Startup que ajuda marcas a aparecerem no ChatGPT capta US$ 96 milhões e vira unicórnio
A Profound, startup com 18 meses de vida que aposta na chamada "otimização para mecanismos de resposta", tornou-se unicórnio ao levantar US$ 96 milhões e alcançar valuation de US$ 1 bilhão. A rodada Série C foi liderada pela Lightspeed Venture Partners, fundo de capital de risco do Vale do Silício, com participação da Sequoia Capital, da Kleiner Perkins, da Evantic Capital, da Saga VC e da South Park Commons, segundo a revista Fortune.
Com o novo aporte, a empresa soma US$ 155 milhões em captações. A rodada anterior, Série B, já havia chamado atenção por apostar de forma agressiva no conceito de "answer-engine optimization", ou otimização para mecanismos de resposta, em meio à ascensão da inteligência artificial generativa.
A tese da companhia parte de uma mudança estrutural na forma como usuários buscam informação. Em vez de navegar por listas de links em buscadores tradicionais, como o Google, consumidores passam a receber respostas sintetizadas por sistemas como ChatGPT, da OpenAI, Gemini, do Google, e Perplexity, ferramenta de busca baseada em IA. Segundo a empresa, essa migração desloca a atenção do usuário de search engines para answer engines.
Fundada e liderada por James Cadwallader, a Profound oferece um software que monitora como modelos de IA descrevem e recomendam marcas em milhões de consultas reais. A plataforma promete mostrar não apenas se uma empresa aparece nas respostas geradas por IA, mas por que aparece e como concorrentes estão sendo citados.
A startup afirma já atender mais de 700 clientes corporativos e cerca de 10% das empresas da Fortune 500. Entre eles estão Target, Walmart, Ramp, MongoDB, U.S. Bank e Figma. Segundo a companhia, alguns clientes conseguiram ampliar em poucas semanas a presença de suas marcas em recomendações feitas por sistemas de IA.
A transição do SEO para a era da IA generativa
O movimento é apresentado pelo CEO como uma evolução do SEO, sigla para search engine optimization, ou otimização para mecanismos de busca, prática consolidada nas últimas duas décadas. Para Cadwallader, não se trata da morte do SEO, mas de sua ampliação.
Dados internos da empresa indicam que até 90% das fontes citadas em respostas de IA podem mudar ao longo do tempo e que diferentes modelos recorrem a conjuntos distintos de referências. Na prática, isso exigiria das marcas uma gestão contínua de presença em múltiplos ecossistemas de IA, em vez de uma estratégia concentrada em um único buscador.
A mudança também tem impacto sobre os profissionais da área. Especialistas tradicionais em SEO passam a assumir funções mais técnicas, descritas pelo executivo como “engenheiros de marketing”, com foco em análise de dados, automação e compreensão de como modelos de IA interpretam e recomendam produtos.
Com menos de 120 funcionários, a Profound disputa talentos com laboratórios de IA e startups bem financiadas. A empresa também lançou o Profound Agents, ferramenta que gera e distribui textos de marketing na voz das marcas. Para a Lightspeed, a velocidade de crescimento com adoção corporativa reforça que a transição para mecanismos de resposta baseados em IA já está em curso.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: