Scorsese, Coppola e Fincher: os nomes do cinema que já dirigiram Michael Jackson

Por Paloma Lazzaro 28 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Scorsese, Coppola e Fincher: os nomes do cinema que já dirigiram Michael Jackson

Quem assiste aos videoclipes de "Thriller", "Bad" ou "Black and White" percebe logo de cara que o orçamento para as produções provavelmente foi alto. O que o público talvez não saiba é que parte desse gasto era utilizado na própria contratação de diretores para os vídeos de Michael Jackson.

A lista de colaboradores do popstar conta com grandes nomes do cinema, como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Spike Lee.

Durante o auge da MTV, nas décadas de 1980 e 1990, as grandes estrelas do pop e do rock frequentemente colaboravam com grandes diretores de Hollywood. Além do Rei do Pop, outros artistas da época fizeram o mesmo, como Madonna, que convidou David Fincher para dirigir o clipe de "Vogue".

John Landis: 'Thriller' (1983) e 'Black or White' (1991)

A parceria entre Jackson e John Landis começou quando o cantor assistiu a "Um Lobisomem Americano em Londres" e decidiu contatar o diretor. Na época, Landis já havia assinado a comédia cult "Os Irmãos Cara-de-Pau".

Juntos, Michael e o diretor criaram "Thriller", um curta de quase 14 minutos que é amplamente considerado um dos melhores videoclipes de todos os tempos.

Filmado em 35mm com orçamento de aproximadamente US$ 500 mil, "Thriller" custou cerca de dez vezes o custo médio de um videoclipe na época, de acordo com a Variety.

O vídeo também contou com maquiagem do vencedor do Oscar, Rick Baker, coreografia de Michael Peters e uma participação em voz do ator clássico Vincent Price. Quando estreou na MTV em dezembro de 1983, o clipe de "Thriller" efetivamente dobrou as vendas do álbum homônimo, que é até hoje o mais vendido do mundo.

Em 2009, tornou-se o primeiro videoclipe a entrar no National Film Registry dos EUA e acumula mais de um bilhão de visualizações no YouTube.

Em 1991, Jackson e Landis voltaram a trabalhar juntos em "Black or White", um espetáculo de 11 minutos com orçamento de US$ 4 milhões que estreou simultaneamente em 27 países para uma audiência estimada em 500 milhões de pessoas.

O clipe apresentava Macaulay Culkin, uma sequência de metamorfoses faciais pioneira desenvolvida pela Pacific Data Images e um polêmico epílogo em que Jackson, saindo de uma pantera, destruía um carro em uma sequência de dança solo que gerou ampla repercussão.

Martin Scorsese: 'Bad' (1987)

Recém-saído de "A Cor do Dinheiro", Martin Scorsese trouxe sua sensibilidade urbana e cinética a um curta de 18 minutos para "Bad", a faixa-título do álbum seguinte a "Thriller".

O roteiro foi escrito por Richard Price, parceiro de Scorsese no mesmo filme, e as filmagens duraram seis semanas na estação de metrô Hoyt-Schermerhorn Streets, no Brooklyn.

A história do clipe de 18 minutos acompanha Darryl (Jackson), um jovem de escola preparatória que volta ao seu antigo bairro e enfrenta velhos amigos. O então desconhecido Wesley Snipes, no papel do líder de gangue Mini Max, roubou a cena, e mais tarde brincou que Jackson o confundiu com um membro real de gangue recrutado nas ruas.

O clipe transita do realismo em preto e branco para o colorido quando Jackson veste sua icônica jaqueta de fivelas e dá início ao confronto coreografado no metrô.

David Fincher: 'Who Is It' (1993)

Muito antes de "Seven", "Clube da Luta" e "A Rede Social", David Fincher era um dos diretores de videoclipes mais requisitados de Hollywood.

"Who Is It" é uma das entradas mais sofisticadas do catálogo de Jackson. O cantor interpreta um homem de coração partido que descobre a dupla vida de uma amante que trabalha como prostituta de luxo, com a modelo Yasmin Le Bon no papel.

Filmado parcialmente na propriedade Neverland Ranch, Fincher construiu um curta onírico e psicologicamente tenso.

O clipe foi concluído em 1992, mas teve exibição limitada nos EUA.

Depois que Jackson apresentou um trecho da música no programa de Oprah Winfrey em fevereiro de 1993, uma versão diferente passou a ser exibida domesticamente. O corte de Fincher, que circulou internacionalmente, é considerado o mais artisticamente relevante dos dois.

Spike Lee: 'They Don't Care About Us' (1996) e 'This Is It' (2009)

Um dos clipes mais controversos e icônicos da carreira de Jackson foi dirigido por Spike Lee.

As filmagens de "They Don't Care About Us" em Salvador e no Rio de Janeiro quase não aconteceram: as autoridades brasileiras tentaram proibir Jackson de filmar nas cidades, alegando que as imagens de pobreza poderiam prejudicar o turismo e acusando o cantor de exploração.

Um juiz chegou a vetar as gravações, mas a decisão foi revertida por uma liminar. Enquanto o governo resistia, a população local parecia receptiva, um fã chegou a invadir o set e abraçar Jackson, e o momento acabou no clipe.

Pela primeira vez na carreira, Jackson gravou um segundo videoclipe para o mesmo single, desta vez em uma prisão.

Essa segunda versão incorpora imagens reais de violência policial contra negros americanos, da repressão militar nos protestos da Praça Tiananmen, da Ku Klux Klan, da tentativa de assassinato de George Wallace e de outros casos de violações de direitos humanos.

Em 2020, Lee criou uma terceira versão que combina partes das duas anteriores com imagens dos protestos do movimento Black Lives Matter e uma vista aérea da Black Lives Matter Plaza, em Washington D.C.

A parceria com Lee voltou postumamente: após a morte de Jackson em 2009, o diretor assinou "This Is It", um clipe de quase cinco minutos com cenas da cidade natal do cantor em Gary, Indiana, fotos, vídeos e homenagens de fãs ao redor do mundo.

Francis Ford Coppola: 'Captain EO' (1986)

A colaboração entre Jackson e Francis Ford Coppola não foi em um videoclipe, mas em um curta-metragem de ficção científica 3D exibido nos parques da Disney.

"Captain EO" foi produzido executivamente por George Lucas e criado em parceria entre a Walt Disney Studios e a Lucasfilm. A trilha foi composta por James Horner e incluiu as músicas "We Are Here to Change the World" e "Another Part of Me", ambas escritas e interpretadas por Jackson.

Na história, Jackson é o Capitão EO, enviado com sua tripulação excêntrica a um mundo desolado governado por uma bruxa, com a missão de entregar um presente. Capturado ao chegar, EO converte seus robôs em instrumentos musicais e canta para derrotar os vilões, transformando o planeta em um paraíso.

A atração ficou em cartaz nos parques até 1998, retornou em 2010 como tributo após a morte de Jackson e foi exibida pela última vez no Epcot em 6 de dezembro de 2015.

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