Situação da Strategy está 'fora de controle', diz executivo da Arca
A Strategy está enfrentando uma nova onda de questionamentos sobre seu modelo de financiamento com ações preferenciais, à medida que investidores avaliam se as obrigações de pagamento de dividendos poderão eventualmente pressionar a empresa a vender parte de seus bitcoins.
A situação da Strategy ficou “fora de controle”, afirmou Jeff Dorman, diretor de investimentos da Arca, em uma publicação no X na quinta-feira, referindo-se aos cerca de US$ 15 bilhões em ações preferenciais da empresa, que carregam aproximadamente US$ 1,5 bilhão em obrigações anuais de dividendos.
Dorman alertou que a estrutura pode se tornar cada vez mais difícil de administrar caso as condições de mercado permaneçam voláteis, com o bitcoin sendo negociado cerca de 16% abaixo do início do ano, em torno de US$ 73.737 no momento da publicação.
Os comentários alimentam um debate crescente sobre se a estrutura de capital vinculada ao bitcoin da Strategy consegue resistir a oscilações prolongadas de preço sem forçar a venda de ativos.
US$ 15 bilhões em ações preferenciais sob pressão
O alerta de Dorman se concentra no modelo de financiamento da Strategy, que inclui uma grande emissão de ações preferenciais com compromissos fixos de pagamento de dividendos.
A Strategy emitiu cinco classes de ações preferenciais: STRK, STRF, STRD, STRC e STRE, cada uma com diferentes condições de dividendos, prioridade de pagamento e exposição a risco dentro da estrutura de capital.
Dorman argumenta que o modelo foi construído com base na premissa de que o bitcoin continuaria se valorizando de forma suficientemente forte para sustentá-lo. Ele descreveu a estratégia como uma aposta de que o BTC “estava prestes a disparar” e poderia financiar obrigações futuras.
Segundo ele, as captações de recursos por meio da emissão de ações ajudaram a reduzir as preocupações de curto prazo com inadimplência, mas questionou o que veio depois, classificando como “inexplicável” a decisão da empresa de recomprar títulos com vencimento em 2029, diante da pressão contínua das obrigações de dividendos.
De acordo com Dorman, a estrutura acaba deixando apenas dois cenários extremos: “vender BTC para pagar os detentores das ações preferenciais” ou “parar de pagar os dividendos”, sendo que ambos teriam consequências diretas e assimétricas para a Strategy, seus investidores e o próprio bitcoin.
CEO confirma possível venda de Bitcoin
Os comentários de Dorman ocorreram enquanto o CEO da Strategy, Phong Le, confirmava que a empresa poderá vender bitcoin em algum momento no futuro, após o presidente executivo da empresa, Michael Saylor, ter levantado essa possibilidade em meados de maio.
“Provavelmente venderemos bitcoin em algum momento, mas continuaremos aumentando nossa posição líquida em bitcoin e, mais importante, aumentando a quantidade de bitcoin por ação”, afirmou o CEO em entrevista exclusiva à CNBC e à Fox Business na quinta-feira.
Em meio às crescentes expectativas de que a Strategy possa precisar vender BTC para administrar seu balanço patrimonial e cumprir suas obrigações, a plataforma de mercados de previsão Polymarket passou a indicar probabilidades cada vez maiores de uma venda ao longo de 2026.
O mercado “MicroStrategy vende algum bitcoin até” aponta cerca de 90% de probabilidade de uma venda até 31/12/2026, 71% até 30/06 e 18% até 31/05.
Até agora neste ano, a Strategy comprou cerca de 170.000 bitcoins, elevando suas reservas totais para 843.738 BTC, adquiridos por um valor agregado de US$ 63,87 bilhões e a um preço médio de aproximadamente US$ 75.700 por bitcoin.
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