Segundo dia de conflito no Irã: cúpula eliminada, retaliação e Golfo em alerta
Neste domingo, 1, pelo segundo dia consecutivo, mísseis e drones voltaram a cruzar o espaço aéreo do Oriente Médio em retaliação aos ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel que, no sábado, 28, mataram o aiatolá Ali Khamenei (líder supremo do país desde 1989) e grande parte da cúpula militar iraniana.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian assumiu a liderança do país em "caráter de transição", ao lado do chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei, e de um jurista do Conselho dos Guardiães, segundo a agência estatal IRNA.
Em comunicado, Pezeshkian classificou o assassinato de Khamenei como uma "declaração aberta de guerra contra os muçulmanos, especialmente os xiitas em todos os cantos do mundo" e afirmou que o Irã considera a vingança "seu dever e seu direito legítimo"
A noite a manhã seguintes
Com a confirmação da morte de Khamenei, a madrugada de domingo deixou claro que o conflito não arrefeceria. Alarmes soaram nesta manhã em Israel e em partes da Cisjordânia ocupada, enquanto explosões eram relatadas Doha, no Catar, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e em Manama, no Bahrein.
Perto do aeroporto de Erbil, na região autônoma do Curdistão iraquiano, onde estão sediadas tropas da coalizão liderada pelos Estados Unidos, novos estrondos também foram ouvidos, conforme relatos da mídia local.
Em comunicado nas redes sociais, as Forças de Defesa de Israel confirmaram que atacavam alvos do "regime iraniano no coração de Teerã". A Guarda Revolucionária Islâmica respondeu anunciando ofensivas contra 27 bases com tropas americanas no Oriente Médio e contra instalações militares israelenses em Tel Aviv.
A cúpula eliminada
A morte de Khamenei não foi a única grande baixa na liderança iraniana. A mídia estatal anunciou que vários altos oficiais foram mortos durante a mesma reunião do Conselho de Defesa que vitimou o líder supremo.
Entre eles estão: o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Abdolrahim Mousavi; o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh; o chefe da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour; e o chefe do próprio Conselho de Defesa, Ali Shamkhani.
Teerã dividida
Nas ruas da capital iraniana, a notícia da morte de Khamenei desencadeou reações opostas. Milhares de pessoas vestidas de preto, carregando fotos do líder morto, tomaram o centro de Teerã entoando "morte à América" e "morte a Israel".
Em outros pontos da cidade, contudo, havia quem comemorasse. Relatos e imagens que circulam em redes sociais mostram conta de pessoas vibrando em telhados, assobiando e soltando gritos de alegria.
Na esfera política, as trocas de ameaças não deram trégua. Donald Trump convocou o povo iraniano a "tomar o controle" do próprio governo; declaração que o presidente do parlamento iraniano rebateu afirmando que Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu "cruzaram nossas linhas vermelhas" e "sofrerão as consequências".
Por meio de redes sociais, Trump respondeu que o Irã não deveria retaliar, ou seria atingido com uma força "nunca vista antes".
Foi nesse ambiente que Ali Larijani, principal conselheiro de segurança nacional, se pronunciou apelando por união e advertiu grupos separatistas de que enfrentarão resposta dura caso tentem agir, em uma amostra de que o governo teme que o vácuo de poder aberto pela morte de Khamenei seja explorado internamente.
Conflito transborda fronteiras
Os desdobramentos do segundo dia não ficaram entre as fronteiras de Irã e Israel. Conforme agências de notícias, manifestantes tentaram invadir o consulado dos Estados Unidos em Karachi, maior cidade do Paquistão, e forçar a entrada na Zona Verde de Bagdá, onde fica a embaixada americana no Iraque.
Milhares também foram às ruas na Caxemira administrada pela Índia. No Golfo, o Irã foi além dos alvos militares. Atacou o porto de Duqm, em Omã, e um petroleiro na costa omanita.
Jasem al-Budaiwi, chefe do Conselho de Cooperação do Golfo, condenou as ações como "violação grave e escalada perigosa" que ameaça a segurança regional e "mina a estabilidade" no Golfo.
O CCG reúne Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos - países que agora se veem diretamente no raio dos ataques.
Colapso do tráfego aéreo
O segundo dia de conflito também segue provocando alterações na logística de civis. Israel, Catar, Síria, Irã, Iraque, Kuwait e Bahrein fecharam seus espaços aéreos, e os Emirados Árabes Unidos anunciaram um "fechamento temporário e parcial" do seu próprio, paralisando os aeroportos de Dubai e Abu Dhabi. Doha também fechou.
No total, mais de mil voos foram cancelados pelas principais companhias aéreas da região, segundo o site de rastreamento FlightRadar24, deixando centenas de milhares de viajantes retidos ou desviados para outros destinos.
Mortos e feridos
O balanço de vítimas civis registrado até agora é do dia anterior. Pelo menos 133 pessoas morreram e outras 200 ficaram feridas nos ataques de sábado, de acordo com a HRANA, organização americana de monitoramento de direitos humanos, que registrou incidentes em 18 províncias iranianas.
O que deve vir a seguir
Com ameaças cruzadas de todos os lados e nenhum canal de negociação visível. A agência nuclear da ONU convocou uma reunião extraordinária para segunda-feira, 2, a pedido da Rússia, em uma resposta direta aos ataques que Trump justificou como retaliação à tentativa iraniana de "reconstruir seu programa nuclear".
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