Sete em 10 brasileiros acreditam que terão novos gastos com a Copa do Mundo
O ano de 2026 é marcado por diversas sazonalidades – entre elas, a Copa do Mundo. O evento, além de um momento de lazer, marca um momento que mexe com as finanças pessoais. As festividades impactam diretamente o bolso do consumidor e podem mexer com a economia.
Um estudo da Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados para a cadeia de consumo, realizado em parceria com o Opinion Box, revela que sete em cada 10 brasileiros (67%) acreditam que terão novos gastos com a Copa.
Entre os três maiores gastos, metade pensa que os novos desembolsos vão ser com comida e bebida (51%), seguido de roupas e acessórios (24%) – de vuvuzela a camisa do Brasil – e festas e eventos (20%).
“A prioridade de gasto é claramente social e de consumo imediato, ou seja, a Copa estimula consumo ligado à convivência”, escrevem os pesquisadores.
Pesquisa copa do mundo (Neogrid e Opinion Box/Reprodução)
Para 16% das pessoas, o torneio se torna uma oportunidade de consumo fortemente marcada por aspectos emocionais e sociais. Nesse contexto, pesa um fator central: o consumo não é guiado pela necessidade, mas pelo ritual coletivo — ou seja, é impulsionado pela ocasião.
Mas “a Copa cria picos de consumo concentrados, não aumento sustentado”. O impacto é mais forte em categorias ligadas à convivência e à celebração, já que esses consumidores usam o evento como justificativa emocional para gastos por prazer ou conforto pessoal.
Já no rendimento, não há alteração significativa para 80% dos respondentes – ou seja, a Copa não mexe com a renda. Isso sugere, segundo o estudo, que a para a maior parte da população, a festividade é mais um evento cultural do que um choque econômico direto sobre a renda.
Entretanto, a minoria não pode ser descartada: 15% sofrem redução de renda nos dias dos jogos.
Percepções e impacto emocional
Para além do impacto no bolso, há outro fenômeno que chama a atenção: a percepção de aumento dos preços.
“Mesmo sem posse de evidências técnicas, a percepção geral é de que esses eventos pressionam preços. Essa expectativa age psicologicamente: leva à antecipação de compra e a maior sensibilidade a promoções”, diz. Esse efeito é comprovado em números, 81% afirmam que os valores aumentam.
Em anos de eventos como Copa do Mundo e feriados prolongados, 38% sentem falta, com frequência ou às vezes, dos seus produtos de preferência nos pontos de venda.
Neogrid e Opinion Box/Reprodução (Neogrid e Opinion Box/Reprodução)
“Os dados mostram que o consumidor já tem uma memória de vivência de ruptura em eventos sazonais. Isso afeta diretamente comportamento de compra, porque quando o consumidor espera ruptura, ele muda a forma como abastece”, esclarece o estudo.
Um em cada quatro consumidores diz ser impactado emocionalmente pela Copa do Mundo. O torneio funciona como um grande catalisador coletivo de sentimentos — da euforia à frustração, passando por ansiedade e celebração.
Esse ambiente emocional costuma estimular gastos mais impulsivos, voltados ao prazer imediato e à conveniência. Na prática, a Copa acaba funcionando como um gatilho para compras ocasionais e decisões de consumo motivadas pelo momento.
Apesar das comemorações, 71% afirmam que não deveria ter Copa do Mundo todo ano. Entretanto, metade dos brasileiros acham certo que empresas e serviços parem em dias de jogos e 39% afirmam que costumam comer e beber mais em dias de competições.
No fim, o planejamento financeiro pessoal ou familiar é o mais importante. Existe um grupo que percebe aumento de imprevisibilidade (26%). Isso indica que para essa parte do público respondente, a Copa gera gastos extras não planejados (eventos sociais, consumo fora, compras ocasionais).
Mas, curiosamente, existe também um grupo que diz tornar mais previsível — o que pode indicar consumidores que planejam antecipadamente e “reservam orçamento para o evento” ou que simplesmente não afeta (a maioria – com 59%).
Outros eventos impactam o bolso
Para além da Copa do Mundo, o Brasil vive, em 2026, outros eventos, como eleições e 11 feriados prolongados. Assim como na Copa, cinco em cada 10 brasileiros acreditam que os feriados aumentarão seus gastos ao longo do ano.
Quase 60% enfrentam dificuldades em controlar o orçamento, mostrando que feriados podem gerar pequenas “fugas” financeiras. Enquanto alguns aproveitam para reorganizar gastos e reabastecer, outros enxergam apenas excesso e descontrole. Segundo a pesquisa, 51% concordam que precisam se planejar para que os feriados não impactem suas finanças negativamente.
Do total, 55% gastam mais com lazer, 50% com alimentação e 40% com viagens durante feriados. Quando isolado, esses micro-eventos apresentam baixa intensidade percebida ao consumidor, porém cumulativamente relevante quando olhada em conjunto.
Ao contrário da Copa do Mundo, mais da metade dos consumidores sente algum efeito dos feriados sobre sua renda, relacionando essas datas à sua capacidade real de consumo. Para trabalhadores informais, autônomos ou com pagamento diário, os feriados representam perda direta de ganhos. Até entre assalariados, essas datas podem influenciar a produtividade e reduzir a oportunidade de receber horas extras.
“Os feriados prolongados de 2026 não representam apenas datas comemorativas no calendário — eles criam ciclos adicionais de vendas e aumentam a pressão sobre estoque, fluxo de caixa e nível de serviço. Quando quase metade dos consumidores espera gastar mais nesses períodos, capturar essa demanda deixa de ser opcional e passa a ser estratégico”, diz Christiane Cruz Citrângulo, diretora executiva de Supply Chain na Neogrid.
Segundo ela, o risco não é mais apenas ruptura pontual, mas o desequilíbrio contínuo entre reposição e execução, exigindo planejamento preciso e operação ágil para atender à demanda nos picos de consumo.
As eleições se destacam como o evento de maior impacto psicológico e comportamental. Metade dos entrevistados afirma que elas influenciam bastante suas decisões de consumo, sendo que 36% consideram o efeito muito intenso. Isso indica que o pleito é percebido como um gatilho de instabilidade econômica e social.
O consumidor não reage ao evento em si, mas ao que ele representa: mudanças, o que altera hábitos e padrões de consumo conforme o resultado das urnas. Em 2026, as eleições devem funcionar como um impulsionador de cautela e planejamento, reforçando a tendência de racionalidade e prevenção, mesmo sem alterações na renda.
Ao pensar na situação geopolítica da América Latina, os dados mostram que o consumidor está atento ao contexto macro. “Isso sugere que o consumidor está mais consciente de que tensões regionais afetam preço, inflação, dólar e disponibilidade. O impacto aqui é indireto: o consumidor não reage à geopolítica em si, mas ao medo de efeitos econômicos”, revela o estudo.
Enquanto a Copa desperta sentimentos de celebração e sociabilidade, as eleições provocam ansiedade, tensão e polarização. Quando 24% dos entrevistados reconhecem influência emocional das eleições, isso mostra que uma parcela relevante ajusta seu consumo durante períodos de estresse político, seja reduzindo gastos ou buscando pequenos confortos.
Segundo a pesquisa, as eleições aumentam a imprevisibilidade: cerca de um terço dos entrevistados percebe maior incerteza no planejamento financeiro pessoal. Visto como um risco econômico, o período eleitoral leva a adiamento de compras maiores, maior atenção ao essencial e, em alguns casos, antecipação de itens básicos diante da expectativa de alta de preços.
Neogrid e Opinion Box/Reprodução (Neogrid e Opinion Box/Reprodução)
Planejamento
Apesar dos eventos, olhando para um panorama macro, 76% pretendem cortar custos em 2026 e 71% estão mais sensíveis a preço. A principal estratégia é reduzir compras por impulso (69%), seguida por buscar promoções (55%) e lojas mais baratas (53%).
“O movimento é de reorganização. A indulgência não desaparece — ela se torna seletiva e justificada. O consumidor alterna disciplina e pequenas recompensas”, escreve os pesquisadores no estudo.
O consumidor não está apenas reduzindo gastos por necessidade imediata, mas mudando a forma de pensar o consumo. Há mais racionalidade, maior seletividade e menor disposição para desperdícios. Mais do que um contexto de contenção, o que emerge é um novo comportamento: decisões pautadas por critérios diferentes de comparação, substituição e percepção de valor.
Mesmo com Copa do Mundo, eleições e feriados, os eventos não mudam o comportamento da maioria, mas alteram significativamente o comportamento de uma parcela relevante. “Mais de um terço dos respondentes planeja com mais antecedência, o que é expressivo quando falamos de hábito de consumo.”
Isso, de acordo com o estudo, sugere que o consumidor não age apenas por impulso, mas também reorganiza hábitos e faz ajustes no dia a dia. O fato de mais da metade afirmar que não antecipa compras também chama atenção: esse grupo mais resiliente tende a se adaptar de outras maneiras, como trocar marcas, mudar o canal de compra ou buscar promoções no momento da decisão, afirma a pesquisa.
Para o varejo, entender tudo isso é essencial.
“Os dados reunidos neste estudo confirmam algo que já vinha se desenhando — e que em 2026 se torna incontornável: estamos diante de um consumidor que redesenha sua régua de valor. Significa exigir mais coerência entre preço, valor percebido e disponibilidade. Em um ano marcado por microssazonalidades – feriados, Copa do Mundo e eleições – a capacidade de transformar previsão em execução consistente é o que separa ganho de share de perda silenciosa de vendas”, conclui Nicolas Simone, CEO na Neogrid.
A pesquisa “Como os acontecimentos de 2026 impactam o bolso do consumidor” ouviu mais de 1,2 mil brasileiros, total ou parcialmente responsáveis pelas compras do lar, de diferentes classes sociais e faixas etárias a partir de 16 anos.
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