'Somos a parte sexy da Berkshire', diz CEO da joalheria de Warren Buffett

Por Mitchel Diniz 27 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
'Somos a parte sexy da Berkshire', diz CEO da joalheria de Warren Buffett

A joalheria de fachada chamativa, em um shopping de alto padrão a 15 minutos do centro de Omaha, abre as portas para um grupo seleto de clientes em todo primeiro fim de semana do mês de maio. De longe é possível ver o crachá escrito "shareholder" ao redor do pescoço dos compradores. São acionistas da Berkshire Hathaway e muitos deles estão na cidade para o encontro anual com a administração da companhia. Comprar na loja, com descontos exclusivos para a ocasião, virou parte da agenda da conferência que ficou conhecida como a "Woodstock dos Capitalistas".

A Borsheims está em Omaha há 150 anos e no final da década de 1980 foi comprada por um frequentador assíduo da loja: Warren Buffett. Reza a lenda que foi uma negociação simples, feita na base do aperto de mão e com um contrato de apenas uma página. Desde que passou a fazer parte do portfólio de empresas investidas da Berkshire, o encontro de acionistas passou a ser a data mais importante de vendas da joalheria, superando até mesmo o Natal.

A "parte sexy" da Berkshire

Para uma empresa que é conhecida por não fazer marketing, não ter relações públicas agressivas e manter um site que parece ter saído dos anos 1990, a Borsheims cumpre um papel quase afetivo dentro do conglomerado.

"Gosto de dizer que somos uma materialização do que é a Berkshire Hathaway para muitas pessoas. Se você for ao escritório da companhia, perceberá que é só um andar em um prédio da cidade. Não há nada para se ver lá", diz Karen Goracke, CEO da Borsheims à EXAME.

"As empresas de seguros e de energia [da Berkshire] fazem muito mais dinheiro e são muito maiores do que nós. Mas ficamos com a parte mais sexy da companhia", complementa.

Karen está no comando da joalheria há 12 anos, mas começou na Borsheims como vendedora ao concluir a faculdade. Já era cliente da loja antes do vínculo profissional e passou por diversas funções antes de assumir como CEO. Foi escolhida pelo próprio Buffett.

"Warren não compra empresas com problemas. Ele entra em negócios que estão sendo bem administrados e só chama pessoas que ele confia para tocá-los. Temos total autonomia para conduzir as coisas da forma que achamos certo. Não estou me autoelogiando aqui, mas é isso o que ele faz, ter certeza de que essas posições sejam ocupadas pelas pessoas certas."

A era Greg Abel

Rotinas mudaram desde que Buffett "se aposentou" para servir exclusivamente ao conselho de administração da Berkshire. Greg Abel, seu sucessor, era justamente quem cuidava das empresas fora do setor de seguros, o que inclui o varejo e a Borsheims. Agora Karen vai reportar a Adam Johnson, atual CEO da NetJets, empresa de aviação executiva que virou uma das queridinhas do portfólio da Berkshire.

Na nova configuração, empresas irmãs passaram a interagir com frequência, ao menos uma vez por mês. "Acho que essa foi a principal mudança que Greg fez e, preciso dizer, tem sido bem positivo e ajudado muito", afirma a CEO. "Estamos lidando no momento com coisas que nunca precisamos lidar antes, como as tarifas ou desafios de entregas. Antes eu teria que pensar em tudo sozinha. Agora existe um senso de colaboração, posso chegar nas empresas irmãs e perguntar como elas estão lidando com essas questões."

100 mil peças em uma única loja

A Borsheims vende para todos os 50 estados americanos e também possui compradores internacionais. Mas, fisicamente, existe apenas em Omaha, com uma única loja. O espaço tem cerca de 5.800 metros quadrados. O estoque tem mais de 100 mil peças, entre joias assinadas por designers internacionais, relógios de marcas como Cartier, Omega e TAG Heuer, além de itens de decoração e presentes de alto padrão. "Eu curei, minha equipe curou. Temos uma das melhores coleções de joias que você veria em qualquer lugar do mundo", diz Karen, sem modéstia.

Menos acionistas, mais vendas

Assim como todos que estavam em Omaha para o encontro anual da Berkshire deste ano, a CEO da Borsheims percebeu que havia menos acionistas na cidade. Pela primeira vez em mais de 60 anos, Warren Buffett não estava no palco do evento, deixando Abel como único anfitrião. A imprensa local estima que o público tenha caído pela metade em relação ao ano passado, quando a conferência bateu o recorde de 40 mil pessoas. A Berkshire não divulgou números oficiais.

"O encontro do ano passado foi o maior que tivemos, acredito eu. Então acho que voltamos à movimentação de uns dois anos atrás. Na loja, a frequência deve ter diminuído uns 8%, mas em relação às vendas, houve crescimento", afirmou.

Questionada sobre o que esperar dos próximos encontros de acionistas, Karen reconheceu que as proporções do evento podem diminuir, mas sua importância não muda.

"Warren sempre teve histórias encantadoras para contar, era como assistir ao seu avô de uma certa forma. Mas Greg Abel é um líder incrível, um homem de negócios incrível, com uma visão incrível. Talvez atraia uma plateia diferente, mas me sinto otimista e não acho que isso vai afetar o nosso negócio", conclui.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: