Rússia diz que drone ucraniano atingiu maior usina nuclear da Europa
A estatal nuclear russa Rosatom afirmou neste sábado, 30, que um drone ucraniano atingiu a usina nuclear de Zaporíjia, a maior da Europa e atualmente controlada por Moscou. Segundo a empresa, a explosão não danificou equipamentos essenciais da instalação, mas abriu um buraco na parede da sala de turbinas da Unidade de Energia nº 6.
“Na tarde de hoje, um drone de combate kamikaze ucraniano atingiu o prédio da sala de turbinas da Unidade de Energia nº 6, resultando em uma detonação subsequente”, disse o presidente da Rosatom, Alexei Likhachev, em comunicado.
De acordo com Likhachev, os principais equipamentos da usina não foram afetados. Ainda assim, ele classificou o episódio como “deliberado” e alertou para o risco de um incidente nuclear em meio à guerra.
A Ucrânia não havia comentado imediatamente a acusação russa.
A usina de Zaporíjia fica no sudeste da Ucrânia, perto da linha de frente do conflito, e foi capturada por forças russas em março de 2022. Desde então, a instalação tem sido motivo de preocupação para organismos internacionais por causa de ataques recorrentes, troca de acusações entre Moscou e Kiev e riscos à segurança nuclear.
A Agência Internacional de Energia Atômica, órgão da ONU, já havia alertado em episódios anteriores para a necessidade de máxima contenção militar perto de instalações nucleares. No início de maio, a agência informou que drones danificaram equipamentos de monitoramento meteorológico na usina, que está sob controle russo e não produz eletricidade atualmente.
Risco nuclear volta ao centro da guerra
O novo incidente reacende temores sobre a segurança da maior usina nuclear da Europa. Embora a Rosatom afirme que não houve dano aos equipamentos principais, qualquer ataque em área sensível da instalação aumenta a preocupação com um acidente de grandes proporções.
“Estamos um passo mais perto de um incidente que muito provavelmente afetará até mesmo aqueles que vivem muito além das fronteiras da Rússia e da Ucrânia”, disse Likhachev.
Desde o início da guerra, Moscou e Kiev se acusam mutuamente de colocar a usina em risco. A localização de Zaporíjia, próxima à linha de frente, transformou a instalação em um dos pontos mais sensíveis do conflito.
Drone atinge prédio na Romênia
A acusação russa contra a Ucrânia ocorre um dia depois de a Romênia, país membro da Otan, afirmar que um drone russo atingiu um prédio residencial e deixou dois feridos. Segundo autoridades romenas, foi a primeira vez desde o início da invasão russa da Ucrânia que um drone atingiu um edifício civil no país.
A Romênia já havia registrado diversas incursões de drones ligados a ataques russos contra portos ucranianos no rio Danúbio, região que marca parte da fronteira entre os dois países. Até então, porém, não havia relato de feridos ou de impacto direto contra um prédio residencial.
O episódio provocou reação da Otan. O secretário-geral da aliança, Mark Rutte, afirmou que o “comportamento irresponsável da Rússia” representa um perigo para todos e disse que a organização defenderá o território de seus integrantes.
O presidente russo, Vladimir Putin, disse ter sido informado sobre o caso na Romênia, mas questionou se o drone pertencia às forças russas. Ele sugeriu que o equipamento poderia ser ucraniano, afirmando que drones de Kiev já teriam voado anteriormente em direção à Polônia e aos Estados bálticos.
Guerra entra em nova fase de pressão
O ataque relatado em Zaporíjia ocorre em meio a uma escalada de ataques com drones e mísseis. A Rússia realizou uma série de bombardeios contra cidades ucranianas nos últimos dias, enquanto Kiev intensificou ataques contra infraestrutura energética e militar em áreas ocupadas ou dentro do território russo.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alertou que Moscou pode estar preparando uma nova ofensiva de grande escala e voltou a pedir reforços de defesa aérea aos Estados Unidos e aliados europeus.
A combinação de ataques perto de instalações nucleares, drones atingindo território de países da Otan e bombardeios em larga escala aumenta o temor de que a guerra ultrapasse novos limites de risco.
Por que Zaporíjia preocupa?
A usina nuclear de Zaporíjia é a maior da Europa. Embora seus reatores estejam desligados, a instalação ainda exige sistemas de segurança, monitoramento e resfriamento para evitar acidentes.
Por isso, ataques em seu entorno ou em áreas da estrutura industrial da planta são tratados como ameaça séria por especialistas e organismos internacionais. A principal preocupação é que danos a sistemas auxiliares, linhas de energia ou equipamentos de segurança possam comprometer a estabilidade da instalação.
O novo episódio reforça a pressão sobre a Agência Internacional de Energia Atômica e sobre governos ocidentais para ampliar a vigilância em torno da usina. Também deve aprofundar a disputa de versões entre Rússia e Ucrânia sobre quem é responsável pelos riscos à segurança nuclear na região.
Até o momento, não há confirmação independente de que o drone tenha sido lançado pela Ucrânia, nem relato de liberação de radiação ou dano aos equipamentos nucleares principais.
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