Som Livre aposta em vinil como estratégia para catálogo global no SXSW

Por Estela Marconi 5 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Som Livre aposta em vinil como estratégia para catálogo global no SXSW

A Som Livre levou um toca-discos ao SXSW e transformou o gesto em estratégia. Na edição que celebra os 40 anos do festival, a gravadora apresenta o episódio “Discos N'Agulha #17 – DJ Set SXSW por DJ Nyack”, gravado na SP House, espaço dedicado a iniciativas brasileiras em Austin, Texas.

O lançamento ocorre no dia 6 de maio, com estreia à 0h nas plataformas de áudio e às 18h no YouTube da companhia.

Para Alan Rey e Vini Azevedo, coordenadores de A&R da Som Livre em entrevista exclusiva à EXAME, a presença no evento foi pensada além da vitrine institucional. “Não é só presença institucional, é curadoria, repertório e narrativa de música brasileira em um ambiente global”, dizem.

“A Sony Music entra como potência de escala, conexão internacional e amplificação estratégica desse ativo.” A Som Livre integra o grupo Sony Music Entertainment desde 2022.

O set de DJ Nyack, apresentado em 15 de março, percorre décadas da música brasileira com precisão curatorial: Tim Maia, Djavan, Jorge Ben, Luiz Melodia, Novos Baianos, Sandra de Sá. Faixas que nasceram no vinil antes de qualquer algoritmo de streaming.

DJ Nyack durante a edição de 40 anos do SXSW, em Austin, Texas. (Divulgação/Som Livre)

O objeto simbólico e o negócio real

O movimento se apoia em um dado concreto. Nos Estados Unidos, o vinil cresceu pelo 19º ano consecutivo em 2025, com 47,9 milhões de unidades vendidas, segundo a RIAA — alta de 8,6% sobre 2024. Mais de 40% dessas vendas ocorreram em lojas independentes. O país concentra hoje quase metade do valor global do formato.

No Brasil, o avanço segue a mesma direção. As vendas físicas subiram 25,6% em 2025, puxadas pelo vinil, de acordo com a Pro-Música Brasil. No mesmo período, o mercado fonográfico faturou R$ 3,958 bilhões, alta de 14,1%, levando o país à 8ª posição no ranking global da IFPI.

É nesse cenário que a Som Livre posiciona o projeto. “A aposta é maior que vinil”, afirmam Rey e Azevedo. “O vinil é o objeto simbólico, mas o negócio está na combinação entre monetização de catálogo, construção de marca, experiência, conteúdo e relacionamento com públicos qualificados.”

O ativo central é o catálogo de mais de 50 anos da gravadora — um acervo que exige leitura contemporânea para manter relevância. “O Discos N'Agulha cria contexto, narrativa e nova escuta para esse acervo”, completam.

Streaming não é inimigo, é parceiro

A gravadora rejeita a ideia de disputa entre formatos. Nos Estados Unidos, o vinil representa cerca de 9% da receita da música gravada — participação menor, mas com crescimento consistente. No Brasil, o streaming respondeu por R$ 3,4 bilhões em 2025, com avanço de 13,2% nas receitas digitais.

“O digital amplia a descoberta e o consumo recorrente, o físico fortalece vínculo, a coleção, a marca e a margem em produtos especiais”, dizem Rey e Azevedo. O conteúdo audiovisual do Discos N'Agulha no YouTube cumpre esse papel de conexão entre os dois universos.

A Som Livre já avalia a expansão do projeto para outros mercados. Festivais, embaixadas culturais e parcerias com curadores locais estão no radar.

“O projeto tem potencial para circular em mercados onde há interesse por música brasileira, cultura de vinil e experiências curatoriais”, dizem os coordenadores.

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