Sistemas isolados e o desafio da universalização da energia na Amazônia Legal
Quando o tema é a universalização da energia elétrica no Brasil, a Amazônia Legal é o principal ponto de atenção. Formada pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Tocantins e parte do Maranhão, a região concentra desafios de infraestrutura associados a grandes distâncias, baixa densidade populacional e forte dependência de modais logísticos fluviais. Nessas áreas, os sistemas isolados são a forma de atendimento a localidades que não estão conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O recém-divulgado Planejamento do Atendimento aos Sistemas Isolados – Ciclo 2025, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Ministério de Minas e Energia (MME), reúne diretrizes e projeções para o suprimento de energia nessas regiões nos próximos anos.
Segundo o documento, essas localidades dependem majoritariamente da geração térmica a diesel, solução que assegura o fornecimento, mas envolve custos elevados e complexa operação, além de impactos ao meio ambiente, devido à emissão de gases de efeito estufa (GEE). Um exemplo é o estado do Amapá, que não possui conexão terrestre para outras regiões do país. O estado possui vários sistemas isolados, nos quais o abastecimento de combustível fóssil e a operação das usinas mais dependentes do transporte fluvial tornam o atendimento mais caro, vulnerável a interrupções e altamente sensível a fatores climáticos e logísticos.
Ao mesmo tempo, o documento aponta para uma mudança gradual nesse modelo, com maior incorporação de fontes renováveis e soluções de armazenamento ao longo dos próximos anos. O planejamento mais recente indica que, até 2028, os sistemas isolados devem incorporar cerca de 180 megawatts (MW) de geração solar fotovoltaica e 308 megawatts-hora (MWh) de sistemas de armazenamento em baterias, viabilizando modelos híbridos que combinam renováveis com geração térmica de respaldo.
A expectativa é reduzir a dependência do óleo diesel, aumentando a eficiência da operação e melhorando a segurança do suprimento em localidades remotas. Essa estratégia reflete uma tentativa de adaptar o planejamento energético às condições específicas do território, reconhecendo que a interligação ao SIN nem sempre é efetiva ou economicamente viável no curto prazo.
Paralelamente ao planejamento técnico, a agenda de universalização do acesso à energia prevalece nas regiões isoladas do país. O MME anunciou em dezembro uma expectativa de investimentos do Programa Luz para Todos de R$ 6 bilhões em 2026, com foco na conexão de mais de 120 mil novas unidades consumidoras em áreas rurais e remotas. Uma parcela significativa dessas ações está prevista para a Amazônia Legal, onde o acesso à energia ainda representa um desafio para milhares de famílias.
A combinação entre planejamento setorial e políticas públicas evidencia que o atendimento elétrico na Amazônia precisa de um esforço contínuo para conciliar desenvolvimento regional, viabilidade econômica e adaptação às características de um território com várias localidades que permanecem à margem do sistema elétrico interligado do país.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: