Snoop Dogg, Ryan Reynolds, Ed Sheeran: celebridades estão comprando times 'pequenos'
A lista de jogadores, ex-atletas e celebridades que investem em clubes de futebol é bem maior do que parece. De Ibrahimovic a Ryan Reynolds, esses profissionais têm buscado alternativas para conseguirem novas fontes de receita.
Na última semana, chamou a atenção do mundo o fato de um dos maiores rappers de todos os tempos, Snoop Dogg, ter ido assistir ao jogo do Swansea, clube que ele adquiriu uma participação minoritária em meados do ano passado.
Recentemente, outro caso emblemático foi o do astro de Hollywood Ryan Reynolds, que comprou o La Equidad, atualmente na Primeira Divisão do Campeonato Colombiano e com sede na capital colombiana, Bogotá. Ele, que já é dono do Wrexham, da League One, da Inglaterra, terá como parceiro no continente sul-americano os também atores Rob McElhenney e Eva Longoria.
Além disso, uma nova informação que surgiu é que Ryan Reynolds lidera um novo movimento de investimento no futebol sul-americano. Ele rebatizou no início deste ano o nome do La Equidad como Internacional de Bogotá.
O projeto é grandioso e visa um reposicionamento de marca, tanto que as cores do novo escudo levam as três cores oficiais de Bogotá (preto, branco e dourado), além de incluir imagens dos cerros da cidade e do condor andino, ave símbolo e que corre risco de extinção. Uma das intenções é dar visibilidade internacional ao clube e, num futuro próximo e com altos investimentos, fazer com que o agora Internacional de Bogotá dispute a Copa Libertadores de 2027 ou 2028.
Modric e Dogg
Outro caso que chamou a atenção foi relacionado ao meia Luka Modric, ex-Real Madrid e atualmente no Milan, e do rapper americano Snoop Dogg, anunciados como novos sócios do Swansea, clube da segunda divisão da Inglaterra. O Swansea pertence a um consórcio norte-americano e já não tem mais chances de conseguir acesso à Premier League nesta temporada - a última vez na elite inglesa foi em 2018.
"Financeiramente, clubes bem administrados podem se tornar ativos rentáveis, principalmente quando há investimentos em infraestrutura, direitos comerciais e projetos de médio a longo prazo. Além disso, há ganhos intangíveis, como associar o nome do atleta a uma marca ou região, reforçando sua relevância global. Esses investimentos também ampliam a visibilidade do futebol, fortalecem o ecossistema esportivo e criam oportunidades para inovações, como o uso de tecnologia no esporte e novas formas de engajamento com torcedores", aponta o educador financeiro e diretor da Multimarcas Consórcios, Fernando Lamounier.
"Essa ampliação de visibilidade tem potencial de atração de novos fãs e novos patrocinadores, como consequência disso. Potencial porque não é só isso que resolve. Tem outros vários aspectos que fazem com que um patrocinador, um fã possa se interessar. Chama atenção das pessoas e cria uma possível simpatia maior por um time", afirmou Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da faculdade ESPM.
Para Cristiano Caús, sócio da CCLA Advogados, nem todo investimento deste tipo é bem-sucedido, mas o risco é proporcional à rentabilidade. "Maior é o risco, maior é a rentabilidade que ele vai ter. Obviamente se o clube está em uma divisão inferior, em uma situação ruim, o valor é um valor muito menor do que a que pode atingir", analisou.
Quem está investindo
Além das estrelas do cinema, vão fazer parte do projeto o copresidente do Club Necaxa, Al Tylis, e o executivo do D.C. United na MLS e do Necaxa, Sam Porter. “Al Tylis e Sam Porter não só têm uma vasta experiência no mundo dos esportes, mas também contam com o apoio de figuras reconhecidas como Eva Longoria, Rob McElhenney, Ryan Reynolds, Justin Verlander, Kate Upton, Shawn Marion e Scott Galloway”, disse o La Equidad em comunicado.
A entrada de celebridades do próprio esporte, da música e do entretenimento comprando ou adquirindo fatias de clubes de futebol vem acontecendo com mais frequência que o normal. No mês passado, o próprio astro do basquete, Magic Johnson, disse que muito em breve deve começar a fazer investimentos em equipes brasileiras, sem especificar de quais esportes.
"Acredito que é bom para o mercado como um todo, pois reúne um poderio financeiro ainda maior em clubes considerados de médio porte, mas com objetivos de crescimento a curto prazo, além de envolver uma publicidade muito grande em torno dos nomes dessas celebridades. Nada, no entanto, supera a boa gestão, seja com clubes associativos, SAFs, ou sendo adquiridos por ex-jogadores ou pessoas conhecidas", pontua Claudio Fiorito, CEO da P&P Sport Management Brasil, empresa especializada no gerenciamento da carreira de atletas.
Em agosto do ano passado, quando o cantor Ed Sheeran comprou 1,4% do Ipswich Town por meio das ações da Gamechanger 20 Ltd, ele se tornou sócio minoritário da equipe e vai ter o direito de utilizar um camarote executivo no Portman Road, estádio da equipe.
O Ipswich Town voltou a disputar a liga inglesa após 22 anos - Ed Sheeran é torcedor do clube. Além disso, ele já tinha uma relação próxima, pois era um dos patrocinadores oficiais dos times masculino e feminino desde 2021.
O cantor também costuma estar ativo na vida do Ipswich. Recentemente, ele participou de um vídeo de divulgação da nova temporada do clube ao dirigir um trator. Era uma referência ao apelido 'Os Garotos dos Tratore', dado aos torcedores locais pelo fato do time estar localizado numa região agrícola da Inglaterra.
Ed Sheeran não é a primeira personalidade a adquirir uma fatia de alguma agremiação esportiva, pelo contrário. Nos últimos anos, a lista é extensa. Em 2022, o ator Michael B. Jordan comprou o AFC Bournemouth, também da Premier League. Também na segunda divisão inglesa está o ex-jogador da NFL, Tom Brady, que se tornou um dos sócios do Birmingham City.
"Acredito que todas as partes só têm a ganhar, com uma visibilidade que extrapola os padrões de marketing e publicidade. Perceba que em muitos casos essas celebridades compram clubes menores, com alguma ligação emotiva, mas em ligas e países desenvolvidos e que podem trazer a potencialização de receitas, seja com a própria exposição ou novas parcerias", diz Joaquim Lo Prete, Country Manager da Absolut Sport no Brasil, agência de experiências esportivas.
O astro LeBron James, da NBA, comprou em 2011, por 6,5 milhões de dólares, 2% das ações do Liverpool. Atualmente, essa participação vale mais de 50 milhões de dólares. Também da NBA, Steve Nash adquiriu o Mallorca, da Espanha, por 20 milhões de euros.
"É um movimento que aumentou muito no pós-pandemia. Levando em conta a boa gestão, é uma associação que só tem a ganhar. Os clubes, quando adquiridos, se vêm fortalecidos por um comprador que possui credibilidade em seu ramo, disposto a impulsionar ainda mais seus rendimentos. Ao mesmo tempo, uma instituição esportiva tem o poder de atrair milhões em receitas, com exploração dos ativos principais, dos novos negócios em arenas e patrocinadores. Se bem-sucedido, os ganhos com imagem são infinitos", explica Ricardo Bianco Rosada, fundador da consultoria brmkt.co, que atua nas áreas de Estratégia, Branding, Marketing e Desenvolvimento de Negócios.
Em 2022, a atriz Reese Witherspoon virou uma das co-proprietárias do Nashville FC, da Major League Soccer (MLS). Natalie Portman, sua companheira de gravações, também se tornou uma das investidoras da liga feminina dos Estados Unidos.
"Mesmo a compra de um percentual irrelevante no processo decisório, se feita por uma celebridade, gera repercussão que extrapola o próprio noticiário esportivo, e gera interesse, ainda que em subprodutos dos clubes e suas marcas. Veremos ao longo dos próximos quatro anos pelo menos dezenas ou mesmo uma centena de celebridades da indústria da música e do cinema incorporando à sua carteira de investimentos participações minoritárias e pontuais entre os seus ativos alternativos. É um movimento sem volta de propaganda implícita desses ativos, agora financeiros", explica Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, empresa de entretenimento norte-americana, que gerencia a carreira de centenas de atletas.
E o que acontece no Brasil
No Brasil, o caso mais emblemático é o de Ronaldo Fenômeno, que é sócio majoritário do Real Valladolid, da Espanha, desde 2018, quando comprou 51% das ações do clube por 30 milhões de euros (aproximadamente R$ 141 milhões). O brasileiro vendeu sua participação no time espanhol em maio do ano passado.
Em 2025, o cantor Gusttavo Lima comprou o Paranavaí, time da segunda divisão do Paraná, investindo R $3 milhões por 60% da SAF.
Já a vertente do MCO (Multi-Club Ownership), em que um grupo empresarial administra mais de um clube e faz conexões entre ativos, está crescendo. A Squadra Sports, criada por Guilherme Bellintani, executivo que foi um dos responsáveis pela chegada do Grupo City ao Bahia, administra cinco clubes no país: Londrina-PR, Linense-SP, VF4-PB, Ypiranga-BA e o Conquista-BA fazem parte do portfólio.
Atualmente, o banco de jogadores conta com aproximadamente 250 atletas, com mais de 45 ativos atuando em clubes fora do portfólio da empresa, em que foram negociados ou que tiveram parte dos direitos adquiridos pela Squadra. Nos próximos cinco anos, a meta é alcançar 1.000 jogadores, dentre base e profissional, com 25% desse número em clubes externos aos comandados pela gestora.
“É um modelo que potencializa os ativos das equipes que fazem parte do grupo. Os clubes que estão fora da cadeia não são meus concorrentes, enxergamos como clientes que podem vir a negociar com algum de nossos atletas. Além disso, conseguimos alinhar os objetivos esportivos, formar jogadores em diferentes regiões do país e estruturar os flagships da Squadra, que são Londrina-PR e Linense-SP, comenta Guilherme Bellintani, CEO da Squadra Sports.
Principal ativo da marca, o Londrina foi vice-campeão da Série C no ano passado com uma das menores folhas salariais da competição e voltará a disputar a segunda divisão do futebol brasileiro.
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