Startup goiana fecha contrato de R$ 160 milhões com a AWS

Por Maria Eduarda Cury 7 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Startup goiana fecha contrato de R$ 160 milhões com a AWS

A startup brasileira Forlex é a mais nova selecionada para o programa de incentivo financeiro da Amazon Web Services (AWS), o braço de computação em nuvem da Amazon. A companhia goiana fundada em 2023 assinou nesta semana um contrato de US$ 32 milhões (R$ 160 milhões) com a divisão da Amazon para  garantir acesso a centenas de GPUs NVIDIA B200 ao longo dos próximos 3 anos. O movimento sinaliza que a corrida por capacidade computacional, até então restrita às big techs globais, chegou de vez ao ecossistema de startups brasileiro.

Com o novo momento, a empresa pretende operar mais de 1.500 GPUs para em treinamento e inferência até o final do ano. Isso soma à capacidade contratada da AWS, expansões adicionais em negociação e futuras configurações que ampliem o alcance das operações da Forlex. Inicialmente focada em aprimorar o funcionamento do sistema jurídico brasileiro, a Forlex agora desenvolverá modelos generativos para entrar no mercado dos Estados Unidos; a ideia é que a empresa já esteja estabelecida com escritório no Vale do Silício em junho.

“Capacidade computacional, em IA, é a infraestrutura crítica do setor. Sem ela, modelos não treinam, agentes não escalam e a operação para", disse Daniel Bichuetti, cofundador da Forlex. No Brasil, o ativo mais estratégico da companhia é a plataforma LIVIA, ferramenta oficial de IA da advocacia brasileira desenvolvida em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A solução atende 81 tribunais e mais de 1,5 milhão de advogados no país. A empresa declara que a ferramenta tem entre 91% e 93% de eficácia comprovada e taxa de alucinação máxima de 7%.

Da esquerda à direita:Jason Bennett, vice-presidente de Global Startups e Venture Capital da AWS; Daniel Bichuetti, cofundador, co-CEO e CTO da Forlex; e Alvaro Echeverria, diretor e gerente geral de Startups para América Latina da AWS. Crédito: AWS

De Goiás ao Vale do Silício

A trajetória da Forlex começa longe dos grandes centros de inovação. A empresa nasceu em Goiás com apoio do governo estadual, incentivo que Bichuetti reconheceu como "decisivo" para os primeiros passos da startup. Em coletiva com a imprensa nesta quinta-feira, 7, Bichuetti destacou que o contrato com a Amazon é uma "virada de chave". "Estamos em um momento especial onde capacidade é um bloqueador de crescimento", disse o executivo, justificando a atenção da Amazon como essencial para a ampliação das atividades. A Forlex também declarou ser a primeira empresa do ramo na América Latina a operar com a NVIDIA Blackwell, mesma base das GPUs B200 contratadas.

Jason Bennett, vice-presidente de Global Startups e Venture Capital para a AWS, esteve presente na coletiva e disse que o momento da indústria é de atenção. "Meu pai é um bombeiro aposentado. Os bombeiros têm a mesma filosofia: agir devagar e com precisão. Porque quando você enta em um incêndio, você precisa se mover com um propósito calculado. Você precisa ser cauteloso. E eles sabem que, sendo lentos e com precisão, você consegue se mover rápido depois", disse o executivo.

Ao ser questionado sobre a adaptação de modelos similares aos já lançados LIVIA, HIVE e séries S e V para clientes internacionais, Bichuetti disse que a equipe já chegará preparada para atender a demandas estrangeiras. "Não nascemos globais, mas nascemos pensando globalmente. Começamos a coletar dados desde o início e, nos últimos dois anos, estivemos reunindo dados dos EUA, do Reino Unido, da Europa [...] Já iniciamos o treinamento de nossos modelos para o mercado americano, que são quase tão eficazes quanto os do mercado brasileiro", disse o brasileiro.

Os três concordaram que o mercado de IA com foco em agentes multifuncionais dominará os interesses de mercado em um futuro próximo. Para Alvaro Echeverria, diretor de Startups da AWS para a América Latina, equipes menores têm mais facilidade para alcançar resultados buscados por grandes corporações: "Estamos vendo equipes fundadoras muito pequenas, de duas ou três pessoas, usando as ferramentas e chegando muito rapidamente ao marketing do produto, chegando muito rapidamente ao seu primeiro protótipo", comentou o executivo.

Hoje, a Forlex tem R$ 5,95 milhões em equity; Bichuetti declarou que a empresa já está em contato com investidores internacionais para aumentar o capital, ação que deve acontecer até o final deste ano.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: