Sem humanos, Chernobyl vira santuário animal 40 anos após desastre nuclear

Por Vanessa Loiola 28 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Sem humanos, Chernobyl vira santuário animal 40 anos após desastre nuclear

Quarenta anos após o pior acidente nuclear civil do mundo, a zona de exclusão de Chernobyl, na Ucrânia, transformou-se em um santuário inesperado para a vida selvagem. A ausência de atividade humana favoreceu a recuperação dos ecossistemas, mesmo com a presença contínua de radiação.

As informações foram publicadas no The Conversation e reúne resultados de diferentes estudos científicos sobre a Zona de Exclusão de Chernobyl (ZEC), criada após o desastre de 26 de abril de 1986.

Ausência humana favorece a fauna

Após o acidente, uma área de cerca de 2.600 km² foi evacuada e passou a ter acesso restrito. Desde então, atividades como caça, agricultura e exploração de recursos naturais foram interrompidas.

Estudos indicam que esse isolamento teve impacto direto no aumento das populações animais, superando, em alguns casos, os efeitos negativos da radiação. As populações de grandes mamíferos no setor bielorrusso da zona são comparáveis ou superiores às de reservas naturais não contaminadas.

Espécies que retornaram à região

A região passou a registrar crescimento significativo de diversas espécies ao longo das últimas décadas.

Entre os principais registros estão:

Adaptação ao ambiente radioativo

Pesquisas indicam que algumas espécies apresentam sinais de adaptação à radiação. Rãs arborícolas da região tornaram-se mais escuras, já que níveis mais elevados de melanina podem ajudar a reduzir os danos causados pela radiação.

Estudos com lobos-eurasiáticos também apontam possíveis adaptações biológicas associadas à sobrevivência em ambientes com radiação crônica, incluindo mecanismos que podem reduzir o risco de câncer.

Além dos animais, plantas e fungos apresentam respostas ao ambiente. Algumas espécies vegetais demonstram mecanismos de reparo de DNA. Um fungo negro, identificado no interior do reator 4, utiliza melanina para converter radiação gama em energia, o que favorece seu crescimento.

Apesar do aumento da biodiversidade, os impactos da radiação persistem. Algumas espécies apresentam maior taxa de mutação e menor sucesso reprodutivo, o que pode resultar em problemas de saúde.

A área próxima ao reator, conhecida como “Floresta Vermelha”, com cerca de 10 km², sofreu danos severos logo após o acidente. Pinheiros morreram e adquiriram coloração marrom-avermelhada devido à alta exposição à radiação.

Zona de exclusão se torna laboratório natural

Atualmente, a Zona de Exclusão de Chernobyl é considerada uma das maiores reservas naturais da Europa e um importante laboratório para pesquisa ecológica. O local permite analisar como os ecossistemas se recuperam e evoluem com mínima interferência humana.

Casos semelhantes foram observados em outras regiões afetadas por acidentes nucleares. Em Fukushima, no Japão, mamíferos como ursos, guaxinins e javalis também voltaram a ocupar as zonas de exclusão em grande número.

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