje, 30% do faturamento vem de soluções ligadas à frota verde, movimento iniciado com um investimento de mais de 150 milhões de reais.

A Fruki, empresa centenária de bebidas, também apareceu como exemplo de expansão recente. A companhia cresceu 150% em quatro anos e atingiu R$ 1 bilhão em receita.

Um dado resume a estratégia: 25% do faturamento veio de produtos lançados nos últimos dois anos.

“Não existe crescimento sustentável sem disciplina”, afirmou a CEO Aline Eggers Bagatini.

Execução, caixa e realidade

Monique Evelle: "A confiança vem antes da venda" (Eduardo Frazão/Divulgação)

Na palestra de encerramento, a investidora Monique Evelle, um dos principais nomes do venture capital no Brasil, trouxe o debate para o nível mais básico da operação: resultado.

“Zero vezes 1 milhão é zero”, disse, ao falar sobre empresas que buscam valuation sem faturamento. “Inovação é fazer funcionar.”

A fala reforça um ponto recorrente ao longo do evento: a diferença entre narrativa e entrega. Segundo ela, visibilidade não garante receita. “A confiança vem antes da venda”, afirmou.

Outro alerta foi sobre o uso do tempo. “A gente gasta energia no que é legal fazer e deixa de lado o que precisa ser feito”, disse, citando tarefas como controle financeiro e gestão de caixa.

Ao longo de um dia de discussões, a mensagem que ficou é que crescer no Brasil continua possível — mas exige mais disciplina, mais clareza e menos margem para erro.

Em uma semana em que Porto Alegre recebe investidores e startups do mundo todo, o recado vindo do palco do NEEX foi mais direto: antes de escalar, é preciso fazer a operação funcionar.

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