Roland Garros aplica multa recorde após fala machista contra árbitra brasileira
O tenista paraguaio Daniel Vallejo recebeu a maior multa da história de Roland Garros após fazer comentários considerados machistas contra a árbitra brasileira Ana Carvalho durante o Grand Slam disputado em Paris.
A organização do torneio anunciou uma punição de 65 mil euros, o equivalente a cerca de R$ 381 mil.
O valor representa metade da premiação conquistada por Vallejo em sua campanha no torneio, na qual chegou à segunda rodada e garantiu 130 mil euros em premiação.
Derrota para Kouame
A punição foi aplicada após declarações do paraguaio depois da derrota para o francês Moise Kouame, em uma partida decidida no tie-break do quinto set. Incomodado com a condução do jogo, Vallejo afirmou que o confronto deveria ter sido arbitrado por um homem, alegando que Ana Carvalho não conseguiu controlar a pressão exercida pela torcida francesa.
Em comunicado, Roland Garros repudiou as declarações do atleta. Pouco depois da manifestação oficial do torneio, Vallejo pediu desculpas.
A diretora de Roland Garros, a ex-tenista Amélie Mauresmo, classificou os comentários como inaceitáveis e confirmou a punição histórica.
“Foi decidido aplicar uma multa de 65 mil euros, mais ou menos metade do seu prêmio em dinheiro. Claramente, isso é algo que, para nós, não é aceitável, nem para o torneio, nem para a federação [francesa], nem mesmo além do torneio. Esse tipo de comentário é inadequado”, afirmou.
A árbitra brasileira Ana Carvalho ajuda o francês Moise Kouame a se levantar após ele cair na quadra durante a partida de simples masculina contra o paraguaio Adolfo Daniel Vallejo (Dimitar Dilkoff / AFP)
A reclamação do paraguaio estava relacionada ao tempo utilizado por Kouame entre os pontos. No tênis, os jogadores têm direito a até 25 segundos para sacar, com contagem regressiva exibida no placar. Os árbitros, porém, podem usar seu critério para iniciar a contagem em situações de barulho excessivo da torcida.
A presença feminina na arbitragem do tênis profissional é consolidada há décadas. Em 2007, a francesa Sandra de Jenken tornou-se a primeira mulher a comandar uma final masculina de Grand Slam. Antes disso, árbitras já atuavam regularmente em partidas masculinas e femininas nos principais torneios do mundo.
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