Sol está 'puxando' lixo espacial para a Terra? Entenda
Milhares de fragmentos de foguetes e satélites desativados circulam diariamente ao redor da Terra em altas velocidades. Agora, cientistas descobriram que o próprio Sol pode estar acelerando a queda desse lixo espacial de volta ao planeta.
Um estudo publicado na revista Frontiers in Astronomy and Space Sciences na terça-feira analisou a trajetória de 17 objetos ao longo de 36 anos e concluiu que períodos de maior atividade solar intensificam a perda de altitude de detritos em órbita baixa.
Segundo os pesquisadores, quando a atividade solar ultrapassa cerca de dois terços de seu pico, a velocidade de descida desses objetos aumenta de forma acentuada. O fenômeno foi identificado em diferentes ciclos solares observados ao longo da pesquisa.
“Demonstramos que os detritos espaciais ao redor da Terra perdem altitude muito mais rapidamente quando o Sol está mais ativo”, afirmou Ayisha M. Ashruf, engenheira do Centro Espacial Vikram Sarabhai, na Índia, e principal autora do estudo.
Como o Sol interfere na órbita
A explicação está na interação entre a radiação solar e a termosfera, camada da atmosfera localizada entre cerca de 100 e 1.000 quilômetros de altitude. Durante períodos de alta atividade solar, a emissão de radiação ultravioleta extrema aumenta.
Esse influxo energético aquece e expande a termosfera, elevando sua densidade. Como consequência, objetos em órbita baixa passam a enfrentar maior resistência atmosférica, conhecida como arrasto atmosférico. O efeito reduz a velocidade orbital e acelera a descida dos detritos.
Os pesquisadores observaram o fenômeno inclusive em fragmentos originários de foguetes lançados ainda na década de 1960.
Impacto para satélites e futuras missões
A órbita terrestre baixa concentra satélites de comunicação, observação e, principalmente, objetos responsáveis pela internet. Ao mesmo tempo, abriga uma quantidade crescente de lixo espacial, incluindo fragmentos de colisões anteriores e estágios de foguetes desativados.
Segundo o estudo, compreender a influência da atividade solar sobre esses objetos pode ajudar missões espaciais a reduzir riscos de colisão e otimizar o consumo de combustível em manobras orbitais.
Os cientistas também afirmam que o padrão identificado pode auxiliar na escolha de melhores janelas de lançamento e no monitoramento de detritos espaciais ao longo das próximas décadas.
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