Spotify aposta em agentes de IA para descobrir a música que está na sua mente

Por Leo Branco 12 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Spotify aposta em agentes de IA para descobrir a música que está na sua mente

Imagine abrir o Spotify e sentir que a plataforma já sabe exatamente o que você quer ouvir. No Web Summit Rio 2026, agentes de inteligência artificial foram o grande tema do evento.

Bryan Johnson, executivo do streaming global de músicas e podcasts Spotify, mostrou como a empresa está usando essas ferramentas para criar uma experiência personalizada e interativa para os usuários.

Johnson lidera a área de parcerias com artistas e indústria internacional do Spotify, sediada em Londres. De lá, ele tem tido uma visão privilegiada sobre como a plataforma está colocando IA para melhorar a experiência de quem ouve música e podcasts por ali.

“Estamos testando experiências em que você pode dar comandos diretos ao algoritmo, pedindo ao AI DJ para tocar o que você quer, combinando faixas que você já conhece com novidades que ele acha que você vai gostar”, disse Johnson, em entrevista à EXAME. A ideia, segundo ele, é transformar o streaming em algo mais próximo de uma conversa entre ouvinte e plataforma.

Mas a inovação não fica só no digital. Johnson explicou como o Spotify, que recentemente completou 20 anos, está aproximando artistas independentes de seus fãs.

Com o recurso Reserve, os músicos podem identificar os ouvintes mais dedicados e reservar ingressos diretamente para eles, evitando filas e revenda com preços inflacionados. “O streaming funciona como vitrine, mas o dinheiro real vem dos palcos. Queremos que fãs leais tenham acesso direto e seguro”, afirmou.

Para artistas que estão começando, a plataforma oferece ferramentas como o Discovery Mode, que prioriza certas músicas nos algoritmos, e o SongDNA, que mostra a ficha técnica da música e conecta ouvintes a compositores, co-produtores e músicos de estúdio.

“Cada artista, seja independente ou de grande gravadora, tem a mesma chance de aparecer e ser descoberto”, destacou Johnson.

O protagonismo do Brasil

O Brasil aparece como protagonista nesse crescimento. A América Latina representa cerca de 23% das assinaturas do Spotify, e a música em português lidera o aumento da diversidade linguística na plataforma.

“Artistas como Anitta estão ajudando a levar a música brasileira para o mundo inteiro”, comentou Johnson, lembrando que mais de 750 milhões de usuários mensais em 184 mercados têm acesso a esses conteúdos.

Além da música, o Spotify expandiu seu ecossistema para podcasts, audiobooks e vídeos, tanto curtos quanto longos, criando novas formas de expressão para os artistas. A campanha anual Wrapped permite que músicos enviem mensagens personalizadas aos fãs mais fiéis e celebrem marcos como o bilhão de streams.

“Wrapped se tornou um momento cultural. Queremos que artistas se conectem com seus ouvintes de forma direta e significativa”, disse Johnson.

A IA também é usada para proteger o ecossistema. Filtros rigorosos e políticas de verificação mantêm menos de 1% das reproduções artificiais, e os créditos de IA permitem que os artistas informem quando usaram essas ferramentas em suas produções.

“A integridade do sistema é fundamental. Queremos que os criadores reais sejam os que recebem pelo seu trabalho”, afirmou o executivo.

Bryan Johnson destacou ainda a cultura do Spotify, que abraça mudanças e tecnologias disruptivas: “Do desktop para mobile, do machine learning à inteligência artificial, sempre buscamos evoluir. Essa mentalidade permite criar experiências novas e manter relevância global”.

No palco do Web Summit, o executivo deixou claro que o Spotify está construindo mais do que algoritmos: está construindo pontes entre artistas e ouvintes, tecnologia e criatividade, local e global.

É uma plataforma que quer ouvir não só as músicas, mas também os desejos de quem as ouve — e de quem as cria.

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