Rodrigo Bacellar é preso novamente pela Polícia Federal por ordem de Moraes
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira, 27, a prisão do ex-deputado Rodrigo Bacellar, parlamentar que havia sido afastado por decisão da Corte e posteriormente cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A ordem foi cumprida pela Polícia Federal (PF), no âmbito da ADPF 635/RJ, conhecida como ADPF das Favelas.
A prisão foi realizada em Teresópolis, com encaminhamento do ex-deputado à Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Após os procedimentos iniciais, ele será transferido ao sistema prisional estadual, onde ficará à disposição da Justiça.
Segundo a PF, o mandado foi executado no fim da tarde, dentro da Operação Unha e Carne III. Bacellar já havia sido detido em dezembro de 2025, em investigação sobre supostos vazamentos de informações relacionadas a uma operação contra o Comando Vermelho.
O caso está inserido em uma apuração mais ampla conduzida pela Polícia Federal sobre possíveis crimes envolvendo agentes públicos e integrantes do Judiciário e da política fluminense.
Relatório da PF e desdobramentos da investigação
Em 28 de janeiro, a Polícia Federal encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, o relatório final da investigação. O documento trata de suspeitas envolvendo Rodrigo Bacellar, o desembargador do TRF-2 Macário Judice e o ex-deputado estadual Thiego Santos, conhecido como TH Jóias, entre outros investigados.
O relatório é assinado pelo delegado Guilherme Catramby e descreve a atuação atribuída ao ex-deputado. No documento, consta: “Constatou-se que o maior ativo de Rodrigo Bacellar é a sua capacidade de articulação espúria em todos os poderes fluminenses, a ponto de conseguir o atendimento de favores e contraprestações que colocam os pedintes em posição de gratidão e vulnerabilidade”.
Também foram indiciados Jéssica de Oliveira Santos e Thárcio Nascimento Salgado, respectivamente mulher e ex-assessor de TH Jóias, além de Flávia Ferraço Lopes Judice, mulher de Macário Judice. O desembargador não foi indiciado em razão do cargo, e os autos relacionados a ele foram encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR), conforme prevê a legislação.
Rodrigo Bacellar havia sido eleito por unanimidade para a presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e era citado como possível candidato ao governo estadual. Em 3 de dezembro de 2025, foi preso por determinação do STF, acusado de envolvimento no vazamento de informações sobre operação policial que, em setembro do mesmo ano, resultou na prisão de TH Jóias, apontado como integrante do Comando Vermelho.
A "Operação Unha e Carne" foi descrita como desdobramento da "Operação Zargun", que teve como alvo o mesmo grupo. O relatório da PF atribui a Bacellar a “liderança do núcleo político da organização criminosa em análise”.
Em 8 de dezembro, a Alerj aprovou a revogação da prisão do então presidente da Casa. Na ocasião, o ministro Alexandre de Moraes concedeu liberdade provisória, com imposição de medidas cautelares, como o afastamento do cargo e o uso de tornozeleira eletrônica.
O relatório da PF também aponta possível relação entre a votação na Alerj — com 42 votos favoráveis, 21 contrários e duas abstenções — e a distribuição de cargos públicos. A análise de um computador apreendido no gabinete de Rui Carvalho Bulhões Junior, chefe de gabinete de Bacellar, identificou planilhas que, segundo os investigadores, indicam essa relação.
*Com informações da Agência O Globo.
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