Sparta: queda de juros impacta fundos de infra e dinâmica de incentivados

Por Letícia Furlan 1 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Sparta: queda de juros impacta fundos de infra e dinâmica de incentivados

O CDII11, fundo de infraestrutura da Sparta, ficou em primeiro lugar na categoria Infra na premiação Melhores do Mercado 2026, realizada pela EXAME. O reconhecimento ocorre em um momento de consolidação dos fundos de infraestrutura no mercado brasileiro — e de debate sobre juros e incentivos fiscais.

Os chamados FI-Infra foram instituídos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por meio da Resolução nº 40, de agosto de 2019. A norma atendeu a uma demanda antiga do mercado por veículos dedicados ao financiamento de projetos como rodovias, energia, saneamento e transmissão.

Desde então, esses fundos ganharam tração: registraram captação líquida de R$ 110,1 bilhões em 2025, alcançando um patrimônio líquido (PL) de R$ 346,5 bilhões, segundo informações da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Em 2023, a captação havia sido de apenas R$ 13 bilhões.

Estruturados principalmente em debêntures incentivadas — títulos de crédito emitidos por empresas de infraestrutura —, eles oferecem rendimentos frequentemente atrelados ao IPCA e isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas.

Na prática, os FI-Infra se tornaram uma ponte entre o investidor e projetos estruturantes da economia real.

Segundo Caio Palma, analista da Sparta, o movimento é recente na própria casa. “Temos mais de 30 anos de história, com a frente de infraestrutura começando apenas em 2017. Já os fundos listados começaram em 2021.”

A expansão coincidiu com um período de juros elevados e maior apetite por renda fixa. “A classe de debêntures incentivadas permaneceu isenta. Financiamos investimentos que vão trazer retorno para a sociedade, sendo muito importante para o Brasil que ela continue isenta de tributação para continuar fomentando o mercado. O mercado começou a crescer nos últimos dois anos.”

A isenção de IR é hoje um dos principais pilares de atratividade do setor. O benefício reduz o custo de captação das empresas e amplia o retorno líquido ao investidor pessoa física. Em um país com carência histórica de infraestrutura, o instrumento ganhou relevância.

O cenário agora é outro. Com a perspectiva de queda de juros ao longo de 2026, a dinâmica de captação pode mudar.

“O cenário de queda de juros acaba nos impactando porque temos fundos indexados à inflação. Então, se há uma queda de juros, o fundo pode se beneficiar ou não. E também impacta o mercado de debêntures incentivadas porque, nos últimos anos, a captação foi muito forte nos fundos abertos indexados ao CDI. Se os juros começam a cair, eventualmente a demanda por debêntures incentivadas também diminui. O spread das debêntures incentivadas pode aumentar. Para o fundo listado, que é o nosso caso, há oportunidades para aproveitar.”

A leitura é técnica. Com juros mais baixos, produtos atrelados ao CDI tendem a perder atratividade. Isso pode reduzir o fluxo para renda fixa tradicional e alterar a demanda por debêntures incentivadas. Em um cenário de menor procura, os spreads — o prêmio pago ao investidor — podem subir.

Para fundos listados, com capital já levantado, esse movimento pode abrir espaço para comprar ativos com retorno maior.

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