Startup britânica de computação quântica capta US$ 160 milhões com fundo apoiado pela União Europeia

Por Maria Eduarda Cury 10 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Startup britânica de computação quântica capta US$ 160 milhões com fundo apoiado pela União Europeia

Uma empresa britânica fundada por professores de Oxford e do University College London acaba de receber um reforço significativo de capital. A Quantum Motion fechou uma rodada de US$ 160 milhões liderada pela Kembara, fundo de crescimento tecnológico apoiado pela União Europeia, e pela firma de venture capital americana DCVC. O British Business Bank e a Firgun Ventures também participaram, ao lado de investidores como Oxford Science Enterprises, Robert Bosch Venture Capital e Porsche.

A aposta da startup fundada em 2017 é construir computadores quânticos a partir de sensores CMOS. É a mesma tecnologia que já equipa câmeras de smartphones e equipamentos industriais. A lógica por trás da escolha é deliberadamente industrial: ao ancorar sua arquitetura numa cadeia de fabricação que já produz bilhões de chips por ano para o mercado de consumo, a Quantum Motion aposta que será mais fácil escalar do que construir do zero — ao contrário da maioria dos concorrentes, que desenvolvem hardware proprietário.

O movimento acontece num momento em que a computação quântica acelerou sua corrida por capital: empresas do ramo estão abrindo capital em 2026 e atraindo bilhões de dólares, mesmo ainda distantes de aplicações comerciais em larga escala — e o mercado compara o momento com o início da era da inteligência artificial. A corrida não é nova: a PsiQuantum já havia levantado US$ 1 bilhão numa rodada recorde, enquanto a Quantinuum captou US$ 600 milhões a um valuation de US$ 10 bilhões.

Indústria quântica planeja acelerar projetos com IA

Do lado dos investidores, a Kembara estreia nesse ecossistema com a Quantum Motion como primeira aposta. O fundo nasceu na Espanha em 2024 com aporte inicial de €350 milhões do Fundo Europeu de Investimentos e expectativa de arrecadar €1 bilhão. A captação rápida de €750 milhões teve foco declarado em setores como computação quântica, inteligência artificial e energia limpa. A investida sinaliza uma estratégia europeia de construir posições estratégicas em um dominado por americanos e chineses.

Para a Quantum Motion, o desafio é transformar urgência geopolítica em receita real. As empresas com foco em avanços quânticos ainda têm que realizar aplicações comerciais em larga escala. O momento atual é frequentemente comparado com os primeiros anos da IA, quando o potencial era amplamente reconhecido, mas o caminho até a real utilidade do produto final ainda era nebuloso. A diferença, desta vez, é que o dinheiro chegou muito mais cedo e com expectativas proporcionalmente mais altas.

A tecnologia, entretanto, ainda engatinha em termos comerciais. A expectativa da indústria é que sistemas quânticos só se tornem viáveis no fim da década. A Quantum Motion já entregou um computador ao Centro Nacional de Computação Quântica do Reino Unido e promete anunciar novos clientes até o fim do ano. A valuation da empresa, entretanto, não foi divulgada, o que é sintomático de um mercado em que o entusiasmo ainda supera as receitas.

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