Starcloud se torna unicórnio e capta US$ 170 milhões para construir data centers no espaço

Por Maria Eduarda Cury 30 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Starcloud se torna unicórnio e capta US$ 170 milhões para construir data centers no espaço

A startup Starcloud anunciou nesta segunda-feira, 30, uma rodada de tipo Série A de US$ 170 milhões, liderada pelas gestoras Benchmark e EQT Ventures. Com o aporte, a startup de Redmond, Washington, atingiu avaliação de US$ 1,1 bilhão apenas 17 meses após sua apresentação no Y Combinator. Esse é um dos tempos mais rápidos que uma empresa do acelerador demorou para conseguir chegar ao status de unicórnio ao longo do programa.

Assim, o total captado desde a fundação da empresa em janeiro de 2024 chega a US$ 200 milhões. Como proposta principal, a Starcloud quer construir centros de processamento de dados em órbita da Terra, alimentados por energia solar e refrigerados passivamente pelo espaço.

A lógica é contornar os obstáculos que estão freando a expansão da infraestrutura de computação em ambientes terrestres. Com o ritmo atual, obter licenças e construir novos data centers na Terra pode levar até cinco anos, o que não condiz com a demanda cada vez mais acelerada pela infraestrutura de inteligência artificial.

Satélites da Starcloud adotam modelos avançados de IA

Com apenas US$ 3 milhões em capital inicial, a Starcloud projetou, construiu e lançou seu primeiro satélite em 21 meses, chamado Starcloud 1. Ele foi colocado em órbita em novembro de 2025 e carregava uma GPU Nvidia H100, sendo utilizado para, conforme relatórios da empresa, treinar um modelo de IA no espaço pela primeira vez na história, além de rodar uma versão do assistente do Google Gemini.

O próximo satélite, intitulado Starcloud 2, está previsto para este ano e terá um chip Nvidia Blackwell e um servidor da AWS a bordo. Já o Starcloud 3, peça central da estratégia de escalabilidade, será uma nave de três toneladas e 200 kilowatts capaz de operar a partir do sistema de lançamento do Starship, da SpaceX. Segundo o CEO Philip Johnston, o Starcloud 3 deve ser o primeiro data center orbital competitivo em custo com instalações na Terra, com projeção de US$ 0,05 por kilowatt-hora. A expectativa, no momento, é alcançar as projeções desde que os custos de lançamento do Starship cheguem a cerca de US$ 500 por quilograma, o que a empresa estima para início em 2028 ou 2029.

Ao mesmo tempo, a SpaceX disputa o território espacial. Integrada pela empresa de IA xAI em fevereiro de 2026, a companhia de Elon Musk pediu autorização ao governo americano para operar uma rede de um milhão de satélites de computação distribuída. A Blue Origin, de Jeff Bezos, sinalizou ambições semelhantes: a intenção é conseguir mais de 50 mil satélites que funcionem como data centers em órbita. Google, Aethero e Aetherflux também têm projetos em andamento na área.

Johnston, entretanto, acredita que a Starcloud é capaz de superar as iniciativas de Musk. “O plano principal deles é atender às cargas de trabalho da Grok e da Tesla. Pode ser que, em algum momento, eles ofereçam um serviço de nuvem de terceiros, mas acho improvável que façam o que nós, como empresa do setor de energia e infraestrutura, estamos fazendo", comentou o CEO em entrevista ao TechCrunch.

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