Senado deve discutir mudanças em conselho para operações com minerais críticos
A criação de um conselho responsável por analisar operações de compra, venda e transferência de controle no setor de minerais críticos deve sofrer alterações durante a tramitação no Senado do projeto que cria uma política nacional para exploração de terras-raras.
O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados na semana passada, em meio ao avanço das disputas globais por minerais estratégicos e às vésperas do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
A proposta ainda aguarda despacho no Senado e deve ser analisada pelos parlamentares nos próximos dias.
O principal ponto de debate deve ser justamente o Conselho Especial de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE), colegiado previsto no projeto para avaliar previamente operações societárias envolvendo ativos considerados estratégicos para o país.
Segundo parlamentares ouvidos pelo O Globo, há espaço para flexibilização das regras de funcionamento do conselho, especialmente entre senadores ligados à oposição, que veem risco de excesso de intervenção estatal no setor. Apesar disso, existe consenso em torno da manutenção do colegiado.
Conselho pode revisar compra de mineradoras e acordos internacionais
De acordo com o texto aprovado pela Câmara, o CMCE ficará responsável por analisar operações que envolvam transferência de controle de empresas, acordos internacionais e cessão de ativos minerais críticos pertencentes à União.
Na prática, o conselho poderia avaliar negócios como a recente compra da mineradora Serra Verde pela americana Rare Earths, em uma operação estimada em R$ 2,8 bilhões.
O tema ganhou relevância internacional diante da disputa entre Estados Unidos e China pelo domínio da cadeia de minerais estratégicos, usados em setores como baterias, veículos elétricos, inteligência artificial, defesa e transição energética.
A China lidera atualmente a produção global desses materiais, o que ampliou o interesse americano sobre reservas brasileiras.
Setor teme excesso de intervenção estatal
Representantes da mineração demonstram preocupação com o modelo proposto no projeto. O temor é que regras consideradas excessivamente rígidas prejudiquem a previsibilidade dos investimentos e reduzam a atratividade do setor.
Presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário afirmou que o Senado deverá aprofundar a discussão sobre os limites de atuação do conselho.
“Se intervir demais, ameaça a previsibilidade, e isso pode ter um efeito eventualmente até desastroso sobre a atratividade do setor. Precisamos achar um meio termo entre atrair os investimentos e ter uma proteção da soberania”, disse.
Outro ponto que deve entrar na discussão é a possibilidade de criação de mecanismos de previsibilidade de preços, como pisos de comercialização e estoques regulatórios, modelo semelhante ao adotado em países como os Estados Unidos.
O setor também acompanha com preocupação a possibilidade de criação de imposto sobre exportações minerais. Embora o texto não estabeleça a cobrança diretamente, ele abre espaço para que o governo possa instituir taxações pontuais no futuro.
Projeto prevê incentivos fiscais e fundo bilionário
A proposta cria um conjunto de incentivos para estimular o beneficiamento dos minerais dentro do Brasil e reduzir a exportação de produtos brutos sem processamento.
O projeto prevê créditos fiscais de até 20% para empresas do setor, com limite anual de R$ 1 bilhão entre 2030 e 2034. Os benefícios serão maiores para companhias que realizarem etapas mais avançadas de processamento em território nacional.
Além disso, o texto cria um fundo garantidor de até R$ 5 bilhões para facilitar a concessão de crédito à atividade mineral. A União poderá aportar até R$ 2 bilhões, e o fundo será administrado por uma instituição financeira federal.
A pauta é considerada estratégica pelo governo brasileiro e ganhou força após o avanço das discussões internacionais sobre segurança energética e dependência de minerais críticos.
*Com O Globo
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