Seguradora da favela chega a R$ 50 milhões em capital segurado com um ano de operação
A Favela Seguros, iniciativa criada a partir da parceria entre a Favela Holding e a MAG Seguros, com apoio social da CUFA, celebra em fevereiro de 2026 o marco de um ano de operação comercial.
A primeira venda foi realizada no Complexo da Penha (RJ), em fevereiro de 2025, inaugurando um modelo de negócio voltado à promoção da inclusão financeira e social nas favelas brasileiras.
Hoje, o negócio já conta com R$ 50 milhões de capital segurado nas periferias e trabalha pela sua expansão para o restante do país.
Ao longo do primeiro ano, a iniciativa estruturou sua presença em um projeto-piloto que abrange 10 comunidades nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, atendendo a milhares de clientes.
Formação de corretores locais
O modelo de negócio da Favela Seguros baseia-se na oferta de microsseguros e, principalmente, na capacitação de moradores para atuarem como representantes de vendas e intermediários financeiros em seus próprios territórios.
A primeira venda foi realizada pelo representante Chrislan Menezes, que destaca a possibilidade de conciliar o trabalho com a rotina familiar ao atuar dentro do próprio bairro.
O desenvolvimento desses profissionais é acompanhado por Bruno Duarte, treinador da Favela Seguros, que observa que parte da equipe não possuía experiência anterior na área comercial.
A formação técnica oferecida pelo projeto permitiu que moradores passassem a exercer uma nova profissão: muitos "não trabalhavam com vendas e hoje se percebem como vendedores".
Na Rocinha, a operação é conduzida por Pamela Walker, responsável pela unidade local, que avalia que a eficácia do modelo está diretamente ligada à comunicação e ao conhecimento entre profissional e segurado.
Expansão nacional: das favelas do Rio para todo o Brasil
Com a base operacional consolidada, a Favela Seguros avança para os próximos passos da expansão nacional. O plano estratégico prevê alcançar as cinco regiões do país até 2026, adaptando os serviços às particularidades culturais de cada localidade.
Rodrigo Prevot, superintendente comercial da empresa, avalia que o primeiro ano foi fundamental para validar a logística e a receptividade do modelo. "O caminho agora é crescer e levar proteção financeira de qualidade a diferentes regiões do país", afirma.
Para Ronaldo Gama, diretor da Favela Seguros, o primeiro ano serviu para validar a tese de que a periferia é um mercado de alto valor. Os indicadores positivos do projeto-piloto são, para o executivo, um "sinal verde" para uma ocupação territorial mais ampla. "Os resultados confirmam que o modelo de negócio é não apenas consistente, mas altamente replicável", diz.
Para Gama, a iniciativa comprova que o morador da favela busca proteção financeira de qualidade e não apenas produtos de baixo custo.
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