SK Hynix ultrapassa a Samsung e se torna a empresa mais valiosa da Coreia do Sul
A SK Hynix superou a Samsung Electronics nesta segunda-feira, 22, para se tornar a empresa mais valiosa da Coreia do Sul listada em bolsa — encerrando um reinado que a Samsung mantinha desde o ano 2000.
As ações da fabricante de chips de memória fecharam o pregão com alta de 5,6%, elevando seu valor de mercado a 2.080,4 trilhões de wones (US$ 1,35 trilhão), enquanto as ações da Samsung recuaram 0,14%, levando seu valor a 2.066,7 trilhões de wones, excluindo ações preferenciais.
A virada culmina uma disparada de mais de 340% nas ações da SK Hynix neste ano — ritmo bem superior à alta de 200% da própria Samsung no mesmo período —, puxada pela demanda por chips de memória de alta capacidade usados em sistemas de inteligência artificial (IA), como os processadores da Nvidia e do Google.
O chip que poucos entendiam, e que virou essencial
O motor da virada é a memória de alta largura de banda, conhecida pela sigla em inglês HBM — um tipo de chip empilhado verticalmente para entregar mais desempenho e menor consumo de energia, integrado diretamente aos processadores de IA.
Diferente da memória convencional, tratada historicamente como uma commodity intercambiável entre fabricantes, a HBM criou barreiras de entrada muito mais altas e deu aos fornecedores maior poder de precificação.
Em 2025, a SK Hynix já detinha 61% do mercado global de HBM, muito na frente dos 17% da Samsung e dos 21% da americana Micron.
"O surgimento da memória de IA personalizada mudou fundamentalmente a economia do setor e permitiu que a SK Hynix se estabelecesse como líder de mercado", disse Kim Sunwoo, analista sênior da Meritz Securities.
Da quase falência ao topo do mercado
A trajetória da SK Hynix até este ponto é uma das maiores reviravoltas da história corporativa sul-coreana.
Em 2002, a então Hynix Semiconductor estava prestes a ser vendida para a Micron, paralisada por dívidas acumuladas durante uma expansão agressiva.
O negócio fracassou, e a empresa passou quase uma década sob controle de credores — suas ações chegaram a cair para 135 wones, valor que levou investidores a apelidá-la de "ação de centavo" no mercado coreano.
A virada definitiva veio com a decisão da SK Group, conglomerado familiar que comprou a empresa, de continuar investindo em HBM mesmo durante períodos de baixa do mercado de memória.
Em livro publicado em janeiro, o presidente do grupo, Chey Tae-won — que enfrentou forte oposição interna à aquisição na época — explicou a lógica por trás da aposta.
"No passado, não importava se a memória vinha da Hynix, da Samsung ou da Micron. Eram produtos intercambiáveis. A HBM é diferente", disse.
De prejuízo a lucro recorde em dois anos
A recuperação recente também tem números concretos. Em 2023, a forte queda nos preços de memória levou a SK Hynix a registrar prejuízo operacional anual de 7,73 trilhões de wones.
A virada começou em 2024, com o avanço do boom de IA e investimentos pesados de empresas como Microsoft, Google e Meta, que ajudaram a empresa a registrar lucro operacional recorde de 23,5 trilhões de wones naquele ano.
Em maio deste ano, a SK Hynix já havia se juntado à Samsung e à Micron no clube das empresas de memória avaliadas em mais de US$ 1 trilhão — mas faltava ainda alcançar o topo absoluto do mercado sul-coreano, o que se confirmou nesta segunda-feira.
Samsung contesta o critério de cálculo
A Samsung reagiu ao resultado. Em comunicado, a empresa afirmou que qualquer cálculo de seu valor de mercado deveria incluir as ações preferenciais, o que elevaria sua avaliação total para cerca de 2.246,4 trilhões de wones — valor que a manteria na frente da rival, segundo a própria companhia.
A disputa reflete também a diferença estrutural entre as duas empresas.
A Samsung depende menos do mercado de memória, já que também fabrica chips lógicos, smartphones e televisores, uma base de receita mais diversificada, mas menos concentrada na onda específica de IA que impulsionou a rival nos últimos meses.
O próximo passo: ir à bolsa americana
A SK Hynix não pretende parar de expandir. Segundo a Reuters, a empresa avalia uma listagem nos Estados Unidos, com inclinação para a Nasdaq — movimento que ampliaria sua base de investidores e elevaria seu perfil entre fundos globais.
A companhia é hoje uma das principais fornecedoras da Nvidia e afirmou recentemente já ter enviado amostras de memória HBM4, sua geração mais avançada, para os maiores clientes.
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