Saída de Reed Hastings derruba ações da Netflix em 9%

Por Luiza Vilela 17 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Saída de Reed Hastings derruba ações da Netflix em 9%

Nem mesmo um lucro líquido de US$ 5,28 bilhões — quase o dobro do registrado no ano anterior — foi suficiente para empolgar Wall Street. As ações da Netflix (NFLX) recuavam cerca de 9% nas negociações após o fechamento do mercado nesta quinta-feira, 16.

O movimento de queda ocorre logo após a companhia divulgar seu balanço do primeiro trimestre de 2026, marcado por números inflados pela multa de rescisão da Warner Bros. Discovery e pelo anúncio de que o cofundador Reed Hastings deixará definitivamente o conselho de administração em junho.

Embora a receita de US$ 12,25 bilhões tenha superado as expectativas dos analistas (US$ 12,18 bi), o mercado reagiu com cautela ao lucro por ação (EPS) de US$ 1,23. O valor, embora alto, não é considerado "limpo" pelos investidores, já que inclui os US$ 2,8 bilhões recebidos após a desistência da compra dos ativos da Warner.

Sem esse aporte extraordinário, o foco dos acionistas voltou-se para as projeções de crescimento orgânico e para a vacância de liderança histórica que a saída de Hastings representa.

O fim definitivo da "Era Hastings"

A saída de Reed Hastings do conselho encerra um ciclo iniciado na fundação da empresa. Após deixar o cargo de CEO em 2023, sua permanência como chairman servia como uma âncora de confiança para os investidores.

Em carta, Hastings afirmou que agora se dedicará integralmente à filantropia. "Meu foco sempre foi no prazer do assinante e em construir uma cultura que outros pudessem herdar e melhorar", escreveu.

Agora, os co-CEOs Ted Sarandos e Greg Peters assumem o controle total da operação sem a sombra do fundador, em um momento em que a Netflix precisa provar que consegue manter o ritmo de crescimento sem grandes aquisições no radar imediato.

A empresa retomou seu programa de recompra de ações, utilizando parte do caixa robusto para tentar estabilizar o valor de mercado, mas a reação inicial da Nasdaq mostra que o "fator emocional" da saída de Hastings e a incerteza pós-M&A pesaram mais que o caixa cheio.

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