Smartwatch com eletrocardiograma: quais realmente funcionam e valem o investimento?
Por muitos anos, ter um smartwatch parecia algo limitado a quem fazia atividade física. Esse público mudou. Os relógios inteligentes passaram a registrar sinais fisiológicos, como a oxigenação sanguínea, a temperatura corporal e os padrões de sono. Uma adição recente na lista de funções é a do eletrocardiograma (ECG), que ajuda direamente na saúde cardíaca.
O eletrocardiograma grava a atividade elétrica do coração em 30 segundos e consegue identificar sinais de fibrilação atrial, um tipo de arritmia que muita gente tem sem saber. É um alerta que pode antecipar uma ida ao cardiologista. Não substitui o exame clínico, mas flagra algo que, sem o relógio, passaria despercebido.
Apesar de várias marcas oferecerem modelos com smartwatch com ECG, no Brasil a função só opera de verdade quando o software do relógio tem registro na Anvisa. Sem essa aprovação, o sensor até pode existir, mas fica bloqueado ou entrega dados sem respaldo regulatório. Apple, Samsung e Huawei já passaram por esse processo. Outras marcas, como Garmin, obtiveram certificação em mercados como Estados Unidos e Europa, mas ainda não por aqui.
O que é o ECG de smartwatch e para quem ele serve?
O eletrocardiograma de um smartwatch registra a atividade elétrica do coração por meio de eletrodos embutidos na caixa ou no botão lateral do relógio. O usuário encosta o dedo no sensor por 30 segundos, e o dispositivo gera um traçado que classifica o ritmo cardíaco como normal (ritmo sinusal) ou compatível com fibrilação atrial (FA), a arritmia sustentada mais comum em adultos.
Essa função é indicada para pessoas acima de 22 anos com queixas de palpitações esporádicas ou histórico familiar de arritmias. Para atletas que monitoram recuperação pós-treino também, para ficar de olho no excesso de carga. É um recurso informativo e preventivo, que pode antecipar a ida ao consultório médico em caso de alteração.
O que avaliar antes de comprar um smartwatch com ECG?
Para investir num bom smartwatch com ECG sem correr o risco de se arrepender, é preciso ficar de olho em algumas características:
Os 5 melhores smartwatches com ECG em 2026
O Apple Watch é uma das opções mais completas para quem quer monitorar a saúde pelo pulso. No caso do ECG, o sensor conta com aprovação da Anvisa e do FDA e detecta fibrilação atrial com registro exportável em PDF, que pode ser compartilhado com médicos pelo app Saúde do iPhone. O recurso de notificação de ritmo cardíaco irregular opera em segundo plano, analisando dados ao longo do dia sem que o usuário precise acionar nada.
A caixa de alumínio pesa entre 30 g e 36 g, uma das mais leves nesta categoria, e a tela OLED LTPO de até 46 mm e o perfil ultrafino tornam o relógio confortável para dormir. O sensor de oxigenação sanguínea (SpO2) e o de temperatura da pele complementam o pacote de saúde, junto com a detecção de queda e o SOS emergencial via satélite.
O único problema pode ser a bateria, que dura cerca de 18 horas em uso padrão — o que exige carregamento diário. Além disso, o dispositivo funciona apenas com iPhone. O preço no Brasil varia entre R$ 3.800 e R$ 5.500, dependendo do material da caixa e da pulseira.
2. Samsung Galaxy Watch 7
O Galaxy Watch 7 é uma das opções de smartwatch com ECG mais completas para quem usa Android. O sensor BioActive da Samsung reúne, em um único chip, eletrocardiograma e medição de pressão arterial, além de análise de composição corporal por bioimpedância (BIA).
Tanto o ECG quanto o monitor de pressão arterial possuem cadastro na Anvisa como dispositivos médicos de risco II. A medição de pressão exige calibração a cada 28 dias com um esfigmomanômetro tradicional, o que limita a praticidade, mas agrega uma camada de dado que poucos wearables oferecem.
A caixa pesa entre 28 g e 33 g, com tela Super AMOLED e pulseira de fluorelastômero confortável para uso prolongado. A bateria dura entre um e dois dias, dentro do padrão para relógios com WearOS. Os recursos de ECG e pressão funcionam melhor quando o relógio está pareado com um smartphone Samsung Galaxy. O preço no Brasil fica entre R$ 1.500 e R$ 2.200.
3. Huawei Watch D2
O Watch D2 faz a medição de pressão arterial com manguito inflável integrado à pulseira. Uma minibomba e um airbag embutidos inflam a pulseira no pulso, capturando leituras de pressão sistólica e diastólica sem a necessidade de calibração com aparelho externo.
O recurso de monitoramento ambulatorial de pressão arterial (MAPA) permite aferições programadas ao longo de 24 horas — algo que antes exigia equipamento hospitalar. Tanto o ECG quanto o monitor de pressão possuem registro na Anvisa e certificação CE europeia.
O ECG funciona pelo eletrodo lateral — basta encostar o dedo por 30 segundos para obter o traçado. O relógio também monitora SpO2, frequência cardíaca, temperatura da pele e qualidade de sono com detecção de ronco. A bateria de 524 mAh entrega até seis dias de uso com medições diárias de pressão e ECG, chegando a 14 dias em uso mais leve.
O sistema operacional HarmonyOS não tem suporte a apps populares como Spotify ou WhatsApp, e a navegação depende do app Huawei Health (compatível com Android e iOS). A caixa pesa 40 g, com design retangular que pode desagradar quem prefere o formato circular clássico. O preço no varejo brasileiro fica entre R$ 2.800 e R$ 3.500.
4. Samsung Galaxy Watch Ultra
Para quem precisa de um smartwatch com ECG que sobreviva a condições extremas, o Galaxy Watch Ultra combina o mesmo sensor BioActive do Galaxy Watch 7 com construção em titânio grau 4 e resistência a 10 ATM (100 metros de profundidade). O ECG e a medição de pressão arterial funcionam com aprovação da Anvisa, nos mesmos moldes do Galaxy Watch 7.
A caixa de 47 mm pesa 60 g — o mais pesado desta lista — e o design robusto não foi pensado para quem prioriza leveza ao dormir. A bateria de 590 mAh dura entre dois e quatro dias, dependendo do uso de GPS e sensores. A pulseira Marine distribui o peso, mas o conforto noturno depende do perfil do usuário.
O Galaxy Watch Ultra faz sentido para atletas de esportes aquáticos ou de resistência que querem monitoramento cardíaco com certificação regulatória. O preço no Brasil varia entre R$ 3.500 e R$ 4.900.
5. Samsung Galaxy Watch 6 / 6 Classic
O Galaxy Watch 6 é uma opção válida para quem quer ECG com aprovação Anvisa sem pagar o preço das gerações mais recentes. O sensor BioActive é o mesmo das versões posteriores, com ECG e medição de pressão arterial cadastrados na Anvisa. A versão Classic mantém o bisel giratório físico, preferido por quem acha a navegação por toque menos intuitiva.
A caixa pesa entre 33 g e 59 g, dependendo do tamanho (40 mm ou 44 mm) e da versão (padrão ou Classic). A bateria dura entre um e dois dias, padrão da linha Galaxy Watch. O sistema WearOS garante acesso a apps do Google e integração com smartphones Samsung.
O Galaxy Watch 6 faz sentido para quem já tem um smartphone Samsung Galaxy e quer monitoramento cardíaco certificado sem investir acima de R$ 2.000. O preço no varejo brasileiro fica entre R$ 1.100 e R$ 1.800.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: