Sri Lanka adota semana de 4 dias úteis por falta de diesel
Visando preservar seus estoques de petróleo e gás, o Sri Lanka, uma pequena nação insular a poucos quilômetros da costa da Índia, decretou uma semana de trabalho de apenas quatro dias.
A medida vem como resposta a uma crise energética global conforme um bloqueio do estreito de Ormuz, passagem marítima por onde passa 20% do petróleo global, devido à guerra no Irã.
Desde quarta-feira, 18, instituições estatais, juntamente com escolas e universidades operarão em escala reduzida, e funcionários civis estão sendo orientados a trabalhar de casa sempre que possível.
O governo do Sri Lanka afirmou ter um limite de seis semanas para a duração dos estoques racionados, mas também alertou que qualquer problema no baixo fluxo de novos suprimentos pode desencadear problemas severos na ilha.
No último domingo, 15, o racionamento de combustível começou no país: motoristas foram limitados a um máximo de 15 litros de gasolina ou diesel por semana, enquanto um total de 200 litros semanais foram alocados para veículos de transporte público.
“Estamos também pedindo ao setor privado que siga o exemplo e declare todas as quartas-feiras feriado a partir de agora”, disse Prabath Chandrakeerthi, comissário-geral de serviços essenciais, a repórteres após uma reunião de emergência presidida pelo presidente, Anura Kumara Dissanayake.
Crise pela Ásia
Países pela Ásia são os mais afetados pelo bloqueio em Ormuz – cerca de 84% do petróleo transportado pelo Estreito de Ormuz tem como destino a Ásia, estima a Administração de Informação Energética dos EUA (EIA, na sigla em inglês).
Países ricos da região, como China e Japão, possuem estoques vastos da commodity ou conseguiram negociar passagem segura para suas embarcações com o Irã, mas países mais pobres enfrentam sérios riscos pela falta de petróleo e gás.
Países pelo sul e sudeste asiáticos dependem dos materiais para quase tudo, como cozinha, mover veículos e gerar eletricidade. Todos os países da região importam basicamente todo o seu combustível de Ormuz – com o estreito fechado, essas importações virtualmente cessaram – e países como o Sri Lanka já afirmaram que têm combustível o suficiente para apenas mais algumas semanas.
Enfrentando o mesmo problema, Bangladesh, um país muçulmano ao leste da Índia, decretou um recesso do Ramadã antecipado visando economizar energia e chegou a impor apagões programados.
O Paquistão, que depende de Ormuz para 85% de toda a sua energia, transferiu escolas para um modelo virtual e até aumentou os preços de combustíveis em uma tentativa de evitar problemas para a população, apura o jornal britânico The Guardian.
Na Índia, que alegou sucessos diplomáticos em negociações com o Irã para a passagem de seus cargueiros por Ormuz, o problema é com gás – 60% do suprimento do país vem do estreito. Filas longas se formaram pelo país à procura de gás de cozinha, conforme muitos restaurantes fecharam ou removeram itens que demandam mais gás de seus cardápios. Hotéis alertaram que teriam que fechar, e até mesmo uma planta siderúrgica que produz aço parou as atividades totalmente.
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