Sete em cada 10 jovens querem abrir negócio próprio nos próximos cinco anos, aponta pesquisa

Por Bianca Camatta 30 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Sete em cada 10 jovens querem abrir negócio próprio nos próximos cinco anos, aponta pesquisa

Os jovens brasileiros têm dois objetivos: estabilidade e autonomia. É o que mostra o relatório Next Generation Brasil, do British Council, segundo o qual 70% pretendem abrir o próprio negócio nos próximos cinco anos — ao mesmo tempo em que 66% temem não conseguir garantir segurança financeira no futuro.

O empreendedorismo aparece não apenas como uma escolha aspiracional, mas também como resposta a um cenário de frustração com o trabalho formal. Salários abaixo das necessidades básicas são citados por 66% dos jovens, enquanto 56% reclamam de jornadas excessivas e quase um terço relata ambientes profissionais hostis ou com poucas perspectivas de crescimento.

O que está afastando os jovens do trabalho formal

“Existe um combinado entre desejo genuíno de empreender e necessidade financeira”, afirma Bárbara Cagliari Lotierzo, diretora interina de Engajamento Cultural da organização no Brasil. “Muitos jovens enxergam o negócio próprio como alternativa para diversificar renda e reduzir a dependência de um mercado que percebem como limitado.”

Quase um terço já desenvolve alguma atividade informal ou fonte de renda extra, sinalizando que esse movimento já está em curso.

Apesar disso, a concretização do empreendedorismo esbarra em desafios: a falta de capital inicial (63%) aparece como principal barreira, seguida por lacunas em conhecimentos de gestão e finanças (52%).

“Ampliar o acesso a financiamento e adaptar programas de microcrédito já existentes são caminhos importantes, assim como fortalecer iniciativas de capacitação e incubação para que os jovens desenvolvam as habilidades necessárias para gerir seus negócios”, afirma Bárbara.

Quais são as principais barreiras para empreender

Cursos de curta duração voltados à inteligência artificial (36%), habilidades digitais (34%) e gestão financeira (35%) estão entre os mais desejados, indicando uma geração atenta às transformações tecnológicas e às exigências do mercado.

Bárbara acredita que os resultados servem como diagnóstico e podem orientar políticas públicas e iniciativas privadas. A avaliação é que ampliar o acesso a financiamento, fortalecer programas de capacitação e criar ambientes mais favoráveis ao empreendedorismo serão fatores decisivos para transformar o alto interesse dos jovens em negócios sustentáveis.

“Os dados mostram a importância de ampliar caminhos que conectam educação e mundo do trabalho de forma mais inclusiva. Quando os jovens colocam a segurança financeira como prioridade e demonstram interesse por novas competências, isso reforça a necessidade de ampliar o acesso a oportunidades de formação e de inserção produtiva mais sustentáveis ao longo do tempo”,  afirma Bárbara.

O estudo Next Generation Brasil, do British Council, ouviu mais de 3,2 mil jovens de 16 a 35 anos em todas as regiões do país. A pesquisa combinou questionários quantitativos com grupos focais e entrevistas individuais para aprofundar percepções. O levantamento também buscou refletir a diversidade da juventude brasileira, incluindo recortes de território, gênero e raça, além da participação de jovens líderes na construção e validação do estudo.

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