Sangue humano pode guardar 'herança' de 700 milhões de anos, diz estudo

Por Vanessa Loiola 28 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Sangue humano pode guardar 'herança' de 700 milhões de anos, diz estudo

As células do sangue humano podem carregar um legado evolutivo com cerca de 700 milhões de anos. Um estudo liderado por pesquisadores da Kyoto University sugere que parte do sistema imunológico moderno surgiu a partir de ancestrais unicelulares muito antigos, anteriores até aos primeiros animais complexos.

A pesquisa reconstruiu a “árvore genealógica” das células sanguíneas e identificou semelhanças entre estruturas imunológicas humanas e organismos unicelulares ancestrais.

O resultado foi divulgado pelo ScienceDaily nesta quarta-feira, 27 e deve ser publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) na próxima sexta-feira, 29.

Como o sangue revelou origem antiga

Para investigar a origem evolutiva do sangue, os pesquisadores compararam padrões de expressão genética em diferentes espécies animais e tipos de células. A partir dessa análise, conseguiram mapear como as células sanguíneas se diversificaram ao longo da evolução.

Segundo o estudo, os macrófagos — células responsáveis por englobar micróbios e resíduos celulares — apresentaram as maiores semelhanças com organismos unicelulares antigos.

Os cientistas também rastrearam o gene FOS, presente em diversos organismos animais. De acordo com o estudo, esse gene já existia em um ancestral unicelular que viveu há cerca de 700 milhões de anos, período próximo ao surgimento dos primeiros seres multicelulares.

Para a equipe, a descoberta sugere que os sistemas imunológicos iniciais podem ter reaproveitado mecanismos biológicos herdados dessas formas de vida antigas.

Estudo reconstruiu evolução das células do sangue

A pesquisa também buscou entender como diferentes tipos de células sanguíneas surgiram ao longo da evolução. Os resultados sugerem que os mastócitos podem ter evoluído a partir de macrófagos, enquanto células T e glóbulos vermelhos teriam aparecido posteriormente. Os mastócitos são células produzidas na medula óssea e que participam do sistema imunológico.

Os cientistas também identificaram sinais de que células B ancestrais se separaram diretamente dos macrófagos em estágios antigos da evolução animal. Segundo os autores, as descobertas mostram que o sistema imunológico atual ainda preserva marcas dessa longa história evolutiva.

Os pesquisadores também destacam que o método usado no estudo poderá ajudar futuras investigações sobre doenças como câncer e distúrbios do sistema imunológico.

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