'Sabor tadala': a empresa de energético do interior de SC que desafia gigantes
A lata de energético sabor 'tadala', nome que virou gíria e tendência do último Carnaval, saiu de uma fábrica em Tubarão, cidade de 115 mil habitantes no sul de Santa Catarina.
A Baly Brasil, criada no interior catarinense, fechou 2025 como líder de vendas de energéticos no país. Segundo a companhia, em dezembro, superou as gigantes Red Bull e Monster em volume de venda.
A virada acontece no momento em que a companhia amplia fábricas, compra terrenos industriais e transforma lançamentos virais — como o energético sabor “tadala” — em ferramenta de disputa estratégica.
Em 25 dias, o produto recebeu pedidos de 23 milhões de unidades.
“Tivemos recordes de pedidos de venda, picos históricos de engajamento digital e um movimento espontâneo do consumidor nas lojas que confirma a força da estratégia”, afirma Dayane Titon Cardoso, diretora comercial e de marketing da Baly.
Agora, a empresa tenta sustentar a liderança em um setor concentrado e ampliar estrutura para crescer mais rápido que o mercado.
De fabricante de cachaça à líder em energético
Fundada em 1997 por Mário e Jânio Cardoso, a empresa começou como fabricante de cachaças e vinhos. A virada veio em 2009, quando entrou no mercado de energéticos.
Naquele Carnaval, a aposta foi lançar a bebida em embalagens PET, num mercado ainda dominado por latas.
“A chegada das garrafas PET às prateleiras democratizou a bebida entre novos consumidores, especialmente nos grupos de amigos e famílias”, afirma Dayane.
O energético virou o carro-chefe. As bebidas alcoólicas ficaram em segundo plano até 2017, quando a empresa voltou ao segmento com uma linha de cervejas.
Como a Baly superou as multinacionais
Entre 2022 e 2025, a Baly cresceu 42%, o dobro do avanço do mercado brasileiro de energéticos, que foi de 21% no mesmo período, segundo dados da NielsenIQ.
Em 2025, liderou o mercado em volume de vendas em quatro meses — março, abril, julho e dezembro — e fechou o ano com 34,9% de participação, contra 30,3% da Monster, segundo dados da ScannShare, da Scanntech, enviados pela Baly.
A estratégia combina três pilares: portfólio amplo de sabores, produção nacional com distribuição capilar e proximidade com o ponto de venda.
“A produção nacional nos dá agilidade e preço competitivo. Isso democratizou o consumo de energético e permitiu que a gente atendesse uma demanda que as grandes marcas não olhavam”, afirma Dayane.
Enquanto Red Bull e Monster concentravam esforços em poucos sabores, a Baly ampliou o leque.
Hoje, são mais de 30 versões, nove delas sem açúcar. Sabores como maçã verde nasceram da demanda de bares e bartenders, segundo a empresa.
“Valorizamos muito onde o produto está”, afirma Dayane. “Estamos gastando bastante sola de sapato para saber o máximo de necessidade que o cliente tem, e o ponto de venda dá muitas informações, da necessidade às ausências.”
O Baly “tadala” sintetiza a lógica da empresa: captar códigos culturais e transformar em produto.
Nova fábrica e expansão logística
A liderança veio acompanhada de expansão física.
A empresa anunciou em janeiro a aquisição de um parque industrial de 500.000 metros quadrados em Araranguá, no sul de Santa Catarina, com 100.000 metros quadrados de área construída. A estrutura, comprada da Alliance One Brasil, será usada para ampliar capacidade e lançar novas categorias.
“A Baly conquistou relevância no mercado brasileiro e internacional, e isso carrega uma responsabilidade enorme”, afirma Jânio Nandi Cardoso, diretor da empresa. “Crescer nesse ritmo significa gerar empregos, movimentar economias locais e mostrar que uma empresa nacional pode competir e liderar frente às multinacionais.”
A nova unidade será a quarta fábrica da companhia.
Em setembro de 2025, a empresa já havia adquirido as instalações da Itagres Revestimentos Cerâmicos para reforçar a operação logística.
“Com estrutura moderna e mais eficiente, o novo parque fabril nasce para sustentar algo que poucos conseguem: crescer mais rápido que o mercado e manter a liderança”, afirma Mário Júnior Cardoso, diretor de operações.
Atualmente, a Baly soma mais de 5.000 empregos diretos e indiretos.
O desafio de sustentar a liderança
Se crescer exige inovação, manter a liderança exige escala e eficiência.
O mercado de energéticos no Brasil continua em expansão, mas tende à concentração. Multinacionais operam com cadeias globais, contratos internacionais de patrocínio e poder de marca consolidado.
Para seguir no topo, a Baly precisa ampliar capacidade sem perder margem, manter ritmo de lançamentos e sustentar presença nos pontos de venda.
“A liderança é só o começo de uma nova fase. Crescer exige decisões rápidas, planejamento de longo prazo e coragem de seguir fazendo diferente”, afirma Dayane.
A empresa que nasceu no interior agora disputa espaço com gigantes globais. O desafio deixou de ser chamar atenção. É permanecer no topo.
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