Sem esquecer Photoshop, Adobe aposta em parceria com Nvidia para 'bombar' na IA
A Adobe é responsável por alguns dos softwares mais conhecidos para edição de imagem e vídeo. São da empresa ferramentas como Photoshop, Illustrator e Premiere.
O momento, porém, pede algo a mais. O Firefly é um aplicativo que trabalha com uma família de modelos generativos que utilizam inteligência artificial para produção criativa, campo em que a Adobe conhece como poucos.
A empresa promete entrar com força nesse terreno da IA, pois anunciou há poucos dias uma parceria com a Nvidia, a gigante por trás de unidades de processamento gráfico (GPUs) de alto desempenho – usadas para jogos - e chips essenciais para a própria IA.
Para saber como será o novo Firefly e o mercado da tecnologia envolvendo imagem e vídeo, a EXAME conversou com exclusividade com Rodrigo Arndt, country manager da Adobe no Brasil:
Exame: Quando começaram as conversas entre Adobe e Nvidia para essa parceria com o Firefly?
Rodrigo Arndt: A Adobe já vem conversando e estabelecendo parcerias com várias empresas há muito tempo. Com o avanço que estamos vivendo hoje em termos de inteligência artificial, é uma coisa muito normal que os principais players comecem a se unir justamente para aumentar o poder de entrega. Essa conversa com a Nvidia já vem sendo conduzida há bastante tempo, com o anúncio global feito recentemente. Vai ser um grande avanço não só para a tecnologia, mas também para os usuários, tanto empresa quanto usuário independente.
Exame: A Nvidia fala muito nesses AI Factories, que são uma fábrica de criatividade. Vocês, da Adobe, devem estar muito de olho nisso. Como essa parceria vai ajudar a Adobe a fazer essa verdadeira revolução em criação de conteúdo?
RA: Criar modelos de Firefly junto com a Nvidia vai ser algo que vai revolucionar muito o conteúdo que já estamos gerando hoje. Eu diria que vamos conseguir, de forma muito mais acertada, gerar o que o usuário está querendo gerar pela IA. Vai conseguir dar escala. Todo mundo está olhando para IA hoje por causa de escala. Estamos unindo a escala com qualidade e com controle. Isso é bem importante quando começamos a falar de direitos autorais, e a Adobe é pioneira com essa questão. Então, acho que a Nvidia veio para fortificar tudo isso.
Exame: Quando falamos em IA, não conseguimos fugir da questão dos direitos autorais. Como o Adobe trabalha essa questão hoje no Firefly?
RA: Premissa básica, não treinamos nossa IA em material do cliente. Assim como sempre defendemos os direitos autorais, uma das coisas que a Adobe pensa em primeiro lugar é não treinar a nossa IA num conteúdo que é seu, que é da empresa, que é do nosso cliente. Acho que passa uma segurança para o mercado, que não somos mais um player que está tentando vender IA. Usamos nosso motor de inteligência artificial, porém não replicamos isso. Para simplificar: esse conteúdo ficará numa nuvem dedicada para aquele cliente, que não será replicado ou treinado para outra empresa.
Exame: Como você enxerga que vai ser essa próxima geração de IA aplicada à criação e ao marketing?
RA: Acho que está tudo direcionado para acelerar a criação, produção e personalização. Quando você pensa em campanha, eu enxergo o nosso futuro bem próximo em que a IA não vai servir mais só para criação, mas ela também vai servir para execução. Eu acho que é esse patamar que estamos entrando agora. Aliado a parcerias, como temos com o Google Gemini, Nano Banana integrado dentro do FireFly, assim como o ChatGPT, e agora com a Nvidia para poder acelerar a criação de conteúdo. Vai acabar sendo um diferencial. A Adobe já está se diferenciando por ser esse hub. Não estamos mais olhando para IA como um produto em específico. Já é um ecossistema, e estamos fazendo parte do projeto desde o princípio. Quem não está fazendo isso, não vai conseguir os resultados que está esperando.
Rodrigo Arndt é country manager da empresa no Brasil (Divulgação/ Adobe)
Exame: A Nvidia aposta muito em agentes que executam tarefas completas. Teremos um marketing quase autônomo?
RA: Quando olhamos para marketing de performance, a parceria com a Nvidia se resume praticamente a conseguir gerar conteúdo mais rápido. Acho que será possível conseguir não só gerar campanha, mas executá-la. O que me chamou mais a atenção foi o poder dado aos clientes para simular campanhas. Com isso, você consegue analisar se vai ter o resultado esperado ou não antes de colocar a campanha no ar. Isso é uma forma dinâmica e precisa que vai ser um grande diferencial no mercado. Não basta ter apenas uma IA. Você precisa mensurar o valor. E aí é preciso analisar se essa IA está dando um respaldo corporativo necessário. Será que você pode fazer uso daquele conteúdo e publicar sem que você tenha a segurança, o respaldo dos direitos autorais? A Adobe é pioneira nisso desde o Adobe Stock das fotos e agora está dentro do nosso Firefly.
Exame: Programas como Photoshop, InDesign, Illustrator perderam um pouco a força nos últimos anos com essas ferramentas de arte que utilizam IA. Como a Adobe está tentando incentivar o pessoal a voltar a usar essas ferramentas?
RA: Quando olhamos para essa evolução absurda que temos em termos de tecnologia, é preciso olhar um pouquinho para trás e ver onde é que se aprende isso. E é exatamente o nosso DNA, que são as universidades, as escolas. Estamos investindo muito forte nessa base, clientes importantes que temos no Brasil, que são instituições educacionais. Estamos cada vez mais fortificando essa base, com os estudantes tendo acesso às ferramentas da Adobe, como Photoshop, llustrator e outras como o Express. Porque não adianta você hoje tentar ensinar Photoshop para um profissional que já está no mercado se ele nunca mexeu no programa. Se você começa esse trabalho forte na base, na instituição educacional, você consegue preparar esse estudante que futuramente vai ser o nosso futuro profissional.
Exame: Quais números você consegue divulgar sobre investimentos, crescimento em IA e no mercado do Brasil como um todo?
RA: A Adobe está crescendo no Brasil. Neste ano, pretendemos crescer entre 15 e 20%. Com essa tecnologia, essa nova onda de inteligência artificial, as empresas estão vendo um mercado muito promissor. Estão olhando para a escala, para segurança e também para custo. Quando conseguimos baixar o custo e aumentar a escala, é exatamente o que o empreendedor brasileiro está buscando. Hoje, o Brasil representa 60% do mercado da Adobe na América Latina.
Exame: Como a Adobe enxerga o mercado daqui cinco, 10 anos? O mercado vai ficar concentrado ou teremos novos players?
RA: O momento em que estamos agora é de conhecer o que a IA pode vir a entregar, nos ajudar a criar de forma geral. O próximo passo, daqui cinco ou 10 anos, não vamos ver mais como criação, mas sim como execução. Vamos começar a olhar para a criação, a produtividade e a execução num todo. A IA vai estar atrelada a tudo isso. Então, a preocupação vai ser como eu executo tendo a IA desde a criação do meu projeto. E aí o grande desafio vai ser o quanto vamos estar preparados para poder usar essa tecnologia de IA a nosso favor, para gerar escala, para diminuir custo. Hoje, quando vemos serviços bancários, e-commerce, atendimento ao cliente, muita coisa vai ser mais automatizada. Não estamos competindo com o mercado. Estamos criando esse mercado.
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