Shopee demite centenas de desenvolvedores — e diz que a culpa é da IA

Por institucional 10 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Shopee demite centenas de desenvolvedores — e diz que a culpa é da IA

A Shopee, braço de e-commerce da Sea Limited, está eliminando centenas de vagas de desenvolvedores ao redor do mundo. Os cortes atingem cerca de 8% desses desenvolvedores, segundo a Bloomberg, e já eliminaram equipes inteiras em algumas áreas, com cortes de 10% a 15% em outras, de acordo com o Wall Street Journal.

Os demitidos ficaram sabendo na segunda-feira, 8. Funcionários da sede em Singapura relataram ao canal CNA que a comunicação chegou primeiro por mensagem no sistema interno, seguida de reunião presencial com o departamento de Recursos Humanos.

Mas os cortes não se restringem ao local e continuam em andamento, conforme pessoas familiarizadas com o processo disseram ao WSJ. As áreas atingidas incluem desenvolvimento de aplicativos, produto, comercialização e garantia de qualidade.

Um porta-voz não identificado da Shopee comentou que "de tempos em tempos, os departamentos podem fazer ajustes com base em prioridades operacionais e de negócios", em fala repercutida pelo WSJ. "Essas decisões são sempre tomadas após cuidadosa consideração", acrescentou a Sea à imprensa internacional.

As ações da empresa (SE) caem 2,26% no pré-mercado em Nova York nesta quarta-feira, 10, a US$ 82,95.

A ambição de US$ 1 trilhão com a IA

O pano de fundo é uma aposta declarada do CEO da Sea, Forrest Li. No ano passado, Li disse, em documento interno divulgado pelo WSJ, enxergar um caminho para a Sea entrar no clube das empresas com capitalização de US$ 1 trilhão se conseguir aproveitar o movimento positivo em torno da inteligência artificial.

Em abril, a Sea inaugurou em Singapura um "Centro de Excelência em Inteligência Artificial" com apoio do governo local. A empresa também fechou parceria com o Google, da Alphabet, para desenvolver em conjunto um agente de compras com IA.

Custos sobem, lucro cresce menos

Os números do primeiro trimestre mostram a tensão que o mercado acompanha. As despesas operacionais da Sea subiram 43,4% na comparação anual, chegando a quase US$ 2,6 bilhões. O custo de receita avançou ainda mais, 51,7%, a US$ 4 bilhões, segundo o canal CNA.

O lucro líquido cresceu, mas em ritmo bem mais modesto, cerca de 6,7% na base anual, a US$ 438,2 milhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) ajustado subiu 9,3%, a US$ 1 bilhão.

As ações da Sea, porém, acumulam queda desde setembro de 2025, quando a empresa valia cerca de US$ 116 bilhões, conforme apontou a Bloomberg. A alta do petróleo no início deste ano pressionou tanto os custos operacionais quanto o consumo nos mercados em que a Shopee atua.

O fantasma do 'AI-washing'

Fontes ouvidas pela Bloomberg foram diretas ao inserir os cortes da Shopee em um debate mais amplo que circula no setor, o chamado "AI-washing", que é quando empresas dizem usar ou investir em IA sem que a adoção real da tecnologia sustente a explicação.

A publicação cita os casos recentes de Block, de Jack Dorsey, e da Oracle como exemplos que alimentaram essa discussão. A Alibaba percorre caminho semelhante, investindo pesado em IA enquanto enfrenta concorrência crescente no negócio principal.

Vale lembrar que a Sea já passou por um enxugamento duro em 2022, quando a queda de rentabilidade no pós-pandemia forçou cortes amplos, afirmou o CNA.

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