São Paulo tem escritórios mais sofisticados da América do Sul, diz estudo

Por Letícia Furlan 28 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
São Paulo tem escritórios mais sofisticados da América do Sul, diz estudo

São Paulo é, definitivamente, a porta de entrada de multinacionais que buscam atuar na América Latina. O movimento, que costuma ser medido por abertura de sedes, contratação de executivos e expansão de fornecedores, tem também um termômetro mais físico: o mercado de escritórios.

Segundo o Global Office Fit-out Cost Guide 2026, da Turner & Townsend, a capital paulista é hoje o mercado de escritórios mais dinâmico e sofisticado da América do Sul, sustentado pela demanda por edifícios de padrão AAA, pela cadeia de fornecedores mais madura e pela exigência crescente de empresas por ambientes de trabalho mais tecnológicos.

O custo para montar escritórios corporativos de alto padrão em São Paulo subiu de US$ 2.478 para US$ 2.950 por metro quadrado em um ano. Mesmo com a alta, a cidade segue mais competitiva que Buenos Aires, Santiago e Montevidéu, segundo o levantamento.

A leitura da consultoria é que o Brasil segue como principal destino de multinacionais que iniciam expansão pelo Cone Sul. Na prática, isso tem pressionado a demanda por profissionais qualificados, fornecedores especializados e projetos corporativos mais sofisticados.

“São Paulo continua sendo um dos principais destinos para empresas que desejam estabelecer suas sedes regionais na América do Sul. Observamos níveis recordes de investimento em projetos e em tecnologias avançadas”, afirma Henrique Cicchetto, diretor de Real Estate da Turner & Townsend no Brasil.

A pressão por escritórios melhores ocorre em um momento em que empresas ainda ajustam o modelo de trabalho depois da pandemia. A volta ao presencial não eliminou o modelo híbrido, mas mudou o papel do escritório.

Antes, a laje corporativa era, sobretudo, um centro operacional. Agora, passou a ser também um ativo de retenção de talentos, integração de equipes e posicionamento de marca.

A demanda mais forte tem sido por projetos CAT B, que incluem acabamentos, mobiliário, tecnologia, áreas colaborativas e soluções de bem-estar. São ambientes pensados para suportar reuniões híbridas, uso intensivo de dados, automação predial e, mais recentemente, ferramentas de inteligência artificial.

Esse padrão ajuda a explicar por que a capital paulista se destaca no estudo. Segundo a Turner & Townsend, São Paulo lidera, na América do Sul, a adoção de ambientes de trabalho preparados para IA e com maior nível de serviços e infraestrutura.

Buenos Aires é a cidade mais cara

Apesar da alta de custos, São Paulo não é a cidade mais cara da região. Buenos Aires lidera o ranking latino-americano, com custo médio de US$ 5.861,80 por metro quadrado para projetos corporativos de alto padrão. O valor é influenciado pela hiperinflação argentina e por tarifas de importação que podem elevar o custo de materiais em até 150%, segundo o relatório.

Santiago aparece em seguida, com US$ 3.321,60 por metro quadrado, e Montevidéu, com US$ 3.187. São Paulo ocupa a quarta posição regional, com US$ 2.950, à frente da Cidade do México e de Bogotá.

A diferença entre Buenos Aires e São Paulo é de US$ 2.911,80 por metro quadrado. Em um projeto de 4.294 metros quadrados — área usada como referência metodológica pelo estudo — isso representaria uma diferença superior a US$ 12 milhões no custo total de implantação.

Confira o ranking de capitais latino americanas por custos de projetos corporativos de alto padrão:

O custo menor que o de Buenos Aires não significa que São Paulo seja um mercado barato. O que pesa a favor da capital paulista é a combinação de escala, liquidez imobiliária, rede de fornecedores e presença de empresas globais.

No setor de escritórios, esse conjunto é decisivo. Multinacionais que chegam à região tendem a buscar lajes em edifícios de alto padrão, próximos a corredores de transporte, com certificações ambientais, eficiência energética e infraestrutura para tecnologia.

Isso reforça a procura por imóveis Triple A em regiões como Faria Lima, Itaim Bibi, Vila Olímpia, Berrini e Chucri Zaidan. São áreas onde a disputa por espaços de qualidade já vinha reduzindo a vacância nos melhores prédios e sustentando aluguéis mais altos.

O relatório também aponta que o Brasil tem conseguido lidar com instabilidades na cadeia de suprimentos, embora ainda enfrente pressão na aquisição de materiais tecnológicos importados para projetos premium.

Enquanto isso, Nova York lidera o ranking global, com US$ 5.885,90 por metro quadrado. Londres vem em seguida, com US$ 5.876. Buenos Aires aparece na terceira posição, com US$ 5.856, à frente até mesmo de cidades como São Francisco, Zurique e Los Angeles.

Veja o ranking mundial de custos por metro quadrado:

Observação: os dados foram coletados antes dos conflitos envolvendo Estados Unidos e Oriente Médio. O cenário geopolítico pode influenciar custos futuros, especialmente na cadeia de suprimentos e na disponibilidade de materiais.

integração com a cbre reforça disputa por projetos

A Turner & Townsend também concluiu, ao longo deste ano, a integração com a área de Project Management da CBRE no Brasil. A operação passa a funcionar sob a marca Turner & Townsend e amplia a capacidade da empresa em gestão de projetos, programas e custos.

O movimento ocorre em um momento em que empresas globais têm buscado reduzir riscos em projetos corporativos, especialmente em obras que envolvem tecnologia importada, metas de sustentabilidade e prazos mais apertados.

Para Cicchetto, empresas que priorizam flexibilidade e adoção tecnológica estão mais preparadas para acompanhar as transformações do ambiente corporativo.

O estudo analisou 58 cidades no mundo e comparou custos de construção de escritórios em três níveis de especificação: alto, médio e baixo. A metodologia usa um projeto padronizado de aproximadamente 4.294 metros quadrados, distribuídos em dois pavimentos, para estimar custos de fit-out CAT A e CAT B.

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